11/01/2012
Mensagem de Márcia Benevides Leal
CAMPO DE GOLFE EM JACONE/MARICÁ SOBRE LAGUNA E BLOQUEANDO UM CANAL NATURAL

Assunto: Faz tempo que nos ferem de todo jeito e nos enganam dizendo que não temos memória e esquecemos tudo. Até nos curatelam passando por cima do Parágrafo Único do Art. 1º da CF. Compareça a reunião no dia 12/1/2012 e escute o que não vai acontecer: progresso e desenvolvimento.

 

É próprio do ser humano adaptar-se as situações e se são situações de sofrimento extremo seria melhor esquecer para poder prosseguir vivendo. Mas, quem passou por desastres  rotulados de naturais e agora com a mudança climática para ajudar a empurrar a nossa real geografia para debaixo do tapete ficou mais fácil abafar. Ninguém esquece o que nunca lhe foi contado!

Não se tem mais como ser cordato e polido se o que se tem pedido desde 2008 em parte do Recôncavo da Guanabara é pela vida e já foram 234 óbitos por enchentes. Falamos da Região Serrana antes do evento em 11 de janeiro de 2011 e nada foi respondido.

No caso de Marica já se fala em reuniões, mas isso não bastou então fomos a Capital Federal e foram vinte viagens. Também fizemos procedimentos no RJ e em Marica e a indolência tem sido a tônica  das autoridades de Marica, do RJ e de BSB.

Não podemos dizer  o dia e nem a hora e nem o numero do mortos, mas quando acontecer  serão muitos e  todos os que receberam os alertas e denúncias deverão responder por isso.

 No dia 19 de agosto de 2010 tomamos conhecimento do assassinato da cidadã portuguesa ROSALINA da SILVA CARDOSO RIBEIRO cujo corpo foi jogado na RJ 118 e imediatamente passamos e-mail para o Delegado de Marica que na época era o Dr. Sergio Simões Caldas, pois já havia repassado material para ele sobre os procedimentos em BSB  e como acreditávamos que iriam resolver achamos por bem que o Delegado de Marica tivesse conhecimento.  Como o crime foi para a Delegacia de Homicídio no RJ pedi que conseguisse um horário para que pudéssemos  falar ao Delegado Dr. Ettore. Com os dias passaram resolvemos fazer diretamente e por e-mail devido à importância da situação. A vitima viveu com LUCIO THOME FETEIRA que conseguiu o inusitado de titular 72 km ² de terras em Marica sendo que a maior parte estavam sob as água lagunares.

Foram muitos e-mails passados a Delegacia e recebemos por e-mail do Dr. Etorre de que deveríamos procurar um inspetor encarregado o caso e que nada respondia até  que um dia perguntei e ele respondeu que eu dissesse a motivação e a autoria do crime. Então resolvi procurar o Juiz do caso em Saquarema, Dr. Iglezias, chegando lá fui informada sobre  o processo ter sido transferido  para Niterói e com outra numeração desde 30 de agosto de 2010 : achei muito esquisito.

Tudo o que era falado no inicio sobre o crime em palavras dos conhecidos desapareceu e em novembro decretaram a prisão de um advogado português se ele já estava na investigação por que demorar 18 meses para requerer uma prisão num país que nem extradita natural e pior ainda: cadê  o assunto dos terrenos e procuração falsas? Tudo dito pelos amigos da vitima.

Ainda se tem o fato de a ordem ter partido de uma Juíza de Araruama: era em Saquarema e foi transferido para Niterói e depois foi para Araruama passando direto por Saquarema. Não houve atenção ao CASO ROSALINA que é importante para todo o caso do sistema lagunar.

Como o estrangeiro titulou tantas terras e vizinhas num município de iniciado em 1815 como VILA, antes teve terras em REGIME DE SESMARIAS, depois se teve diversas fazendas. Sendo a primeira a Fazenda de São Bento de Marica com os Bentos chegando em 1635. Depois da expulsão dos Jesuítas a Fazenda que ia até a Lagoa de Saquarema recebeu as terras da Fazenda de Campos Novos dos Jesuítas e dessa forma ter titulado os 72 km² pode ser somente um parte da historia: por que na titulação se lê que a Fazenda de São Bento foi desmembrada da de Marica e não poderia se ela foi a primeira. Junto de toda essa Fazenda veio também a parte que teve litígio  com os Bentos desde 1822 e que hoje tem o Loteamento Santa Clara e o Marinelandia que foram desembargados em 2009 por que o Desembargador Relator não queria provocar uma comoção social e também não quis prejudicar o comercio imobiliário da Região dos Lagos e todos que fiquem sobre as águas.

Tudo se relaciona por que o Campo de Golfe só poderia surgir depois do Canal de Ponta Negra devido às águas e o LTF tentou fazer a caída do sistema lagunar para o lado contrario e vamos descobrir que em época de “água grande” as lagoas se comunicavam desde o Recanto de Itaipuaçu até o Rio São João. Para titular terras a terceiros prejudicaram um sistema lagunar de que somente agora se sabe o tamanho. A importância já era sabida.

O estrangeiro que mandou acabar com a pesca artesanal em Marica e levou as quatro colônias de pescadores ao desespero  aparece em livro publicado pelo escritor e jornalista MIGUEL CARVALHO que teria vendido muito peixe: que peixe?

Não se deu importância ao CASO ROSALINA e isso pode trazer muitos problemas para o Brasil.

Todos os acontecimentos desde o Recanto até o Rio São João estão interligados pela água e pela documentação: por isso todos correm ao menor sinal de perigo de escândalo, mas esburacar APA pode! Acabar com a LAGOA BRAVA tambem e agora um porto em cima da campo de golfe sobre laguna costeira. Quantos deve ser a cota de óbitos que querem nas enchentes inevitáveis. 

Agora mais esse ataque a todos nós de forma individual, coletiva e a Nação: um porto em Jaconé! Quantas sirenes pretendem colocar e aonde?

Márcia Benevides Leal

APEDEMA/RJ/Leste da Baía de Guanabara

10/01/2012

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