Por conta
de muitas colaborações recebidas, abrimos este espaço para divulgar
um pouco mais a arte, a escrita e oratória de nosso povo maricaense.
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Os títulos marcados com a florzinha ~@~ se referem a fatos, imagens,
estórias e histórias de Maricá
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CONTOS
MARICAENSES
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Alexandro Silva de Oliveira
foi uma dessas poucas pessoas que a gente conhece, gosta e não esquece
mais. Gentil, educado a acima de tudo sempre muito carinhoso soube
cativar minha amizade para sempre. Tudo que fazia era com dedicação
e muito conhecimento da arte que praticava. Ele acreditava que, um
dia, haveria uma integração total entre os povos de modo que a sociedade
dê a importância devida à ARTE e a CULTURA. Convidado pela Cia. Mímicos
Brasil Artes, fizeram juntos alguns trabalhos, pesquisas e estudos
sobre o crescimento da mímica no Brasil. No primeiro evento que realizei
no Condomínio Sítio Santa Paula, Alexandro encantou com suas mágicas
e mímicas, todas as crianças que, até hoje, não esquecem a mímica
do coração pulsando forte e voando bem alto. Na primeira entrevista
exclusiva para o "A TOCHA", que saiu na nossa edição nº 5 de set/out
de 1996, passamos uma manhã na Lagoa de Araçatiba; tiramos muitas
fotos e no bate papo descontraído contou-me fatos interessantes de
sua vida, de seu trabalho e de seus sonhos. Naquele dia também, com
ele, aprendi a usar a frase de Charles Chaplin: "Sorria, sorria! porque
um dia sem sorrir é um dia perdido". Amiguinho Alex esteja certo que
sempre que lembrar de você meu coração pulsará forte, cheio de amor
e de boas lembranças dos tempos em que Deus permitiu ter a sua maravilhosa
e carinhosa presença. Eu e as crianças de Santa Paula e todas as que
você alegrou com a sua arte, o amaremos sempre e garantimos depois que o conhecemos:
nosso dia nunca mais foi perdido. Até breve!
Deyse
Cruz ... |
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A
Fábula de Dona Ambição e Dona Inveja
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De autoria desconhecida,
pelo menos para mim, esta Fábula me foi contada por um dileto amigo.
Reparto-a com vocês, pelo ensinamento que nos dá. Aí está a História
:
Dona Inveja invejava loucamente Dona Ambição. Se esta tinha um cavalo,
ela queria dois.Se tinha uma vaca, ela logo desejava duas. E assim
por diante. E por isso sofria muito intimamente. Vendo isso, Deus
chamou-a e disse-lhe :
-Dona Inveja, vejo seu sofrimento. Tudo que a senhora pedir para os
outros, dar-lhe-ei em dobro. Peça-me o que quiser. Dona Inveja querendo
tão só prejudicar Dona Ambição, pediu : Quero que o senhor cegue um
olho de Dona Ambição. Deus de pronto atendeu, só que também cegou-lhe
os dois olhos. É que na sua louca inveja, esquecera-se ela da promessa
de Deus em dar-lhe o dobro, tudo que pedisse para os outros.
O invejoso é assim. Na sua mente perversa, não lhe passa pela cabeça
que o mal que deseja aos outros, cairá em dobro sobre ele. Você mesmo
deve conhecer algum deles. O mundo está cheio desses tipos. Reflita
bem sobre esta fábula. Tire suas lições. Ambição demais também cega.
Reginaldo
da Sancal |
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| Todos falam
em crise! Ora, estamos em crise sempre, por um motivo ou outro, em
crise. Os motivos, na maioria, desconhecidos, ou melhor, não entendidos,
por muitas pessoas. Nós, da imprensa, em especial os proprietários
de jornais do interior que levam para todos, cada um dentro de sua
linha jornalística, tudo o que acontece em nossa cidade, sentimos
realmente a famosa "crise". É desolador quando ouvimos um empresário
dizer que anunciou em um dos grandes jornais do Rio e não pôde anunciar
nos jornais de sua cidade. Acredita ele que, deste modo, irá aliviar
a crise e/ou aumentar as suas vendas ou a sua clientela. A realidade
é que por causa da dita "crise", em nosso município uma boa parte
da população deixou de comprar jornais (é só confirmar com o distribuidor
a quantidade dos jornais que chegam até Maricá, ou melhor, retornam)
e passaram a ler com mais assiduidade os jornais locais que são distribuídos
(com muito trabalho), mas inteiramente grátis. Ao investirem abrindo
algum tipo de atividade, pensam em tudo; no ponto, na decoração e
esquecem do Marketing e argumentam, quando o procuramos: - "gastei
tudo na obra, na decoração, no abastecimento e não tenho dinheiro
para investir em anúncios ou promover eventos esportivos ou culturais...".
