|
À luz da ciência atual, o homem primitivo chegou ao continente
americano vindo da Ásia, atravessando o estreito de Bering
numa época muito tempo atrás quando esse se encontrava totalmente
congelado.
|
|
Esses grupos
se espalharam pelas Américas, alguns sumiram, alguns se isolaram,
outros mais chegaram, alguns se mesclaram, e entre eles estavam
os antepassados dos índios
que já existiam em nosso país quando do descobrimento do Brasil.
|
|
|
Desses povos
primordiais, os registros que temos de
sua passagem são os restos que o tempo não levou, restos que
se acumularam pela permanência desses grupos em alguns lugares.
|
|
Quando
por um período se fixavam num local, deixavam pelo chão
as sobras de seu dia a dia, sejam os restos de refeições como
conchas de moluscos, espinhas e ossos de animais, sejam os
restos não comestíveis como sobras de seus artefatos
ou de fogueiras, restos esses que se acumulavam pelo solo
da área que ocupavam, formando dunas dessa mistura de sobras
e areia, montes esses que já eram chamados de Sambaqui
pelos nativos que Cabral encontrou aqui.
|
|
|
|
A palavra sambaqui,
de origem indígena, significa "amontoado de conchas".
|
TAMBÁ=
concha + KI= amontoado
|
|
A princípio confundidos com concheiros
naturais, nos quais encontramos conchas foscas e esbranquiçadas
(resultado do ressecamento de uma área antes ocupada por uma
lagoa, pedaço de mar ou rio), ou mesmo confundidos com alguns
acúmulos de conchas trazidas pelas ondas do mar às areias
da praia, sambaquis diferenciam-se por conterem muitas conchas
em tamanho maior que a média das conchas de sua espécie encontradas
na mesma área, e por conterem também ossos, carvão e lascas
de rochas, o sinal da ocupação humana ali.
|
|
|
|
Numa amostra proveniente de um concheiro natural do município,
selecionamos algumas conchas e as comparamos com uma moeda
para mostrar o tamanho médio dos espécimes encontrados num
concheiro desses.
|
Conchas encontradas na areia da praia
geralmente ainda estão coloridas e brilhosas, devido a serem
recentes, e sua espécie ou tamanho atual é resultado das alterações
que houve em seu meio ambiente no passar dos milênios.
A exposição ao sol e o atrito com a areia ou outros objetos
as deixa esbranquiçadas com o correr do tempo.
|
|
|
|
Comparadas com uma proveniente de um sambaqui, já muito desgastada
pelo tempo, as conchinhas comuns da praia são mais grossas
porem seu diâmetro é muito inferior. À direita temos uma comparação
das espessuras.
|
|
|
|
Nas camadas
superiores de um sambaqui, os restos mais recentes dessas
populações desaparecidas às vezes aparecem, quando algum agente
externo ou lufada mais forte de vento revolve as areias. Quando
contém pedaços
cerâmicos, indicam a passagem de grupos mais evoluídos
ou recentes por ali.
|
|
|
|
Usando
por base esses restos, ligando esses restos à camadas, ligando
essas camadas à datas, podemos reconstruir imagens da vida
desses grupos que antecederam nossos indígenas. Na estrutura
interna de um sambaqui, vários fatores misturam os níveis
das camadas, inclusive buracos escavados por ocupações posteriores.
|
|
|
Encontradas geralmente em muitos pedaços, obra do passar de
muitos anos aliado ao talvez para um homem primitivo ser mais
fácil quebra-la do que abri-la, Lucinas
eram nos sambaquis de nossa restinga um importante item das
refeições.
|
|
Otólitos de peixes
|
Comunidades
formadas de caçadores, pescadores e catadores, qualquer coisa
que se mexesse lhes servia de refeição, e dada a fartura de
moluscos daqueles tempos, tinham nesses e nos peixes sua principal
fonte de alimento.
|
Lascas de quartzo

|
|
|
Utilizavam rochas como
essa como batedores, para moer ou quebrar inclusive outras
rochas, como o quartzo por exemplo, que em nosso município
era a matéria prima básica da maioria de seus instrumentos
de corte e punção. Com quartzo fabricavam lâminas de machados,
pontas de flecha e lança entre outros.
|
No
meio dos restos de fogueiras, indícios da flora daqueles
tempos nos pedaços de carvão de madeiras diversas.

|
Raízes, folhas e frutos
também compunham suas dietas, porem são mais difíceis de constatar
pois não resistem muito ao passar do tempo.
 .....
Ossos de animais e espinhas mostram outros tipos de
vida que existiam nessa nossa fauna original.
|
|
Apesar de muitos sítios arqueológicos de nosso município já
terem sido visitados por arqueólogos do Museu Nacional
do RJ e de estarem na lista de projetos de pesquisa futura
deles, e mesmo já tendo Maricá um sambaqui e um sítio cerâmico
registrados, não temos ainda um trabalho de datação de nossos
achados arqueológicos mais antigos.
|
|
Porém
se nos basearmos nas datas já comprovadas de achados do gênero
nos municípios contíguos ao nosso e no espirito andarilho
em busca de caça e alimento desse homem primitivo, podemos
supor que uma ocupação inicial já existia em Maricá pelo menos
1.500 anos atrás, época média essa em que todos os locais
já pesquisados por arqueólogos dentro de nosso estado, principalmente
os próximos à nós, já se encontravam com ocupações
humanas esparsas neles.
|
|
|
|
|
This
page start on September, 30, 1999
Updated on December,
05, 1999
Last
updated January 2007
Moira©PhotoDisc,Inc.
|