05/04/2010
Mensagem recebida por mail
S.O.S MARICÁ
QUEM CALA, CONSENTE

O hospital Conde Modesto Leal, desde julho de 2009, vem sofrendo o assédio indecoroso do governo municipal com a saúde se tornando caso de polícia. Se não bastasse o transtorno das "obras de reforma", afetando todos no local, que hoje quase nove meses depois estão em pandarecos, ainda há o escandaloso caso da recepção de qualidade que continua fechada enquanto os pacientes precisam ficar do lado de fora, esperando atendimento, espalhados pela entrada da emergência em bancos duros, entregues ao sol e chuva numa varandinha. O preenchimento da ficha está numa sala a uns 25 metros da entrada, o que dificulta o registro, pois o doente tem que se acomodar como pode para pegar a ficha.
Construída pela Luxor Construções e Empreendimentos, ao custo de R$ 108 mil, "recursos gerados pelo IPTU", segundo constava em cartaz na fachada, a recepção é hoje um elefante branco nunca aberto para pacientes e acompanhantes. Com cadeiras de assento plástico, toda envidraçada, é intocável à espera de inauguração.
A reforma, ampliação e revitalização do hospital, que o governo de Washington Quaquá bombou por todo lado, hoje não passa de mais uma maquiagem. Não valeu o sacrifício que todos por ali passaram durante as obras com marteladas e cheiro de cola de laminado. Os pisos emborrachados, já condenáveis na época, por sua péssima colocação, estão descolando; faltam pedaços deles em vários pontos. Há rodapés sem eles há tempos. As infiltrações também estão voltando depois da "pintura" para limpar a sujeira. E há aparelho de ar-condicionado que precisa de lixeira para escorrer a água.
Também, como não podia deixar de ser, faltam remédios. Os médicos precisam consultar o que há na casa para poder socorrer os pacientes, normalmente ocupando bancos duros de madeira ou as poucas cadeiras de rodas reformadas, que já dão índices de ferrugem. O mais comum é os profissionais terem que elaborar rapidamente "coquetéis" com o pouco que se tem para salvar vidas.
Todos aqueles que se calam, consentindo as péssimas condições físicas, a falta de material, os constantes cortes de pessoal e tudo que acontece no hospital, são responsáveis como cidadãos. Devem agradecer, e muito, ao corpo clínico e assistentes, que continuam a ser humanos, mais do que todos que, aqui de fora, preferem imitar a enfermeira da foto e pedir silêncio. Silêncio de conivência para quem comete um crime doloso contra a saúde municipal. Funcionários, corpo clínico e pacientes, sem contar os acompanhantes, sofrem no hospital, mas os culpados desse sofrimento é quem prefere se calar. Esquecem que esse crime é o pior, fica na alma e não há reza que salve.