Temos que concordar: o inexperiente empresário pensou em tudo...menos
no principal. Sim, principal pois todos, ou melhor, quase todos sabem
que grandes empresas investem milhões para manterem em competitividade
seus produtos (Coca-cola – Brahma são algumas delas) e manterem
sua marca em evidência é fundamental. Recentemente ao assistir a missa
dominical na Paróquia do Preciosíssimo Sangue de Cristo, na Tijuca,
observei que o impresso destinado ao acompanhamento da Missa, continha
no rodapé da página três, os seguintes dizeres: "Por que a SENDAS
ama quem faz, todos os funcionários do Grupo recebem alimentação gratuita
durante o horário de trabalho, com cardápio variado, balanceado e
orientado por uma equipe de nutricionistas". Na saída, algumas senhoras
comentavam felizes, que estavam fazendo suas compras na Sendas. Tenho
certeza, o apoio da Sendas não teve como objetivo aumentar as suas
vendas e sim contribuir para uma maior tiragem do manual de missa.
Indiretamente, porém, conseguiu também fazer um novo círculo de leais
clientes. Estou citando este fato não só como exemplo, como também,
para que todos notem na mensagem da Sendas a expressão "... ama quem
faz..."- palavras sinceras, verdadeiras e de grande poder pois somente
quem ama quem faz, pode vencer, com Deus, todas as crises. Amigo empresário,
experiente ou inexperiente, experimente anunciar seus produtos, prestigie
os jornais locais, as emissoras de rádio, a internete, os eventos
de sua cidade e principalmente "ame quem faz" pois tudo o que fazemos
é com muito amor. Tenha certeza, você também, será um vencedor, em
todos os sentidos, como o grande empresário: Sr. Arthur Sendas. |
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AQUI EU
CONTO – Edição nº 29 do Jornal A TOCHA Esporte e Cultura
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O Imperador sabia das coisas....
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Todos vão achar que estou repetitiva com o assunto
referente à necessidade de que haja um maior interesse por parte dos
empresários e comerciantes de nossa cidade no sentido de investirem
em anúncios de seus produtos e também em especial no Marketing Cultural
e Esportivo. Porém a historinha que vou narrar é muito interessante
e vem a calhar com a fase que todos estamos passando, quero dizer
a CRISE. "D. Clemência, mulher de Monsieur Saisset, dono de prestigiosa
loja de tecidos, muito bem situada na atual Rua do Ouvidor, estava
sofrendo constantes assédios e galanteios do Imperador D. Pedro I.
De olho na bela ruiva, o Imperador arquiteta uma trama maquiavélica.
Encomenda a troca de cortinas das janelas do Palácio da Boa Vista
(que não mais precisava). M. Saisset não sai mais de lá, super ocupado
com medições e etc... Um dia, porém voltou para a casa mais cedo e
encontra D. Pedro em sua cama, completamente despido e com sua mulher.
Madame veste-se e vem correndo dar as explicações e disse: Querido!
O Imperador viera encomendar novo pedido, mas... levou um tombo ao
descer do cavalo. Machucou o joelho estou fazendo uma massagem nele
– explicou-se. Pois continue, minha filha – recomendou
o comerciante, que achou mais conveniente dormir com a criadagem naquela
noite. Na manhã seguinte, antes de o visitante sair, M. Saisset pendurou
uma tabuleta na porta de seu estabelecimento, fazendo aquele marketing:
"ESTA CASA FORNECE AO NOSSO IMPERADOR" É quase certo que nenhum Imperador
está visitando sua casa, ( espero!) mas... que tal anunciar seus produtos,
não como M. Saisset, numa tabuleta, mas, nos jornais locais, nas emissoras
de rádio e ...na Internet? Bons anúncios! Bons negócios! Deyse Cruz..
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Aqui Eu
Conto da edição Nº 30 do Jornal A TOCHA Esporte e Cultura
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Discurso de Deyse Cruz na Academia de Ciências
e Letras de Maricá
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Maricá,
16 de maio de 2000
Discurso quando da Posse de Deyse Cruz na cadeira nº 38 de Olegário
Marianno, na Academia de Ciências e Letras de Maricá que aconteceu
no dia 13 de maio de 2000 no Auditório da Prefeitura Municipal de
Maricá.
Excelentíssimo Sr. Secretario de Administração,
Maurício Martins, representando o Prefeito de Maricá, Dr. Luciano
Rangel, excelentíssima Sra. Presidenta da Academia de Ciências e
Letras de Maricá, Dra. Tais Imar Vieira da Silva, Excelentíssimos
acadêmicos e confrades, prezados amigos, é muito fácil antes de
qualquer solenidade traçar algumas palavras iniciando algum discurso,
com algumas daquelas conhecidas frases iniciais : em primeiro lugar....
