30/09/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
VOU VOTAR LÁ NA CONCHINCHINA
Gastar o tempo e a paciência votando aqui, é preferível ir à Conchinchina. A hiperdemocracia de lá deixa no chinelo a democracia das bananas dessas republiquetas socialistas. Votar naquele país é um direito intocável sem que o cidadão precise ser fichado como eleitor como acontece nos países em que votar é obrigação.
Eleitor, na terra das bananas, precisa de carteirinha para votar e é punido ainda se não for às urnas por falta de candidato sério. Vota quem quiser. Ou não seria o voto um direito em vez de obrigação?
Enquanto as pseudodemocracias ainda adotam o esquema de voto em branco, armadilha para eleger uma cambada, ou o nulo, por lá quem for votar, vota. Quem preferir anular ou votar em branco, nem aparece. Pode ir para o bar beber com os amigos, continuar seu trabalho, ou ficar em casa, porque lá não se decreta feriado nem se tira o domingão de folga de quem se lixa para candidatos.
A democracia chegou a tal nível de evolução na Conchinchina que lá se criou mesmo o Serviço de Proteção ao Eleitor, merecedor do maior respeito de qualquer político local, quer dizer de lá. Nada de faixas estragando o visual das cidades; papelada espalhada pelo chão; campanha de berros em alto-falantes ou pela mídia em horário pago pelo eleitor. Candidato que pague, do bolso, seus horários e espaços na mídia, mostrando comprovante! Porque lá também não existe a famigerada dinheirama partidária que jorra dos cofres públicos. Quem mantém os partidos são os próprios políticos, que não têm autoridade alguma para tirar grana do Erário, como ainda não contam com o privilégio de ser Poder.
Toda a legislação de lá privilegia o cidadão, o eleitor, que é gente do maior respeito por qualquer político. Denúncia de eleitor, uma só que seja, é julgada no mesmo dia e ai do candidato, por sinal, sempre condenado. Perde a qualquer momento sua legibilidade e ainda vai correndo para o xilindró. Recurso contra denúncia de eleitor? Nem pensar. Por lá segue-se à risca o lema do povo, para o povo e pelo povo. Nada de ser do povo, pelos outros, para uns poucos.
Lá, o voto é singular. Nada de adjetivos como útil, inútil, de cabresto, ou parecendo que vale para um, mas serve a dois. É o popular camelo, aquele em que você vota num candidato e leva, na outra corcova, um suplente, que você não conhece nem escolheria. Uma só vez ouse falar em curral eleitoral (palavrão condenável na Magma) e garanta sua entrada na cadeia num piscar de olhos. (Por sinal, político não troca de partido nem muito menos esse pode se coligar. Onde já se viu um monte de partidos adversários dar apoio ao mesmo candidato? Fede feio a ditadura nos narizes mais sensíveis e lá eles têm um faro!)
Até fica difícil imaginar tanto respeito ao eleitor. Mas tudo começou quando os legisladores descobriram que a mentira é a mãe da corrupção. Ficou mais fácil fazer regras e até julgar. Portanto, mentir, ou prometer para assegurar votos, o que dá no mesmo, é condenação na certa. Perdem-se mandatos, perde-se credibilidade e, para deixar sua marca de mentiroso, ainda tem a mão esquerda cortada. Ainda se vê, mas já é raro por lá, muito mendigo estendendo um prato para as moedas amarrado no cotoco esquerdo.
O corte da mão esquerda, para deixar que possam limpar com a direita a sujeira que fizeram, para muitos pode ser barbárie. Mas os crimes que faziam enfiando no bolso o dinheiro público também não era barbarismo? Tiravam uma dinheirama de todos e davam uns trocados para enganar os pobres que votavam neles. Seria isso civilização?
Pois agora, depois que todos se encheram de serem roubados, a lei voltou a ser mesmo do povo sem essa de imunidades, privilégios, blindagem ou regalias. Se você quer ser eleito na Conchinchina, então que seja honesto, não minta, não prometa, não roube e respeite os outros!
Evoé, vou votar na Conchinchina!