Por conta de muitas colaborações recebidas, abrimos este espaço para divulgar um pouco mais a arte, a escrita e oratória de nosso povo maricaense.
Os títulos marcados com a florzinha ~@~ se referem a fatos, imagens, estórias e histórias de Maricá
CONTOS MARICAENSES
~@~
Adeus mímico Alexandro - Deyse Cruz
  A Fábula de Dona Ambição e Dona Inveja - Reginaldo da Sancal
~@~
Crise... que crise !!! - Deyse Cruz
  Crônica: Parecia que era Domingo! - Deyse Cruz
  É Genocídio ou não ? - Reginaldo da Sancal
  Falando de Amor - Reginaldo da Sancal       
  Gorilas na África - Deyse Cruz                         
~@~
MPEBM - Movimento Para Eleições Bianuais em Maricá - Sergio Mesquita
  O Imperador sabia das coisas.... - Deyse Cruz
  O Palhaço Excelência - Reginaldo da Sancal
~@~
O Trem da Saudade - José de Souza Soares
  Resgatando o Passado - Deyse Cruz
~@~
1° Concurso de Contos da ACLM/MARICAJÁ
  ...
Discursos
~@~
Discurso de Deyse Cruz em sua posse na Academia de Ciências e Letras de Maricá
  ...
Fotografias
~@~
Fotos do cação pescado em Out/2001 em Itaipuaçu - Leda Florez
~@~
Fotos de Jan/ 2000 em Itaipuaçú - Joelma Castro
  ...
Humor
~@~
O bom humor de nosso povo - Frases e histórinhas
~@~
Primeiro de Abril... - 2001
~@~
O QUE É, O QUE É ?? 1° de Abril 2002
~@~
"Primeiros" de Abril (2003 e 2004)
~@~
1º de Abril e bicicletas (2005)
~@~
Morador de Maricá vence concurso de fantasia da LIGHT (2006)
  ...
Poesias e Poemas Ilustrados
~@~
Uma Rara Natureza - José de Souza Soares
~@~
Parabéns, Maricá ... - Moira
  ...
Poesias e Poemas
~@~
A Lagoa - José de Souza Soares
~@~
Araçatiba - José de Souza Soares
~@~
Desejos - Maria Verônica da Cruz Ferreira
~@~
Sombras - Deyse Cruz
~@~
Tardio Despertar - Marilena Aguiar Mota - Vencedora de Concurso do IBGE
~@~
Uma lembrança... uma saudade... - Deyse Cruz
~@~
I Concurso de Poesias Professor Miguel Vieira da Silva (2006) NOVO !
  ...
~Resumos de livros
  A Magia da Loucura - Prof. Gavinho
~@~
Jacintho Luiz Caetano, 100 anos de história - de Mª. do Amparo Caetano # resumido por Deyse Cruz
  Tai Chi Chuan - O Caminho da Espiritualidade - Davi Wagner 
~~~~~~~~~~~@~~~~~~~~~~~~~
   
Adeus mímico Alexandro
                 Alexandro Silva de Oliveira foi uma dessas poucas pessoas que a gente conhece, gosta e não esquece mais. Gentil, educado a acima de tudo sempre muito carinhoso soube cativar minha amizade para sempre. Tudo que fazia era com dedicação e muito conhecimento da arte que praticava. Ele acreditava que, um dia, haveria uma integração total entre os povos de modo que a sociedade dê a importância devida à ARTE e a CULTURA. Convidado pela Cia. Mímicos Brasil Artes, fizeram juntos alguns trabalhos, pesquisas e estudos sobre o crescimento da mímica no Brasil. No primeiro evento que realizei no Condomínio Sítio Santa Paula, Alexandro encantou com suas mágicas e mímicas, todas as crianças que, até hoje, não esquecem a mímica do coração pulsando forte e voando bem alto. Na primeira entrevista exclusiva para o "A TOCHA", que saiu na nossa edição nº 5 de set/out de 1996, passamos uma manhã na Lagoa de Araçatiba; tiramos muitas fotos e no bate papo descontraído contou-me fatos interessantes de sua vida, de seu trabalho e de seus sonhos. Naquele dia também, com ele, aprendi a usar a frase de Charles Chaplin: "Sorria, sorria! porque um dia sem sorrir é um dia perdido". Amiguinho Alex esteja certo que sempre que lembrar de você meu coração pulsará forte, cheio de amor e de boas lembranças dos tempos em que Deus permitiu ter a sua maravilhosa e carinhosa presença. Eu e as crianças de Santa Paula e todas as que você alegrou com a sua arte, o amaremos sempre e garantimos depois que o conhecemos: nosso dia nunca mais foi perdido. Até breve!
                                                                              Deyse Cruz ...
