História da fazenda quartel do Exército
BRASÍLIA - "Na barra dos dois galhos da cabaceira do Córrego do Grotão", uma gleba de terras, situada no distrito de Serra Bonita, município de Buritis, desta comarca, na fazenda "Pontes", com a área de 1.046 hectares..."
Parece começo de romance antigo e é o princípio da matrícula 04.823, de 20 de setembro de 1978, em que a Ruralminas, do Estado de Minas Gerais, representada pelo governador Aureliano Chaves, registrou, no Cartório de Imóveis de Unaí (MG), a venda de uma terra devoluta a Wandir Galetti, fazendeiro, residente em Brasília, por Cr$ 18.305,00, "pagos os impostos". Em 12 de março de 79, Wandir Galetti hipotecou as terras ao Banco do Brasil, na agência de Unaí, por Cr$ 1.500,00, com juros de 15% ao ano, para pagar até 28 de fevereiro de 84. Pagou e cancelou em 25 de maio de 81. Em 26 de maio de 81, Wandir Galetti vendeu os 1.046 hectares ("746 de campos, 300 de cerrados, e mais uma casa de madeira, um curral de madeira branca, um paiol e mais ou menos 50 rolos de arame cercando a gleba") a Cesar Hartmann, gaúcho de Júlio de Castilhos, por Cr$ 11 milhões. Em 13 de junho de 89, Cesar Hartmann vendeu a fazenda "Pontes" a Fernando Henrique Cardoso ("professor universitário") e Sérgio Roberto Vieira da Motta ("engenheiro") "por NCz$ 6 mil (seis mil cruzados novos), tendo o imóvel sido avaliado para efeitos fiscais por NCz$ 131 mil (cento e trinta e um mil cruzados novos)" (sic). Fazenda virou empresa Em 21 de junho de 91, Fernando Henrique e Serjão passaram a fazenda "Pontes" para a Agropecuária Córrego da Ponte Ltda., com sede em São Paulo, de propriedade dos dois, meio a meio, no valor de Cr$ 6.700,00. Em 23 de fevereiro de 92, a fazenda foi hipotecada ao Banco do Brasil, na agência do Núcleo Bandeirantes, em Brasília, por Cr$ 17.171.600,00, com juros de 12,5% ao ano ("para lavoura de arroz de sequeiro") e pagamento até 30 de junho de 92. A hipoteca só foi paga e cancelada em 26 de agosto de 98. Em 30 de abril de 99, um ano depois da morte de Serjão, faz-se a "alteração do contrato social da Agropecuária Córrego da Ponte". O capital social passa a ser de 730 mil cotas no valor de R$ 1,00 cada uma. Jovelino Carvalho Mineiro Filho ("casado, empresário rural") fica com 525.600 cotas (R$ 525.600,00). Luciana Cardoso ("solteira, bióloga") com 102.200 cotas (R$ 102.200,00). Beatriz Cardoso ("solteira, pedagoga") com 102.200 cotas (R$ 102.200,00). Mas Jovelino Mineiro "cede" 160.600 de suas cotas a Paulo Henrique Cardoso ("solteiro, sociólogo"). A sociedade é "gerida e administrada" por Jovelino Mineiro e Luciana Cardoso. A fazenda-empresa é metade do Jovelino, metade dos Cardosolinos.
Por que virou quartel do Exército?
Nem o cavalo de Caxias está enterrado lá.
Tribuna da imprensa, 10/10/2000
Colaboração de HTavares