é com imensa satisfação.... quero deixar registrado.... depois de
pensar bastante e analisar a importância deste momento, cheguei
a conclusão que , por ser tão especial, permitam-me todos os presentes
que eu transmita minha alegria e emoção, única ,exclusivamente e
apenas com o meu coração, que eu deixe as palavras para os escritores,
para os poetas. É meu desejo, guardar na memória este momento para
sempre. Tenham certeza todos estarão todos no meu coração eternamente..
Agradeço a Deus ter sido merecedora de tão honrosa indicação, jamais
poderia imaginar que alguns escritos entre contos, poemas e o Jornal
pudessem contribuir para tão importante prêmio. Somente a minha
professora do primário e grande incentivadora D.Sarah, com sua sagacidade
e sabedoria poderia ter adivinhado este momento ao premiar um de
meus escritos - uma redação sobre dois gatinhos, quando tinha eu
apenas 8 anos e comentou: " pena que não estarei viva para vê-la
um dia na academia": Naquele momento, na inocência de meus oito
anos, não entendi o que ela estava dizendo. Prezada Sara, querida
e saudosa professora ,como ninguém você soube me guiar e conduzir
e com seus fabulosos métodos de ensino, contribuiu de maneira sem
igual , para que eu tenha aprimorado o Dom que Deus me presenteou,
de escrever. Tenho certeza você esta assistindo este momento. Este
prêmio é seu ,este prêmio é de meus pais que com carinho e perseverança
jamais desistiram de me oferecer o melhor, este prêmio pertence
aos meus filhos, Eunice, Rita de Cássia, Tarcis, Dax e Maria Verônica,
este prêmio pertence aos meus netos: Tiago, Mateus, Gabriela, Nicole
e Mariana , fontes constantes de motivos para escrever e para viver
com alegria e entusiasmo. Este prêmio é dos amigos e incentivadores..
A presidenta da Academia de Ciências e Letras de Maricá, minha querida
amiga e madrinha, ; que bom que você existe! Que bom que você ama
e se dedica com tanto entusiasmo a Academia de Ciências e Letras
de Maricá! Que bom que você se preocupa com a Cultura da minha querida
e amada Maricá, cidade que adotei e que tive o privilégio em 1999,
no aniversário da cidade, receber da Vereadora Consuelo Duque o
título de cidadã maricaense. Aos meus amigos acadêmicos e confrades
um pedido: que possamos nos unir e fazer da nossa Academia uma entidade
cultural , tão firme e inabalável como uma rocha. Que possamos ,
cada um , dentro de nossas possibilidades e conhecimento , contribuir
para que não se esmoreça e que possamos , cada vez mais , representar
a cultura de nosso município com garra e determinação. Aos nossos
dirigentes um momento de reflexão, no sentido de que a Cultura seja
vista com muito carinho e responsabilidade. Que possamos ter os
nossos espaços para poder abraçar todas as atividades culturais
de nossa cidade. Uma Casa de Cultura, um teatro. Tenho certeza,
podemos, falta apenas o pontapé inicial que considero dado agora
, neste momento. A partir desta data ,estaremos todos unidos num
único ideal: a Academia de Ciências e Letras de Maricá, lutará e
não medirá esforços , pela construção da Casa de Cultura de Maricá,
com portas abertas para todas as atividades culturais de nossa cidade
e dos visitantes. Que Deus nos abençoe e ele esteja sempre em primeiro
lugar na vida de cada um de vocês e que, ao seu lado , possamos
estar confiantes , felizes e sempre com muito entusiasmo porque
os dias estão difíceis mais a fé , não apenas remove montanhas,
mas também, nos deixa fortes, de pé e cheios de esperanças, para
realizar, construir e sonhar como meu patrono, Olegário Marianno
Carneiro da Cunha, o Poeta das Cigarras: As cigarras, na sombra,
se calaram; As árvores no bosque farfalharam Na esperança de ouvi-las
e de vê-las. Caiu de todo a noite quieta... Agora, O céu parece
uma árvore sonora De cigarras cantando nas estrelas... Muito obrigada
pela presença e boa sorte para todos..
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Biografia de Jacintho Luiz Caetano
- Maria do Amparo Caetano, uma dos doze filhos de Jacintho Luiz Caetano,
lança em comemoração aos 50 anos de fundação da Viação Nossa Senhora
do Amparo, livro com uma biografia de seu fundador, seu pai , que
se estivesse vivo , estaria completando 100 anos.