 
A Fábula de Dona Ambição e Dona Inveja
De autoria desconhecida, pelo menos para mim, esta Fábula me foi contada por um dileto amigo. Reparto-a com vocês, pelo ensinamento que nos dá. Aí está a História :
Dona Inveja invejava loucamente Dona Ambição. Se esta tinha um cavalo, ela queria dois.Se tinha uma vaca, ela logo desejava duas. E assim por diante. E por isso sofria muito intimamente. Vendo isso, Deus chamou-a e disse-lhe :
-Dona Inveja, vejo seu sofrimento. Tudo que a senhora pedir para os outros, dar-lhe-ei em dobro. Peça-me o que quiser. Dona Inveja querendo tão só prejudicar Dona Ambição, pediu : Quero que o senhor cegue um olho de Dona Ambição. Deus de pronto atendeu, só que também cegou-lhe os dois olhos. É que na sua louca inveja, esquecera-se ela da promessa de Deus em dar-lhe o dobro, tudo que pedisse para os outros.
O invejoso é assim. Na sua mente perversa, não lhe passa pela cabeça que o mal que deseja aos outros, cairá em dobro sobre ele. Você mesmo deve conhecer algum deles. O mundo está cheio desses tipos. Reflita bem sobre esta fábula. Tire suas lições. Ambição demais também cega.
                                                                                       Reginaldo da Sancal
 
 
Crise... que crise !!!
       Todos falam em crise! Ora, estamos em crise sempre, por um motivo ou outro, em crise. Os motivos, na maioria, desconhecidos, ou melhor, não entendidos, por muitas pessoas. Nós, da imprensa, em especial os proprietários de jornais do interior que levam para todos, cada um dentro de sua linha jornalística, tudo o que acontece em nossa cidade, sentimos realmente a famosa "crise". É desolador quando ouvimos um empresário dizer que anunciou em um dos grandes jornais do Rio e não pôde anunciar nos jornais de sua cidade. Acredita ele que, deste modo, irá aliviar a crise e/ou aumentar as suas vendas ou a sua clientela. A realidade é que por causa da dita "crise", em nosso município uma boa parte da população deixou de comprar jornais (é só confirmar com o distribuidor a quantidade dos jornais que chegam até Maricá, ou melhor, retornam) e passaram a ler com mais assiduidade os jornais locais que são distribuídos (com muito trabalho), mas inteiramente grátis. Ao investirem abrindo algum tipo de atividade, pensam em tudo; no ponto, na decoração e esquecem do Marketing e argumentam, quando o procuramos: - "gastei tudo na obra, na decoração, no abastecimento e não tenho dinheiro para investir em anúncios ou promover eventos esportivos ou culturais...". Temos que concordar: o inexperiente empresário pensou em tudo...menos no principal. Sim, principal pois todos, ou melhor, quase todos sabem que grandes empresas investem milhões para manterem em competitividade seus produtos (Coca-cola – Brahma são algumas delas) e manterem sua marca em evidência é fundamental. Recentemente ao assistir a missa dominical na Paróquia do Preciosíssimo Sangue de Cristo, na Tijuca, observei que o impresso destinado ao acompanhamento da Missa, continha no rodapé da página três, os seguintes dizeres: "Por que a SENDAS ama quem faz, todos os funcionários do Grupo recebem alimentação gratuita durante o horário de trabalho, com cardápio variado, balanceado e orientado por uma equipe de nutricionistas". Na saída, algumas senhoras comentavam felizes, que estavam fazendo suas compras na Sendas. Tenho certeza, o apoio da Sendas não teve como objetivo aumentar as suas vendas e sim contribuir para uma maior tiragem do manual de missa. Indiretamente, porém, conseguiu também fazer um novo círculo de leais clientes. Estou citando este fato não só como exemplo, como também, para que todos notem na mensagem da Sendas a expressão "... ama quem faz..."- palavras sinceras, verdadeiras e de grande poder pois somente quem ama quem faz, pode vencer, com Deus, todas as crises. Amigo empresário, experiente ou inexperiente, experimente anunciar seus produtos, prestigie os jornais locais, as emissoras de rádio, a internete, os eventos de sua cidade e principalmente "ame quem faz" pois tudo o que fazemos é com muito amor. Tenha certeza, você também, será um vencedor, em todos os sentidos, como o grande empresário: Sr. Arthur Sendas.
AQUI EU CONTO – Edição nº 29 do Jornal A TOCHA Esporte e Cultura
 
 
O Imperador sabia das coisas....
