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Numa
maratona que começa dentro da prefeitura, tentando-se localizar
onde fica a pessoa que autoriza as exumações, e passa
por todos os guiches do andar térreo dela, para um pagamento
pela exumação de quase R$ 142,00 mais o pagamento
de quase R$ 47,00 para poder retirar os ossos do cemitério,
caso queira levar eles para outro local, consegue-se assim um comprovante
para poder enfim proceder a exumação.
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Quem
passa pela provação de enterrar um ente querido, junto
com todos os procedimentos legais para o enterro dele, sofre essa
burocracia maluca três anos depois caso não tenha utilizado
um jazigo próprio, pois cumpre proceder uma rotina, que diz
respeito à liberar para outro, a cova ou gaveta alugada para
guardar os restos do falecido.
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É aí nessa parte que entra o profissional para fazer
o serviço: o coveiro, o homem que trabalha de segunda a segunda,
sem feriados.
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Num
Sol de quase 40 graus, começa a escavação para
recolher os ossos do finado. A terra endurecida pelos três
anos, briga forte contra a pá. A exumação é
interrompida pela necessidade do coveiro ir fechar uma cova de um
enterro que acontecia nesse mesmo horário.
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Uma
caixa de fibra apropriada para guardar os ossos é comprada
na funerária, por um valor entre 40 ou 45 Reais.
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Com a volta do coveiro,
a exumação recomeça, e enfim, depois de aproximadamente
uma hora de muita briga contra o chão duro, e à +/-
1 metro de profundidade, o caixão é alcançado.
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Retira-se
os pedaços agora podres dos paus que compõem o caixão,
os restos secos de flores e adornos, e o coveiro, se utilizando
agora de uma luva de borracha, procede à um teste com o corpo,
verificando os intestinos, para saber se já pode ser retirado
da terra.
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Antes dessa exumação,
outras três já haviam sido feitas nessa manhã,
mas em duas delas, depois dessa trabalheira braba ao Sol forte para
alcançar o corpo, dois não se encontravam em condições
de ser retirados, e suas covas foram novamente fechadas.
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Após a constatação de que já se encontrava
em condições de ser retirado, os restos do corpo vão
sendo acomodados na caixinha de fibra, e logo estão prontos
para serem levados para outro local.
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Para
aqueles que após os três anos do enterro, não
dispõem de alguém que possa pagar os 181,00 Reais,
referentes à exumação e a compra de uma caixinha,
os ossos são retirados, enfiados dentro de um saco azul comum
de lixo, etiquetado, e levados num carrinho de mão para um
ossário ao fundo do cemitério.
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Ao fim dessa
jornada, perguntamos ao coveiro, como ele aguentava fazer tudo
aquilo, ainda mais debaixo de um Sol quente como estava nesse
dia, por um salário de R$ 250,00 (valor ouvido na prefeitura,
quando recebemos a conta de 188,00 referentes à exumação
mais liberação, e que motivou a curiosidade sobre
qual seria então o salário do coveiro).
Resposta do
coveiro : "Quem dera ganhar 250. O salário é
151, e sem direitos, pois sou só contratado, e sem ganhar
nada pelo tempo que a gente acaba ficando aqui depois das 17:00hs
quando acaba o expediente, quebrando o galho pra alguma família,
esperando algum corpo chegar"
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