Apegada as doces lembranças de uma infância e juventude onde a cozinha
de sua casa foi uma peça muito importante no relacionamento de toda
a família, Maria do Amparo, talvez guiada, por também, uma doce melancolia,
de retalhos em retalhos, conseguiu numa linguagem tranqüila narrar
a vida deste grande homem.
Possuidor de um diploma de valor sem igual, conhecedor profundo dos
sentimentos e dos percalços da vida, soube como ninguém, manter unida
sua família, transmitir conhecimentos a seus filhos e como ninguém
ser um pioneiro desbravador do Município de Maricá.
Sua filha, nesta biografia, com muita sabedoria e perspicácia conta
, em detalhes, as atividades comerciais de seu pai até chegar na história
da empresa Viação Nossa Senhora do Amparo, fundada em 10 de maio de
1950.
No livro, com depoimentos de familiares e amigos, Maria do Amparo
não esqueceu fatos inéditos e porque não dizer , pitorescos , de alguns
segredos de família que enriquecem sobremodo esta obra literária,
de valor inestimável.
Passamos algumas horas de uma linda manhã de sexta feira, conversando
e chegamos à conclusão de que temos, com relação à cultura, objetivos
em comum, tanto é que na leitura de um trecho de seu livro pude compreender,
mais uma vez, os valores pessoais do indivíduo num todo em todos os
sentidos.
Deduzi que: Jacinto Luiz Caetano nasceu com o Dom da sabedoria e,
Dom é presente de Deus a pessoas muito especiais .
Sua filha, através desta obra, deixa exibir o " Dom literário " em
contar, sem segredos : "100 Anos de História ".
Acadêmica Deyse Cruz,
Fundadora do Jornal A TOCHA e da Associação Esportiva A TOCHA |
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A
Magia da Loucura é um ensaio sobre a loucura e entra na sátira política,
explica o início da humanidade, quando Eva seduziu Adão com a cumplicidade
da cobra que trouxe, de contrabando, a maçã da Argentina. Faz uma
reportagem bíblica, cobrindo o casuismo que resultou na crucificação
de Cristo. Critica a lua de mel de FHC contra o povo, oferece um curso
pra você ficar rico e analisa a invenção do dinheiro. O livro é mesmo
uma loucura !
Até Bill
Clinton, personagem do livro, leu e mandou carta pro Gavinho, que
será exibida pra quem duvidar.
Prof. Gavinho - 637-4108 |
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Uma lembrança... uma saudade....
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Havia um certo
ar de estranheza ou será que era de tristeza
Não sei explicar
E nos olhos que choravam, de um jeito ou de outro
Cada um mostrava uma dor
E o morto indignado, piscando os olhos, se perguntava: onde estou?
Entre os presente, presente no choro, a vida
No semblante do próprio morto também , indignação.
Era como a realidade a buscar confirmação.
Morre quem parte?
Porque quem fica, garante, com certeza : que morre também.
Deyse
Cruz |
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| Desde criança tenho fascinação
por circo. Como não havia naquela época essa formidável máquina de
fazer doidos (a TV), tudo para nós era encantamento. Éramos crianças
alegres, despreocupadas, e felizes, vivendo nossa idade diferentemente
das de hoje, amadurecidas precocemente, neurotizadas, desafeiçoadas,
de convívio difícil em face da cultura eletrônica dos nossos dias,
(daí as drogas). Vibrávamos uns com os outros com a chegada de um
parque de diversões ou de um circo com seus refrões pelas ruas. Hoje
tem espetáculo? Hoje tem marmelada? Creio que o meu deslumbramento
tivesse seus motivos nas roupas multicoloridas e extravagantes dos
palhaços, na intrepidez do trapezista, ou quem sabe, na afoiteza dos
trajes sumários de suas rumbeiras, nada comum naqueles dias. Sei lá!
Até quis ser um deles, não fosse a resistência da família, lá teria
ido eu fazer o que? Talvez bilheteiro. Na adolescência até namorei
uma acrobata. Daí ter conhecido o Palhaço Excelência, me acamaradei
dele. Fora do picadeiro era um homem triste, amargo mesmo. Também
pudera! Tinha perdido a mulher, trapezista num mal sucedido salto
mortal, fazia poucos meses. Restou-lhe a filha de seus dezesseis anos,
herdeira do trapézio da mãe. Falou-me das lágrimas disfarçadas, por
baixo do alvaíde e, carmesim, enquanto fazia a platéia sorrir. Vontade
de sumir. Certo dia perguntei-lhe a razão do nome excelência. Respondeu-me
secamente: - Se em todo o mundo existem tantas excelências palhaços,
porque eu não posso ser o palhaço excelência? Adolescente, não entendi
o significado da resposta. Hoje mais que entendo. Uma ou dois exemplos
aqui entre nós. Ainda pouco tivemos um presidente exibicionista e
bufão que todas as sextas-feiras descia a rampa do Palácio do Planalto
seguido dos seus acólitos ou de alguns ingênuos e desavisados populares,
e algumas vezes, usando criancinhas. Era um espetáculo ridículo e
burlesco, a que a imprensa sabuja, bajuladora e comensal chamava de:
"cerimônia da descida da rampa". Que cerimônia ! Outras vezes no seu
"cooper" matinal levava debaixo do braço um livro em evidência, título
à mostra, para mostrar sua cultura axilar. Que ridículo ! Que comédia
! Que pulha ! Veja só como o tratamento excelência está tão o vulgarizado
entre nós, que ate na reunião de condomínio um condômino dirigindo-se
ao Presidente da mesa. Chamou de V. Excelência. Não me contive, dei
uma formidável e mal-educada gargalhada, para espanto de todos. Foi
aí que me lembrei com saudade do palhaço excelência de há muito esquecido.