         Todos vão achar que estou repetitiva com o assunto referente à necessidade de que haja um maior interesse por parte dos empresários e comerciantes de nossa cidade no sentido de investirem em anúncios de seus produtos e também em especial no Marketing Cultural e Esportivo. Porém a historinha que vou narrar é muito interessante e vem a calhar com a fase que todos estamos passando, quero dizer a CRISE. "D. Clemência, mulher de Monsieur Saisset, dono de prestigiosa loja de tecidos, muito bem situada na atual Rua do Ouvidor, estava sofrendo constantes assédios e galanteios do Imperador D. Pedro I. De olho na bela ruiva, o Imperador arquiteta uma trama maquiavélica. Encomenda a troca de cortinas das janelas do Palácio da Boa Vista (que não mais precisava). M. Saisset não sai mais de lá, super ocupado com medições e etc... Um dia, porém voltou para a casa mais cedo e encontra D. Pedro em sua cama, completamente despido e com sua mulher. Madame veste-se e vem correndo dar as explicações e disse: Querido! O Imperador viera encomendar novo pedido, mas... levou um tombo ao descer do cavalo. Machucou o joelho estou fazendo uma massagem nele – explicou-se. Pois continue, minha filha – recomendou o comerciante, que achou mais conveniente dormir com a criadagem naquela noite. Na manhã seguinte, antes de o visitante sair, M. Saisset pendurou uma tabuleta na porta de seu estabelecimento, fazendo aquele marketing: "ESTA CASA FORNECE AO NOSSO IMPERADOR" É quase certo que nenhum Imperador está visitando sua casa, ( espero!) mas... que tal anunciar seus produtos, não como M. Saisset, numa tabuleta, mas, nos jornais locais, nas emissoras de rádio e ...na Internet? Bons anúncios! Bons negócios! Deyse Cruz..
Aqui Eu Conto da edição Nº 30 do Jornal A TOCHA Esporte e Cultura
 
Discurso de Deyse Cruz na Academia de Ciências e Letras de Maricá
Maricá, 16 de maio de 2000
Discurso quando da Posse de Deyse Cruz na cadeira nº 38 de Olegário Marianno, na Academia de Ciências e Letras de Maricá que aconteceu no dia 13 de maio de 2000 no Auditório da Prefeitura Municipal de Maricá.
Excelentíssimo Sr. Secretario de Administração, Maurício Martins, representando o Prefeito de Maricá, Dr. Luciano Rangel, excelentíssima Sra. Presidenta da Academia de Ciências e Letras de Maricá, Dra. Tais Imar Vieira da Silva, Excelentíssimos acadêmicos e confrades, prezados amigos, é muito fácil antes de qualquer solenidade traçar algumas palavras iniciando algum discurso, com algumas daquelas conhecidas frases iniciais : em primeiro lugar.... é com imensa satisfação.... quero deixar registrado.... depois de pensar bastante e analisar a importância deste momento, cheguei a conclusão que , por ser tão especial, permitam-me todos os presentes que eu transmita minha alegria e emoção, única ,exclusivamente e apenas com o meu coração, que eu deixe as palavras para os escritores, para os poetas. É meu desejo, guardar na memória este momento para sempre. Tenham certeza todos estarão todos no meu coração eternamente.. Agradeço a Deus ter sido merecedora de tão honrosa indicação, jamais poderia imaginar que alguns escritos entre contos, poemas e o Jornal pudessem contribuir para tão importante prêmio. Somente a minha professora do primário e grande incentivadora D.Sarah, com sua sagacidade e sabedoria poderia ter adivinhado este momento ao premiar um de meus escritos - uma redação sobre dois gatinhos, quando tinha eu apenas 8 anos e comentou: " pena que não estarei viva para vê-la um dia na academia": Naquele momento, na inocência de meus oito anos, não entendi o que ela estava dizendo. Prezada Sara, querida e saudosa professora ,como ninguém você soube me guiar e conduzir e com seus fabulosos métodos de ensino, contribuiu de maneira sem igual , para que eu tenha aprimorado o Dom que Deus me presenteou, de escrever. Tenho certeza você esta assistindo este momento. Este prêmio é seu ,este prêmio é de meus pais que com carinho e perseverança jamais desistiram de me oferecer o melhor, este prêmio pertence aos meus filhos, Eunice, Rita de Cássia, Tarcis, Dax e Maria Verônica, este prêmio pertence aos meus netos: Tiago, Mateus, Gabriela, Nicole e Mariana , fontes constantes de motivos para escrever e para viver com alegria e entusiasmo. Este prêmio é dos amigos e incentivadores.. A presidenta da Academia de Ciências e Letras de Maricá, minha querida amiga e madrinha, ; que bom que você existe! Que bom que você ama e se dedica com tanto entusiasmo a Academia de Ciências e Letras de Maricá! Que bom que você se preocupa com a Cultura da minha querida e amada Maricá, cidade que adotei e que tive o privilégio em 1999, no aniversário da cidade, receber da Vereadora Consuelo Duque o título de cidadã maricaense. Aos meus amigos acadêmicos e confrades um pedido: que possamos nos unir e fazer da nossa Academia uma entidade cultural , tão firme e inabalável como uma rocha. Que possamos , cada um , dentro de nossas possibilidades e conhecimento , contribuir para que não se esmoreça e que possamos , cada vez mais , representar a cultura de nosso município com garra e determinação. Aos nossos dirigentes um momento de reflexão, no sentido de que a Cultura seja vista com muito carinho e responsabilidade. Que possamos ter os nossos espaços para poder abraçar todas as atividades culturais de nossa cidade. Uma Casa de Cultura, um teatro. Tenho certeza, podemos, falta apenas o pontapé inicial que considero dado agora , neste momento. A partir desta data ,estaremos todos unidos num único ideal: a Academia de Ciências e Letras de Maricá, lutará e não medirá esforços , pela construção da Casa de Cultura de Maricá, com portas abertas para todas as atividades culturais de nossa cidade e dos visitantes. Que Deus nos abençoe e ele esteja sempre em primeiro lugar na vida de cada um de vocês e que, ao seu lado , possamos estar confiantes , felizes e sempre com muito entusiasmo porque os dias estão difíceis mais a fé , não apenas remove montanhas, mas também, nos deixa fortes, de pé e cheios de esperanças, para realizar, construir e sonhar como meu patrono, Olegário Marianno Carneiro da Cunha, o Poeta das Cigarras: As cigarras, na sombra, se calaram; As árvores no bosque farfalharam Na esperança de ouvi-las e de vê-las. Caiu de todo a noite quieta... Agora, O céu parece uma árvore sonora De cigarras cantando nas estrelas... Muito obrigada pela presença e boa sorte para todos..
