06/12/2001
FALA SERGIO MESQUITA IV
mesquita@redebrasil.tv.br

VIVE LA RÉPUBLIQUE
 
     Não lembro bem a data e nem vou pesquisar agora, portanto talvez a Revolução Francesa tenha acontecido um pouco antes ou depois, acho que no ano de 1789. A proclamação da nossa República foi em 1889, essa eu sei. Mas por que tudo isso, por que este título? Com certeza não é para comparar o nosso Rei(cardo) com o príncipe de Brasília, são poucas as coisas em comum entre eles. Mas em uma eles combinam, infelizmente, que é o desejo de ser o soberano único, sem essas coisas de deputados e vereadores que só atrapalham os seus governos. Por isso o título acima é para lembrá-los que a monarquia acabou há muito tempo na maioria dos países do mundo. Aqui, com certeza.
     Escrevo porque assisti ao vereador Adelson, na sessão de 04.12, comentar sobre a fala do nosso prefeito na Rádio Cultural. Segundo o vereador, o prefeito usou o microfone para menosprezar a Câmara e seus vereadores. Esquecendo ele que se não fossem nove dos vereadores a submeterem-se a sua vontade, estaria ele em maus lençóis. Nosso Rei usa um programa de Rádio para tentar desqualificar a Câmara e as denúncias apresentadas por minha pessoa, com argumentos no mínimo patéticos. Tentar justificar seus atos, perguntando aos ouvinte se não é bom o que ele está fazendo. É brincar com o povo! Deve acreditar ele que, sendo bom (pelo menos para ele) o que ele faz, não precisa de Lei para ditar-lhe os ritos necessários a sua implantação ou criação. Basta a sua vontade como acontecia “nos antigamente”, quando as monarquias predominavam no mundo. O Rei era o escolhido de Deus e ponto final. Nosso Rei(cardo), deve achar que por ter ligações com a igreja católica local é um Ministro da Eucaristia ou coisa parecida, também é um escolhido de Deus e sua vontade é a verdadeira Lei. As outras, são coisas dos homens, pessoas sem fé. Ora Prefeito, não é bem assim que a banda toca. Já nos basta o nosso governador dizer que tem a mão guiada por Deus. O coitado do bom velhinho já deve estar cansado dessa tal “In Nomine Dei”.
     Um bom conselho, seria deixar esta coisa de Deus, quieta. Dizem que falar em vão em seu nome, é pecado. Por isso Prefeito, quando for tratar das coisas dos homens na Terra, use as Leis dos homens. Você pode até basear-se nas coisas de Deus para guiá-lo espiritualmente, mas nas coisas materiais, não ignore as Leis dos homens. Ao contrário, valorize-as para não cometer pecados desnecessários. Aliás, vai um recado também, para o nosso pároco, Pd Manoel, que gosta (em seus sermões) de protegê-lo, por tratar-se de um homem de Deus (não erra e nem peca), e chamar de “impuros” aqueles que tentam lembrá-lo que existem outras Leis na Terra além das divinas. Na prática, por desconhecimento ou despreparo para a coisa pública, o nosso Prefeito deve achar que basta o seu julgamento para a aprovação de seus atos, fazendo-se desnecessário os limites e ritos da Lei.
     Estás enganado “oh! grande monarca”. As Leis existem exatamente para garantir as coisas boas e impedir as más. Por isso ela é discutida e votada onde de direito. Assim sendo, ela deixa de ser a expressão única da vontade única para, pelo menos na teoria, ser a expressão de um todo.
     As Leis existem para serem cumpridas. E seu descumprimento acarreta em consequências, na maioria das vezes nada agradáveis. Por isso, apesar de todas as manobras de seus subservientes vereadores, hoje existe uma CPI aprovada na Câmara para investigar as licitações de seu governo. Lá, iremos descobrir como uma única empresa consegue vencer licitações e vender ar condicionado, computador, material gráfico, alimentos, material de papelaria e material de limpeza, por exemplo. Descobrirmos também como são abastecidos os carros da Prefeitura, onde os dois postos que participaram da licitação, são reconhecidamente pela população como sendo do mesmo dono. Dono este que foi um dos apoiadores da sua campanha. Descobrirmos também, que por força de Lei, o poder estabelecido não pode privilegiar esta ou aquela religião, e qualquer convênio ou subvenção dependem de aprovação da Câmara para a sua assinatura. E muito mais coisas.
     Portanto Sr. Prefeito, independente das religiões existentes neste nosso sofrido mundo, existe um ditado que nos diz: “aqui se faz, aqui se paga”. As Leis existem para isso e, o senhor deveria ser o primeiro a saber.