Prepare-se para rir. O circo continua armado com seus festivais de
besteróis. Ligue a TV, leia os jornais, e lá encontrará alguma excelência,
dando entrevista com suas baboseiras e idiotices ditas e suas poses
de paspalho. Pior ainda. Agosto e Setembro vem aí, com os candidatos
à excelência, com sua histrionices, suas gesticulações, seus trejeitos.
Há gosto para todos. E coitados de nós, os pategos, continuamos a
bater palmas e acreditando neles. |
Meu irmão,
Sensível e imaturo
Era qual ave desgarrada
À mercê dos descaminhos,
Dos mestres nas ruas,
Da força irresistível do modismo.
Ignorando, uma outra face do viver,
Desde a infância,
- Dependente -
Cativo nos grilhões do Sistema,
Rumo inocente,
Fuga inconsciente,
Medo de encarar
Os absurdos da vida,
Da vida tão breve,
Interrompendo os sonhos,
Sonhos assassinados na estrada.
Perdoa-me, irmão do descaso
E da indiferença,
Pelo seu silêncio
E por tudo que silenciei:
Na ternura de uma simples mão estendida;
No fraterno ombro;
No peito aberto à palavra amiga.
A porta da saída
Era um soluço compartilhado
Que não vi e nunca abracei.
Perdoa-me o despertar
Só no sangue derramado,
Pela química e solitária cruz
De sua jornada,
Pelo inútil tempo
Que não retorna mais,
Resgatando a vida,
A inútil saudade,
Sem despedida,
Sem volta
E sem esperança.
Perdoa-me até pela lembrança...
Tarde demais.
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| Já que somos do século
que está a terminar, A-I-N-D-A podemos falar de amor. Pensando nisso
e como conversa puxa conversa, lembrei-me que quando jovem, freqüentei,
num beco encardido da Praça Mauá, o bar de um tal Serafim, português
do Porto. Era um barzinho, um pé sujo - como se dizia na época - mas
era diferente dos demais. Era um bar com alma. Seu dono, longe de
gostar de Fado e ser Vascaíno, era Flamenguista de carteirinha e gostava
mesmo era das músicas de Cartola, Jamelão, Ataulfo Alves, Altemar
Dutra, Francisco Alves, Maísa, Elisete Cardoso, Dolores Duran, etc.
Olhando assim, nada de especial havia ali, há não ser as esquisitices
do Serafim e uma velha vitrola onde ele colocava seus discos de setenta
e oito rotações que falavam de amor, de paixões, dor de cotovelo e
traições. Talvez por isso mesmo é que ali se reuniam, todas as noites,
homens e mulheres com suas histórias de amores, desamores, desilusões
vividas e sofridas. Ouvíamos, em silêncio, a história de cada um,
sem conselhos, sem consolos, sem solidariedades, já que todos nós
sofríamos do mesmo mal .Tampouco éramos boêmios. Formávamos, isso
sim, uma santa confraria de pessoas, amadas, desamadas e até malamadas,
curtindo um amor presente, passado ou mesmo a ansiedade de um de todo
impossível. E assim ficávamos horas e mais horas, entre um copo e
outro de cerveja, ou um gole de conhaque barato, matutando sobre as
complicações do amor. Naquele tempo havia romantismo, morria-se de
e por amor. Matava-se até. Namorávamos, não apenas ficávamos como
hoje. Não havia namoros virtuais, navegados nas telas frias, insensíveis,
e ausentes, sem rostos; dos computadores (Graças a Deus nem havia
estes monstros). Nosso amor, tinha corpo e alma, endereço certo, estava
ali num bairro próximo ou num subúrbio distante, de braços abertos,
peito arfando de desejo, contido ou incontido, cama limpa e perfumada
a nos esperar. Verdadeiro ou não, pouco importava, o vivíamos com
intensidade, com sofreguidão, com loucura, nos momentos furtivos e
possíveis. Apenas amávamos. E em se tratando de coisas de amor, tínhamos
nossas extravagâncias, nossos ridículos, paixões, raivas e destemperos.