 
"100 Anos de História"
Biografia de Jacintho Luiz Caetano - Maria do Amparo Caetano, uma dos doze filhos de Jacintho Luiz Caetano, lança em comemoração aos 50 anos de fundação da Viação Nossa Senhora do Amparo, livro com uma biografia de seu fundador, seu pai , que se estivesse vivo , estaria completando 100 anos.
Apegada as doces lembranças de uma infância e juventude onde a cozinha de sua casa foi uma peça muito importante no relacionamento de toda a família, Maria do Amparo, talvez guiada, por também, uma doce melancolia, de retalhos em retalhos, conseguiu numa linguagem tranqüila narrar a vida deste grande homem.
Possuidor de um diploma de valor sem igual, conhecedor profundo dos sentimentos e dos percalços da vida, soube como ninguém, manter unida sua família, transmitir conhecimentos a seus filhos e como ninguém ser um pioneiro desbravador do Município de Maricá.
Sua filha, nesta biografia, com muita sabedoria e perspicácia conta , em detalhes, as atividades comerciais de seu pai até chegar na história da empresa Viação Nossa Senhora do Amparo, fundada em 10 de maio de 1950.
No livro, com depoimentos de familiares e amigos, Maria do Amparo não esqueceu fatos inéditos e porque não dizer , pitorescos , de alguns segredos de família que enriquecem sobremodo esta obra literária, de valor inestimável.
Passamos algumas horas de uma linda manhã de sexta feira, conversando e chegamos à conclusão de que temos, com relação à cultura, objetivos em comum, tanto é que na leitura de um trecho de seu livro pude compreender, mais uma vez, os valores pessoais do indivíduo num todo em todos os sentidos.
Deduzi que: Jacinto Luiz Caetano nasceu com o Dom da sabedoria e, Dom é presente de Deus a pessoas muito especiais .
Sua filha, através desta obra, deixa exibir o " Dom literário " em contar, sem segredos : "100 Anos de História ".

      Acadêmica Deyse Cruz, Fundadora do Jornal A TOCHA e da Associação Esportiva A TOCHA
 
A Magia da Loucura
          A Magia da Loucura é um ensaio sobre a loucura e entra na sátira política, explica o início da humanidade, quando Eva seduziu Adão com a cumplicidade da cobra que trouxe, de contrabando, a maçã da Argentina. Faz uma reportagem bíblica, cobrindo o casuismo que resultou na crucificação de Cristo. Critica a lua de mel de FHC contra o povo, oferece um curso pra você ficar rico e analisa a invenção do dinheiro. O livro é mesmo uma loucura !
         Até Bill Clinton, personagem do livro, leu e mandou carta pro Gavinho, que será exibida pra quem duvidar.

                                     Prof. Gavinho - 637-4108
 
Uma lembrança... uma saudade....
 Havia um certo ar de estranheza ou será que era de tristeza
Não sei explicar
E nos olhos que choravam, de um jeito ou de outro
Cada um mostrava uma dor
E o morto indignado, piscando os olhos, se perguntava: onde estou?
Entre os presente, presente no choro, a vida
No semblante do próprio morto também , indignação.
Era como a realidade a buscar confirmação.
Morre quem parte?
Porque quem fica, garante, com certeza : que morre também.
