|
- Arthur, Arthur, por onde você andou,
menino? Já lhe disse que você não pode ir brincar na rua, ouviu?
- Não fui na rua não, mãe. Estava
só ali....
- Ali, onde, Arthur? Você sabe, não
adianta mentir, mãe sabe tudo, tudo. Quando eu passo pelo portão,
os passarinhos que moram no pé de jabuticaba, me contam tudo.
- Sabe aquele passarinho preto e
branco que faz ninho lá? Ele falou: Arthur passou cedo por aqui,
ainda não voltou. O outro falou: Foi para o campinho, soltar pipa!
- Não acredito, mãe, passarinho
não fala!
- Fala sim, Arthur, e mãe sabe
falar língua de passarinho, entende tudo. Não pode brincar na rua.
Os pardais me disseram: foi pr´a lá, foi pr´a lá ! E voam na direção
do campinho.
Arthur sai
cabisbaixo, resmungando,” passarinhos safados”! Espera
a mãe esquecer, olha o céu, sua propriedade, não é êle , Arthur,
o Rei da pipa, Senhor inconteste do espaço aéreo de Itapeba, talvez
Maricá inteira? Não pode um rei se submeter à gracinhas de um passarinho
qualquer... Olha novamente o céu, duas pipas cruzam os ares em uma
batalha feroz. Um desafio que não pode ser ignorado! Observa
a mãe, ocupada na cozinha. Uma fugidinha só não pode fazer mal.
Seu reino está em perigo. Sai escondido, empunha a pipa, o rolo
de linha. Chega ao portão, joga a linha e a pipa por sobre o muro.
Volta-se e observa. No alto da árvore, duas viuvinhas constroem
seu ninho. Nosso herói fala em voz baixa, porém, ameaçadora:
- Olha aí, seus passarinhos “cagüetes”,
se falarem alguma coisa, acertarei uma pedra em vocês! Eu
sou Arthur, rei da pipa, dono deste espaço e vocês não são nada,
nada! Calem sua bocas senão vocês vão ver o que é bom, seus dedos
duros!
Dito e feito, empunha um punhado de pedras e
lança sobre as aves que voam assustadas.
Dado o recado, sai,
altaneiro nos seus sete anos de reinado, recolhe do chão a pipa
e a linha e parte rápido, rumo ao campinho, para mais uma batalha,
onde certamente será vitorioso. Este é Arthur, meu neto, meu herói,
Rei dos ares, filho do vento...
Fim
|