Quem já amou, entende. A noite corria solta, tal criança, como soltos
corriam nossos pensamentos, embalados pelas canções de amor da velha
vitrola, entre um trago e outro, em busca da mulher amada e desejada.
E as madrugadas, as vezes frias, nos encontravam, falando tão só de
amor, que para nós era - e só entendíamos assim -: pele na pele, corpo
no corpo, olhos nos olhos, boca na boca, desejos, sussurros, suspiros,
juras, buscas, encontros, desencontros; certezas, incertezas, dar-se,
receber, queixumes, ciúmes, brigas, reconciliações, sonhos, realidades,
alegrias, tristezas, sorrisos, lágrimas, enfim todas as contradições
que a vida nos oferece. Só os amargos e os de corações bandoleiros
não entendem disso. |
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| Todos temos histórias para
contar, principalmente se os anos que passaram já somam em torno dos
cinqüenta. Meu pai faleceu há apenas 11 meses e tenho fixo na memória
o seu sorriso e a sua famosa pergunta: - "filha diga-me se já lhe
contei esta?" E narrava uma longa história. Em todos os anos de contador
de "histórias e casos" nunca repetiu nenhuma . Tinha sempre algo novo
e bastante curioso. Todas eram sempre muito interessantes: fatos pitorescos
de sua vida, acontecimentos, viagens e até aquela terrível "simpatia"
ensinada por uma velha conhecida , que teve que fazer num cruzamento
ao meio dia em pleno Rio de Janeiro para jogar um vidrinho , onde
dentro ele havia colocado um casal de pulgas ( até morrer ele não
sabia se eram realmente duas fêmeas ou ... dois machos ) , para acabar
com uma epidemia de pulgas em nossa casa. Na hora de falar as sábias
e indispensáveis palavras , no meio do cruzamento de ruas super movimentadas,
ao ver vir em sua direção um ônibus Irajá Castelo , ao invés de proferir:
Pulgas Pulguinhas viemos passear vocês pra ficar e eu pra voltar"
se apavorou e gritou: "Pulgas, pulguinhas viemos passear eu pra ficar
e vocês pra voltar". Coitado , quase foi atropelado! A simpatia é
lógico não funcionou e as pulgas permaneceram ainda por muito tempo.
E este fato permanecerá na minha lembrança, também... para sempre.
Deyse
Cruz |
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DIFERENTE DOS HOMENS, O PATRIARCA PROTEGE, ORIENTA
E GUIA SUA FAMILIA E POR ELA ATÉ MORRE!
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| Em recente programa, "O Globo Repórter"
garantiu que pesquisadores confirmaram que existem, atualmente, na
África, apenas 600 gorilas. Foi citado que de 10 animais capturados,
apenas um sobrevive. Eles morrem por estarem fora de seu habitat e
também porque são maltratados. Na selva, o patriarca, normalmente
o macho de costas cinza, tem o dever e a responsabilidade de cuidar
de sua família, O patriarca protege, orienta e guia sua família que
a segue segura e protegida. Para defender sua fêmea e filhos o patriarca
é capaz de lutar ou enfrentar qualquer obstáculo, até a morte. Em
pleno final do séc. XX descubro que nós, que somos chamados "humanos"
, nada sabemos sobre deveres e responsabilidades; o que os "humanos"
não sabem manter, os gorilas nos dão uma lição de muita integridade,
sensibilidade, conhecimento e sabedoria. O que assistimos, cada vez
mais, são as pessoas sendo tratadas como objeto, tendo valor ou sendo
melhor tratadas, pelo cargo que ocupam, pela faculdade que cursaram;
as famílias se desintegrando, definhando, sozinhas, abandonadas e
trazendo em conseqüência destas atitudes: filhos ansiosos, inseguros,
sem perspectivas, com medo e que buscam nas drogas e nas más companhias
o preenchimento de um vazio que nem eles sabem o porque. Neste pequeno
espaço, invoco aos PATRIARCAS de todas as famílias que tentem seguir
o exemplo dos gorilas: amar seus filhos, sua família, defende-los
e protege-los e quem sabe se tornarem um gigante gorila da África,
para não ter inveja dele e não ter vergonha de afirmar: eu sou um
ser humano. AQUI
EU CONTO |
TAI CHI CHUAN - O Caminho da Espiritualidade
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Após longos
anos ininterruptos de treinamento e pesquisa, em meu chalé no alto
de uma colina, onde te-nho meu próprio dojo (lugar reserva-do à prática
das artes marciais), no qual, durante a manhã, treino Tai Chi Chuan,
Pa Kua e Shien-I, para minha evolução espiritual, dos quais dez fo-ram
dedicados ao treinamento com o mestre chinês, Wu Chao Hsiang, di-retor
do Instituto de Cultura Chinesa -ICC, onde obtive minha pós-gradua-ção,
a quem deixo, nesta oportunida-de, meu agradecimento, resolvi escre-ver
este livro, cujo objetivo não é apre-sentar as técnicas e formas do
Tai Chi Chuan, mas sim, o de revelar o lado espiritual dessa arte
marcial, a sua essência, no sentido mais profundo.