                                                                          Deyse Cruz
 
O Palhaço Excelência
     Desde criança tenho fascinação por circo. Como não havia naquela época essa formidável máquina de fazer doidos (a TV), tudo para nós era encantamento. Éramos crianças alegres, despreocupadas, e felizes, vivendo nossa idade diferentemente das de hoje, amadurecidas precocemente, neurotizadas, desafeiçoadas, de convívio difícil em face da cultura eletrônica dos nossos dias, (daí as drogas). Vibrávamos uns com os outros com a chegada de um parque de diversões ou de um circo com seus refrões pelas ruas. Hoje tem espetáculo? Hoje tem marmelada? Creio que o meu deslumbramento tivesse seus motivos nas roupas multicoloridas e extravagantes dos palhaços, na intrepidez do trapezista, ou quem sabe, na afoiteza dos trajes sumários de suas rumbeiras, nada comum naqueles dias. Sei lá! Até quis ser um deles, não fosse a resistência da família, lá teria ido eu fazer o que? Talvez bilheteiro. Na adolescência até namorei uma acrobata. Daí ter conhecido o Palhaço Excelência, me acamaradei dele. Fora do picadeiro era um homem triste, amargo mesmo. Também pudera! Tinha perdido a mulher, trapezista num mal sucedido salto mortal, fazia poucos meses. Restou-lhe a filha de seus dezesseis anos, herdeira do trapézio da mãe. Falou-me das lágrimas disfarçadas, por baixo do alvaíde e, carmesim, enquanto fazia a platéia sorrir. Vontade de sumir. Certo dia perguntei-lhe a razão do nome excelência. Respondeu-me secamente: - Se em todo o mundo existem tantas excelências palhaços, porque eu não posso ser o palhaço excelência? Adolescente, não entendi o significado da resposta. Hoje mais que entendo. Uma ou dois exemplos aqui entre nós. Ainda pouco tivemos um presidente exibicionista e bufão que todas as sextas-feiras descia a rampa do Palácio do Planalto seguido dos seus acólitos ou de alguns ingênuos e desavisados populares, e algumas vezes, usando criancinhas. Era um espetáculo ridículo e burlesco, a que a imprensa sabuja, bajuladora e comensal chamava de: "cerimônia da descida da rampa". Que cerimônia ! Outras vezes no seu "cooper" matinal levava debaixo do braço um livro em evidência, título à mostra, para mostrar sua cultura axilar. Que ridículo ! Que comédia ! Que pulha ! Veja só como o tratamento excelência está tão o vulgarizado entre nós, que ate na reunião de condomínio um condômino dirigindo-se ao Presidente da mesa. Chamou de V. Excelência. Não me contive, dei uma formidável e mal-educada gargalhada, para espanto de todos. Foi aí que me lembrei com saudade do palhaço excelência de há muito esquecido. Prepare-se para rir. O circo continua armado com seus festivais de besteróis. Ligue a TV, leia os jornais, e lá encontrará alguma excelência, dando entrevista com suas baboseiras e idiotices ditas e suas poses de paspalho. Pior ainda. Agosto e Setembro vem aí, com os candidatos à excelência, com sua histrionices, suas gesticulações, seus trejeitos. Há gosto para todos. E coitados de nós, os pategos, continuamos a bater palmas e acreditando neles.
 
TARDIO DESPERTAR


Meu irmão,
Sensível e imaturo
Era qual ave desgarrada
À mercê dos descaminhos,
Dos mestres nas ruas,
Da força irresistível do modismo.
Ignorando, uma outra face do viver,
Desde a infância,
- Dependente -
Cativo nos grilhões do Sistema,
Rumo inocente,
Fuga inconsciente,
Medo de encarar
Os absurdos da vida,
Da vida tão breve,
Interrompendo os sonhos,
Sonhos assassinados na estrada.

Perdoa-me, irmão do descaso
E da indiferença,
Pelo seu silêncio
E por tudo que silenciei:
Na ternura de uma simples mão estendida;
No fraterno ombro;
No peito aberto à palavra amiga.
A porta da saída
Era um soluço compartilhado
Que não vi e nunca abracei.

Perdoa-me o despertar
Só no sangue derramado,
Pela química e solitária cruz
De sua jornada,
Pelo inútil tempo
Que não retorna mais,
Resgatando a vida,
A inútil saudade,
Sem despedida,
Sem volta
E sem esperança.
Perdoa-me até pela lembrança...
Tarde demais.

