Gastar o tempo e
a paciência votando aqui, é preferível ir à Conchinchina. A hiperdemocracia
de lá deixa no chinelo a democracia das bananas dessas republiquetas
socialistas. Votar naquele país é um direito intocável sem que o cidadão
precise ser fichado como eleitor como acontece nos países em que votar
é obrigação.
Eleitor, na terra das bananas, precisa de carteirinha para votar e
é punido ainda se não for às urnas por falta de candidato sério. Vota
quem quiser. Ou não seria o voto um direito em vez de obrigação?
Enquanto as pseudodemocracias ainda adotam o esquema de voto em branco,
armadilha para eleger uma cambada, ou o nulo, por lá quem for votar,
vota. Quem preferir anular ou votar em branco, nem aparece. Pode ir
para o bar beber com os amigos, continuar seu trabalho, ou ficar em
casa, porque lá não se decreta feriado nem se tira o domingão de folga
de quem se lixa para candidatos.
A democracia chegou a tal nível de evolução na Conchinchina que lá
se criou mesmo o Serviço de Proteção ao Eleitor, merecedor do maior
respeito de qualquer político local, quer dizer de lá. Nada de faixas
estragando o visual das cidades; papelada espalhada pelo chão; campanha
de berros em alto-falantes ou pela mídia em horário pago pelo eleitor.
Candidato que pague, do bolso, seus horários e espaços na mídia, mostrando
comprovante! Porque lá também não existe a famigerada dinheirama partidária
que jorra dos cofres públicos. Quem mantém os partidos são os próprios
políticos, que não têm autoridade alguma para tirar grana do Erário,
como ainda não contam com o privilégio de ser Poder.
Toda a legislação de lá privilegia o cidadão, o eleitor, que é gente
do maior respeito por qualquer político. Denúncia de eleitor, uma
só que seja, é julgada no mesmo dia e ai do candidato, por sinal,
sempre condenado. Perde a qualquer momento sua legibilidade e ainda
vai correndo para o xilindró. Recurso contra denúncia de eleitor?
Nem pensar. Por lá segue-se à risca o lema do povo, para o povo e
pelo povo. Nada de ser do povo, pelos outros, para uns poucos.
Lá, o voto é singular. Nada de adjetivos como útil, inútil, de cabresto,
ou parecendo que vale para um, mas serve a dois. É o popular camelo,
aquele em que você vota num candidato e leva, na outra corcova, um
suplente, que você não conhece nem escolheria. Uma só vez ouse falar
em curral eleitoral (palavrão condenável na Magma) e garanta sua entrada
na cadeia num piscar de olhos. (Por sinal, político não troca de partido
nem muito menos esse pode se coligar. Onde já se viu um monte de partidos
adversários dar apoio ao mesmo candidato? Fede feio a ditadura nos
narizes mais sensíveis e lá eles têm um faro!)
Até fica difícil imaginar tanto respeito ao eleitor. Mas tudo começou
quando os legisladores descobriram que a mentira é a mãe da corrupção.
Ficou mais fácil fazer regras e até julgar. Portanto, mentir, ou prometer
para assegurar votos, o que dá no mesmo, é condenação na certa. Perdem-se
mandatos, perde-se credibilidade e, para deixar sua marca de mentiroso,
ainda tem a mão esquerda cortada. Ainda se vê, mas já é raro por lá,
muito mendigo estendendo um prato para as moedas amarrado no cotoco
esquerdo.
O corte da mão esquerda, para deixar que possam limpar com a direita
a sujeira que fizeram, para muitos pode ser barbárie. Mas os crimes
que faziam enfiando no bolso o dinheiro público também não era barbarismo?
Tiravam uma dinheirama de todos e davam uns trocados para enganar
os pobres que votavam neles. Seria isso civilização?
Pois agora, depois que todos se encheram de serem roubados, a lei
voltou a ser mesmo do povo sem essa de imunidades, privilégios, blindagem
ou regalias. Se você quer ser eleito na Conchinchina, então que seja
honesto, não minta, não prometa, não roube e respeite os outros!
Evoé, vou votar na Conchinchina! |