31/03/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
MARICÁ DE CACHORRINHOS ADESTRADOS
Muita gente ainda se cala com os desmandos, os escândalos, os desmazelos e até mesmo com o autoritarismo demonstrado pelo governo de Maricá apesar da rejeição de 80% do prefeito. Há ainda uma preferência comodista, que privilegia o egoísmo do bolso próprio em detrimento do patrimônio comum. Os que advogam o comodismo da espera de mais três anos para dar uma resposta deixam passar o prazo para dar o troco. Poderá ser muito tarde, e custar imensamente caro, com a economia definitivamente no brejo. E não falta muito no ritmo que está de descaso com o povo e desprezo pelas leis.
Quando, independente de bandeiras, ideologias, o município se unirá em cidadania para defender as liberdades e a transparência? Quando os empresários estiverem já enforcados devido à queda constante de vendas registrada desde o meio do ano passado? Quando os proprietários abrirem os olhos e verem a desvalorização dos seus imóveis, apesar do aumento de IPTU, e as corretoras, com o mercado quase parando, começarem a fechar as portas? Quando a população ver fechadas em definitivo as portas do mercado de trabalho com multidões de "turistas" tomando todos os postos de emprego na Prefeitura, que teriam que ser dos munícipes, em nome de uma candidatura falida, que vai sugar o dinheiro público? Quando mais motivo de piada for Maricá lá fora? Quando o Ministério da Saúde descobrir que o hospital Conde Modesto Leal não tem sequer condições precárias de funcionamento? Quando os vereadores passarem a viver em outros municípios fazendo de Maricá apenas local de "trabalho", como já há quem esteja pensando seriamente nessa possibilidade? Quando o município virar celeiro da criminalidade?
Os salvadores da pátria, em breve, vão levantar estandartes demagógicos já surrados, mas talvez não haja o que salvar, mas apenas se reconstruir uma cidade dos escombros físicos e morais, habitada por robôs. Quando as entidades civis como OAB, ACM, Rotary e outras, e os chamados políticos de "oposição" acordarem da tranqüilidade do comodismo, bem podem encontrar o terreno fertilizado para suas campanhas "nobres" de movimentos democráticos e outras balelas para camuflar o tempo em que hibernaram na conivência.

E vão encontrar aqueles mesmos de sempre dispostos a levantar-se em defensores da sociedade. Vão mudar nomes, mas a podridão será a mesma, porque quem cala ou se mascara se deixa escravizar da forma mais torpe: entrega a si e a própria família para alimentar o monstro da ganância política. E ainda, todo sorriso de hiena, se diz livre! Mas calado e algemado, tratado como gado, propriedade de uns poucos, aos quais lambe e para quem sacode o rabo.

O dilema está posto para Maricá: ou continuar alimentando os cachorrinhos amestrados ou enfim se tornar cidadã com maiúscula.