 
Falando de Amor
Já que somos do século que está a terminar, A-I-N-D-A podemos falar de amor. Pensando nisso e como conversa puxa conversa, lembrei-me que quando jovem, freqüentei, num beco encardido da Praça Mauá, o bar de um tal Serafim, português do Porto. Era um barzinho, um pé sujo - como se dizia na época - mas era diferente dos demais. Era um bar com alma. Seu dono, longe de gostar de Fado e ser Vascaíno, era Flamenguista de carteirinha e gostava mesmo era das músicas de Cartola, Jamelão, Ataulfo Alves, Altemar Dutra, Francisco Alves, Maísa, Elisete Cardoso, Dolores Duran, etc. Olhando assim, nada de especial havia ali, há não ser as esquisitices do Serafim e uma velha vitrola onde ele colocava seus discos de setenta e oito rotações que falavam de amor, de paixões, dor de cotovelo e traições. Talvez por isso mesmo é que ali se reuniam, todas as noites, homens e mulheres com suas histórias de amores, desamores, desilusões vividas e sofridas. Ouvíamos, em silêncio, a história de cada um, sem conselhos, sem consolos, sem solidariedades, já que todos nós sofríamos do mesmo mal .Tampouco éramos boêmios. Formávamos, isso sim, uma santa confraria de pessoas, amadas, desamadas e até malamadas, curtindo um amor presente, passado ou mesmo a ansiedade de um de todo impossível. E assim ficávamos horas e mais horas, entre um copo e outro de cerveja, ou um gole de conhaque barato, matutando sobre as complicações do amor. Naquele tempo havia romantismo, morria-se de e por amor. Matava-se até. Namorávamos, não apenas ficávamos como hoje. Não havia namoros virtuais, navegados nas telas frias, insensíveis, e ausentes, sem rostos; dos computadores (Graças a Deus nem havia estes monstros). Nosso amor, tinha corpo e alma, endereço certo, estava ali num bairro próximo ou num subúrbio distante, de braços abertos, peito arfando de desejo, contido ou incontido, cama limpa e perfumada a nos esperar. Verdadeiro ou não, pouco importava, o vivíamos com intensidade, com sofreguidão, com loucura, nos momentos furtivos e possíveis. Apenas amávamos. E em se tratando de coisas de amor, tínhamos nossas extravagâncias, nossos ridículos, paixões, raivas e destemperos. Quem já amou, entende. A noite corria solta, tal criança, como soltos corriam nossos pensamentos, embalados pelas canções de amor da velha vitrola, entre um trago e outro, em busca da mulher amada e desejada. E as madrugadas, as vezes frias, nos encontravam, falando tão só de amor, que para nós era - e só entendíamos assim -: pele na pele, corpo no corpo, olhos nos olhos, boca na boca, desejos, sussurros, suspiros, juras, buscas, encontros, desencontros; certezas, incertezas, dar-se, receber, queixumes, ciúmes, brigas, reconciliações, sonhos, realidades, alegrias, tristezas, sorrisos, lágrimas, enfim todas as contradições que a vida nos oferece. Só os amargos e os de corações bandoleiros não entendem disso.
 
RESGATANDO O PASSADO
Todos temos histórias para contar, principalmente se os anos que passaram já somam em torno dos cinqüenta. Meu pai faleceu há apenas 11 meses e tenho fixo na memória o seu sorriso e a sua famosa pergunta: - "filha diga-me se já lhe contei esta?" E narrava uma longa história. Em todos os anos de contador de "histórias e casos" nunca repetiu nenhuma . Tinha sempre algo novo e bastante curioso. Todas eram sempre muito interessantes: fatos pitorescos de sua vida, acontecimentos, viagens e até aquela terrível "simpatia" ensinada por uma velha conhecida , que teve que fazer num cruzamento ao meio dia em pleno Rio de Janeiro para jogar um vidrinho , onde dentro ele havia colocado um casal de pulgas ( até morrer ele não sabia se eram realmente duas fêmeas ou ... dois machos ) , para acabar com uma epidemia de pulgas em nossa casa. Na hora de falar as sábias e indispensáveis palavras , no meio do cruzamento de ruas super movimentadas, ao ver vir em sua direção um ônibus Irajá Castelo , ao invés de proferir: Pulgas Pulguinhas viemos passear vocês pra ficar e eu pra voltar" se apavorou e gritou: "Pulgas, pulguinhas viemos passear eu pra ficar e vocês pra voltar". Coitado , quase foi atropelado! A simpatia é lógico não funcionou e as pulgas permaneceram ainda por muito tempo. E este fato permanecerá na minha lembrança, também... para sempre.               Deyse Cruz
 
GORILAS NA AFRICA,
DIFERENTE DOS HOMENS, O PATRIARCA PROTEGE, ORIENTA E GUIA SUA FAMILIA E POR ELA ATÉ MORRE!
Em recente programa, "O Globo Repórter" garantiu que pesquisadores confirmaram que existem, atualmente, na África, apenas 600 gorilas. Foi citado que de 10 animais capturados, apenas um sobrevive. Eles morrem por estarem fora de seu habitat e também porque são maltratados. Na selva, o patriarca, normalmente o macho de costas cinza, tem o dever e a responsabilidade de cuidar de sua família, O patriarca protege, orienta e guia sua família que a segue segura e protegida. Para defender sua fêmea e filhos o patriarca é capaz de lutar ou enfrentar qualquer obstáculo, até a morte. Em pleno final do séc. XX descubro que nós, que somos chamados "humanos" , nada sabemos sobre deveres e responsabilidades; o que os "humanos" não sabem manter, os gorilas nos dão uma lição de muita integridade, sensibilidade, conhecimento e sabedoria. O que assistimos, cada vez mais, são as pessoas sendo tratadas como objeto, tendo valor ou sendo melhor tratadas, pelo cargo que ocupam, pela faculdade que cursaram; as famílias se desintegrando, definhando, sozinhas, abandonadas e trazendo em conseqüência destas atitudes: filhos ansiosos, inseguros, sem perspectivas, com medo e que buscam nas drogas e nas más companhias o preenchimento de um vazio que nem eles sabem o porque. Neste pequeno espaço, invoco aos PATRIARCAS de todas as famílias que tentem seguir o exemplo dos gorilas: amar seus filhos, sua família, defende-los e protege-los e quem sabe se tornarem um gigante gorila da África, para não ter inveja dele e não ter vergonha de afirmar: eu sou um ser humano.                                            AQUI EU CONTO
 
TAI CHI CHUAN - O Caminho da Espiritualidade
Após longos anos ininterruptos de treinamento e pesquisa, em meu chalé no alto de uma colina, onde te-nho meu próprio dojo (lugar reserva-do à prática das artes marciais), no qual, durante a manhã, treino Tai Chi Chuan, Pa Kua e Shien-I, para minha evolução espiritual, dos quais dez fo-ram dedicados ao treinamento com o mestre chinês, Wu Chao Hsiang, di-retor do Instituto de Cultura Chinesa -ICC, onde obtive minha pós-gradua-ção, a quem deixo, nesta oportunida-de, meu agradecimento, resolvi escre-ver este livro, cujo objetivo não é apre-sentar as técnicas e formas do Tai Chi Chuan, mas sim, o de revelar o lado espiritual dessa arte marcial, a sua essência, no sentido mais profundo.