Davi Wagner - (21) 99539265 |
Estranho é que sempre
acontece
Querendo ou não querendo, querer
Nas sombras de uma luz qualquer
A sombra sempre, apenas, da mulher
Mulher despida de ilusões
Por todos os sonhos, sem realizar
Viu morrer...
Despida até de saudades
Pois a realidade dela se afastou
Querendo ou não querendo, querer
A sombra apenas desta mulher
Por mais que tente não se transformará
Porque suas carnes insistem
Em querer transformar
Nos sonhos da ilusão de uma luz qualquer
Será, queira ou não queira, sempre sombras
Com luz ou sem Luz
Esta, ou qualquer outra mulher.
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Eu quero uma casa
Em um lugar tranqüilo
Em um lugar espaçoso
E muito bonito
Eu quero poder viver a vida
A mais bela
A mais comprida
A mais vivida
Eu quero poder ajudar a mãe natureza
Criando outras vidas
Para ser menos extinta
Enfim, quero poder ajudar o mundo
A partir de sonhos belos
E desejos profundos
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Maria Verônica
da Cruz Ferreira
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MPEBM
- MOVIMENTO PARA ELEIÇÕES BIANUAIS EM MARICÁ
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Após
minucioso levantamento, o Conselho Editorial deste Jornal achou por
bem, levantar a discussão quanto a periodicidade das eleições municipais
em Maricá.
Apesar de minuciosa, foi
a tarefa mais fácil realizada por nós do Conselho. Parecia férias
no Caribe, apesar de nunca termos estado por lá.
A empresa Mitsubich, oferece
garantia em seus televisores até a próxima Copa do Mundo, ou seja,
durante os até 1.460 (aproximados) dias que existem entre as Copas,
o consumidor tem como certo os serviço necessários para a manutenção
do seu televisor. Ao contrário da empresa, nosso vereadores e candidatos
ao cargo (em sua imensa maioria), apesar da coincidência do prazo
(4 anos), só prestam os serviços necessários ao desenvolvimento do
município e o bem estar dos munícipes, ao término do prazo. Obras,
festas e principalmente, muita filantropia (chamada por alguns de
"pilantropia"), acontecem em grande quantidade no município próximo
às eleições.
Um dos muitos exemplos encontramos
no bairro do Flamengo. Vereador, morador do bairro e tentando a reeleição,
resolveu manilhar a vala negra aberta e mantida pelos tantos governos,
que leva nossos dejetos diretos para a lagoa sem tratamento, com muita
pompa. Com todo o aparato disponível, inclusive carro de som, anunciando
em alto e bom som, ser aquela obra fruto de sua preocupação com os
moradores do local e, pasmem, totalmente paga com seu próprio dinheiro.
Trabalhadores, manilhas, maquinário e combustível, pagos de seu bolso.
Este fato nos lembrou inclusive a declaração do prefeito Luciano,
justificando o salário recebido de R$ 35 mil reais: "é para comprar
remédios para a população carente". São uns filantropos.
Imaginamos nós, em nossa inocência,
que nossos vereadores passam os 4 anos de mandato economizando trabalho
e salário, para, às vésperas das eleições, "doarem suor e trabalho
em prol da comunidade". Cestas básicas, caminhões de pó de pedra,
manilhas, tijolos e até mesmo operação de ligaduras gratuitas no Hospital
Azevedo Lima em Niterói (gratuita para a vítima, melhor, paciente,
pois o Estado é quem paga). Vale tudo pelo bem estar dos eleitores
de Maricá. Depois, é só esperar mais quatro anos. Até lá...
É pelo exposto acima, que queremos
abrir esta discussão, principalmente com aqueles que acreditam nestes
"benefícios". Vale a pena esperar por 4 anos? Por que não eleições
de 2 em 2 anos? Claro que, se assim for, um período de pelo menos
uns três meses de descanso, para nossos vereadores seria necessário.
Pois assim, evitaríamos que os mesmos ficassem estafados. |
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Sergio Mesquita
- Conselho editorial Outras Palavras
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Crônica:
Parecia que era Domingo!
