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A
Superintendência Geral de Comunicação Social
da recém instalada administração municipal
de Maricá, já entrou em ação para anunciar,
através de circular, que a mudança de governo está
sendo acompanhada de mudanças no relacionamento entre a imprensa
e o Prefeito. A circular revela, nitidamente, a preocupação
de burocratizar um convívio cuja espontaneidade é
vital para que se consiga atingir a tão apregoada transparência,
frequentadora assídua dos discursos eleitorais.
Caracterizando
essa preocupação burocratizante, a referida circular
estabelece, entre outros limites, que se um órgão
de imprensa "precisar" de uma entrevista com o Prefeito,
sobre tema específico, terá que enviar pauta à
Superintendência, com antecedência mínima de
dois dias. Isto parece muito mais a instalação de
um biombo protetor do prefeito do que, propriamente, "o início
de um canal de comunicação que deverá ser permanente
e produtivo", como explica a circular, que começa com
aquele modelito típico dos redatores burocratas: "Servimo-nos
da presente".
Ao
contrário, a circular informa que "o prefeito Ricardo
Queiroz convocará a imprensa sempre que julgado necessário
para tratar de assuntos de caráter extraordinário".
Nesse caso, a circular não condiciona "com antecedência
mínima de dois dias". Ou seja, o Prefeito pode convocar
a imprensa sempre que julgar necessário, mas a recíproca
nunca poderá ouvir o prefeito quando julgar necessário,
atendendo ao prazo, geralmente exíguo, imposto pela oportunidade
e velocidade dos fatos em relação à periodicidade
do jornal. Sem dúvida, são dois pesos e duas medidas.
No
conceito moderno de comunicação social, amadurecido
após o fim da ditadura militar, a imprensa falar com o Prefeito
é muito mais inadiável do que o Prefeito falar com
a imprensa. Até porque, o cachorro morder uma pessoa não
é notícia, mas uma pessoa morder um cachorro é
manchete de primeira página. Geralmente, o que os governantes
têm a dizer nem sempre é notícia, mas o que
o jornalista quer saber sempre é.
Outra
impropriedade da inoportuna circular diz que "somente jornalistas
credenciados poderão ter acesso as entrevistas coletivas
ou extraordinárias" (acesso as entrevistas sem crase
em respeito à circular), o que demonstra total desatualização
em relação às modernas práticas dos
órgãos de imprensa. Além de tratar-se de postura
excludente. Atualmente, jornalista setorizado em órgãos
públicos é coisa superada porque a experiência
demonstrou o alto risco de conivência a cumplicidade entre
o repórter e o poder público, o que fatalmente redunda
em desinformação para o leitor. Isso, é claro,
interessa aos governantes, mas não ao órgão
de imprensa.
Quando
alguém propõe um canal de acesso e ressalta que ele
será permanente,
nunca impõe condições, ainda mais quando se
trata de comunicação social. Liberdade condicional
é para albergado e não para jornalista. Este primitivismo
conceitual oferecido pela circular, que desfigura a função
da imprensa contemporânea, não chega a surpreender,
já que começa pelo próprio nome do órgão
emissor: Superintendência Geral de Comunicação
Social. Ora, de uma superintendência que é geral e,
ao mesmo tempo, específica de comunicação social
não se pode mesmo exigir nada além disso. Resta apenas
reinvindicar que o prefeito Ricardo Queiroz reformule seus conceitos
e crie um órgão não para serví-lo, mas
sim para facilitar o trabalho da imprensa. É por isso que
esse órgão sempre foi chamado de assessoria de imprensa
e nunca de assessoria do prefeito.
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