                                            Davi Wagner - (21) 99539265
 
Sombras

Estranho é que sempre acontece
Querendo ou não querendo, querer
Nas sombras de uma luz qualquer
A sombra sempre, apenas, da mulher

Mulher despida de ilusões
Por todos os sonhos, sem realizar
Viu morrer...
Despida até de saudades
Pois a realidade dela se afastou
Querendo ou não querendo, querer

A sombra apenas desta mulher
Por mais que tente não se transformará
Porque suas carnes insistem
Em querer transformar
Nos sonhos da ilusão de uma luz qualquer
Será, queira ou não queira, sempre sombras
Com luz ou sem Luz
Esta, ou qualquer outra mulher.

Deyse Cruz                  
 
DESEJOS

Eu quero uma casa
Em um lugar tranqüilo
Em um lugar espaçoso
E muito bonito

Eu quero poder viver a vida
A mais bela
A mais comprida
A mais vivida

Eu quero poder ajudar a mãe natureza
Criando outras vidas
Para ser menos extinta

Enfim, quero poder ajudar o mundo
A partir de sonhos belos
E desejos profundos

Maria Verônica da Cruz Ferreira
 
MPEBM - MOVIMENTO PARA ELEIÇÕES BIANUAIS EM MARICÁ
       Após minucioso levantamento, o Conselho Editorial deste Jornal achou por bem, levantar a discussão quanto a periodicidade das eleições municipais em Maricá.
       Apesar de minuciosa, foi a tarefa mais fácil realizada por nós do Conselho. Parecia férias no Caribe, apesar de nunca termos estado por lá.
       A empresa Mitsubich, oferece garantia em seus televisores até a próxima Copa do Mundo, ou seja, durante os até 1.460 (aproximados) dias que existem entre as Copas, o consumidor tem como certo os serviço necessários para a manutenção do seu televisor. Ao contrário da empresa, nosso vereadores e candidatos ao cargo (em sua imensa maioria), apesar da coincidência do prazo (4 anos), só prestam os serviços necessários ao desenvolvimento do município e o bem estar dos munícipes, ao término do prazo. Obras, festas e principalmente, muita filantropia (chamada por alguns de "pilantropia"), acontecem em grande quantidade no município próximo às eleições.
       Um dos muitos exemplos encontramos no bairro do Flamengo. Vereador, morador do bairro e tentando a reeleição, resolveu manilhar a vala negra aberta e mantida pelos tantos governos, que leva nossos dejetos diretos para a lagoa sem tratamento, com muita pompa. Com todo o aparato disponível, inclusive carro de som, anunciando em alto e bom som, ser aquela obra fruto de sua preocupação com os moradores do local e, pasmem, totalmente paga com seu próprio dinheiro. Trabalhadores, manilhas, maquinário e combustível, pagos de seu bolso. Este fato nos lembrou inclusive a declaração do prefeito Luciano, justificando o salário recebido de R$ 35 mil reais: "é para comprar remédios para a população carente". São uns filantropos.
       Imaginamos nós, em nossa inocência, que nossos vereadores passam os 4 anos de mandato economizando trabalho e salário, para, às vésperas das eleições, "doarem suor e trabalho em prol da comunidade". Cestas básicas, caminhões de pó de pedra, manilhas, tijolos e até mesmo operação de ligaduras gratuitas no Hospital Azevedo Lima em Niterói (gratuita para a vítima, melhor, paciente, pois o Estado é quem paga). Vale tudo pelo bem estar dos eleitores de Maricá. Depois, é só esperar mais quatro anos. Até lá...