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Parecia Domingo. Acho até que dois times
de importância disputavam uma final, no Estádio do Maracanã. Mas havia
um certo silêncio. O gol não havia acontecido. Existia sim, uma sensação
de nenhuma novidade, ou melhor, a certeza.
Acredito até que na vidinha medíocre, bastarda e pequena do mundo
daquela mulher do interior, sem muito conhecimento das coisas e dos
fatos, com muito sentimento, porem , como realmente o é com as pessoas
simples e sem a cultura , cobrada por nós mortais, o mundo dela era
tão pequeno, tão sem novidades, tão desprovido de atenção, afeto e....
principalmente: cumplicidade.
Também não havia ninguém para
ser cúmplice. O mundo dela era tão pequeno que mais parecia uma bola
de ping pong. Ou será que era de gude?
Os filhos, ausentes, talvez nem se lembrassem que ela estava mais
um Domingo solitária, se é que era Domingo... porque para ela aquele
dia era igual a todos os outros.
Descobrira a infidelidade do
marido, quer dizer ao longo dos anos , mais uma.
Como sempre, foi cruel , que ela emudeceu.
Ele, por sua vez, pensou com
seus botões, que: -“ até que enfim ela adquirira sensatez”
- apesar de ter notado que ela estava muito desesperada. Dizem , ele
detesta brigas e discussões... principalmente, quando são SEM MOTIVOS...
Ilusão. Ela é que achou melhor
, desta vez , silenciar. Fez poucas perguntas. Sabia , a outra parte
, a intrusa, seria poupada em todos os sentidos.Ela nunca iria ter
respostas para suas perguntas: Quem? Por que?
Espernear? Não tinha mais pernas
para isso; se maldizer? Já estava por demais maldita; chorar? Já não
haviam mais lágrimas;
Restou fazer o que ? Nada! Calar. Mas quem cala sofre em dose dupla
e no silêncio daquele Domingo ela ficou apenas aguardando o barulho
do gol que até então não havia acontecido.
Parecia que o dia era de Domingo.
O silêncio lá fora e dentro dela eram iguais e brigavam disputando
quem era MAIOR.
O marido, desleixado se deixou
cair de qualquer jeito na cama, sem tirar a colcha de retalhos, velha
e surrada, mas limpa – coisa que ela fazia questão - e na mesma
posição de muitos anos atrás , no meio da cama, dormia: e a forma
como roncava declarava que sonhava com a baixinha, magricela e feia
, de cabelos compridos.
Alguns até comentaram: “Nossa
eu é que não andaria com aquilo!”
Tenho que confessar que na santa
ignorância daquela mulher, uma coisa ela tinha certeza : predicados
são internos só os vêm os olhos do coração e ele há muito estava cego.
Quem sabe restou-lhes os olhos do coração?
Ela saiu do quarto, cerrou a
porta e sentou na antiga e também surrada e feia poltrona e pensou:
- A intrusa invadiu tudo! Retornar
aquele cama , só com muita lata de creolina, álcool e todo tipo de
desinfetante.
Parou de pensar bobagens. Mudou
de pensamentos. Se olhou no espelho quebrado num canto da sala e se
viu por dentro como nunca havia visto, pedacinho por pedacinho, osso
por osso. Seu fígado estava gordo, seu estômago enorme, seus rins
apertados, seus pulmões insistiam, cansadaos, em respirar e seu coração
com uma ferida maior do que ela própria, sangrava, sangrava muito.
Nesta visão bárbara, descobriu
que ainda restava alguma coisa.
Por fora, a sola do pé , preta
, comemorava também o seu próprio desleixo e abandono.
Não pensou duas vezes. Também
vai querer ter as mesmas experiências, mas a sola do pé não poderá
esta preta, escutou isso, lembra muito bem, num programa de TV.
Ninguém faz nada que não seja
bom! Deve ser bom!
Tem que descobrir.
Afinal, neste dia que parecia
que era Domingo, só restava recomeçar e por baixo.
Decidida a corrigir tudo, refazer tudo, recomeçar a sua vida, apanhou
um caco de telha, sentou no chão, perto da goiabeira e foi lixar as
solas dos pés, enquanto uma lágrima rolou traiçoeira de seu rosto,
tombou cambaleante ao chão, morta e seca como ela que, agora já não
importava se parecia ou não que era Domingo, se o gol tinha ou não
acontecido. O importante agora era lixar os pés.
No quarto, o marido virou para
o outro lado e adormeceu, até fugir, mais uma vez, não sabe ela, para
onde nem com quem. Mas, ela de uma coisa tinha certeza., irá sempre
lixar os pés, afinal ela escutou que isso é importante, num programa
de TV. |
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