       É pelo exposto acima, que queremos abrir esta discussão, principalmente com aqueles que acreditam nestes "benefícios". Vale a pena esperar por 4 anos? Por que não eleições de 2 em 2 anos? Claro que, se assim for, um período de pelo menos uns três meses de descanso, para nossos vereadores seria necessário. Pois assim, evitaríamos que os mesmos ficassem estafados.
Sergio Mesquita - Conselho editorial Outras Palavras
 
Crônica: Parecia que era Domingo!
       Parecia Domingo. Acho até que dois times de importância disputavam uma final, no Estádio do Maracanã. Mas havia um certo silêncio. O gol não havia acontecido. Existia sim, uma sensação de nenhuma novidade, ou melhor, a certeza.
Acredito até que na vidinha medíocre, bastarda e pequena do mundo daquela mulher do interior, sem muito conhecimento das coisas e dos fatos, com muito sentimento, porem , como realmente o é com as pessoas simples e sem a cultura , cobrada por nós mortais, o mundo dela era tão pequeno, tão sem novidades, tão desprovido de atenção, afeto e.... principalmente: cumplicidade.
       Também não havia ninguém para ser cúmplice. O mundo dela era tão pequeno que mais parecia uma bola de ping pong. Ou será que era de gude?
Os filhos, ausentes, talvez nem se lembrassem que ela estava mais um Domingo solitária, se é que era Domingo... porque para ela aquele dia era igual a todos os outros.
       Descobrira a infidelidade do marido, quer dizer ao longo dos anos , mais uma.
Como sempre, foi cruel , que ela emudeceu.
       Ele, por sua vez, pensou com seus botões, que: -“ até que enfim ela adquirira sensatez” - apesar de ter notado que ela estava muito desesperada. Dizem , ele detesta brigas e discussões... principalmente, quando são SEM MOTIVOS...
       Ilusão. Ela é que achou melhor , desta vez , silenciar. Fez poucas perguntas. Sabia , a outra parte , a intrusa, seria poupada em todos os sentidos.Ela nunca iria ter respostas para suas perguntas: Quem? Por que?
       Espernear? Não tinha mais pernas para isso; se maldizer? Já estava por demais maldita; chorar? Já não haviam mais lágrimas;
Restou fazer o que ? Nada! Calar. Mas quem cala sofre em dose dupla e no silêncio daquele Domingo ela ficou apenas aguardando o barulho do gol que até então não havia acontecido.
       Parecia que o dia era de Domingo. O silêncio lá fora e dentro dela eram iguais e brigavam disputando quem era MAIOR.
       O marido, desleixado se deixou cair de qualquer jeito na cama, sem tirar a colcha de retalhos, velha e surrada, mas limpa – coisa que ela fazia questão - e na mesma posição de muitos anos atrás , no meio da cama, dormia: e a forma como roncava declarava que sonhava com a baixinha, magricela e feia , de cabelos compridos.
       Alguns até comentaram: “Nossa eu é que não andaria com aquilo!”
       Tenho que confessar que na santa ignorância daquela mulher, uma coisa ela tinha certeza : predicados são internos só os vêm os olhos do coração e ele há muito estava cego. Quem sabe restou-lhes os olhos do coração?
       Ela saiu do quarto, cerrou a porta e sentou na antiga e também surrada e feia poltrona e pensou:
       - A intrusa invadiu tudo! Retornar aquele cama , só com muita lata de creolina, álcool e todo tipo de desinfetante.
       Parou de pensar bobagens. Mudou de pensamentos. Se olhou no espelho quebrado num canto da sala e se viu por dentro como nunca havia visto, pedacinho por pedacinho, osso por osso. Seu fígado estava gordo, seu estômago enorme, seus rins apertados, seus pulmões insistiam, cansadaos, em respirar e seu coração com uma ferida maior do que ela própria, sangrava, sangrava muito.
       Nesta visão bárbara, descobriu que ainda restava alguma coisa.
       Por fora, a sola do pé , preta , comemorava também o seu próprio desleixo e abandono.
       Não pensou duas vezes. Também vai querer ter as mesmas experiências, mas a sola do pé não poderá esta preta, escutou isso, lembra muito bem, num programa de TV.
       Ninguém faz nada que não seja bom! Deve ser bom!
       Tem que descobrir.
       Afinal, neste dia que parecia que era Domingo, só restava recomeçar e por baixo.
Decidida a corrigir tudo, refazer tudo, recomeçar a sua vida, apanhou um caco de telha, sentou no chão, perto da goiabeira e foi lixar as solas dos pés, enquanto uma lágrima rolou traiçoeira de seu rosto, tombou cambaleante ao chão, morta e seca como ela que, agora já não importava se parecia ou não que era Domingo, se o gol tinha ou não acontecido. O importante agora era lixar os pés.
       No quarto, o marido virou para o outro lado e adormeceu, até fugir, mais uma vez, não sabe ela, para onde nem com quem. Mas, ela de uma coisa tinha certeza., irá sempre lixar os pés, afinal ela escutou que isso é importante, num programa de TV.
11/11/95 Deyse Cruz