Imagens aéreas recentes
comprovam a descaracterização ambiental e paisagística no entorno
da Lagoa Brava, em Maricá (RJ), provocada por atividade de extração
de areia e turfa em área superior a 80 mil metros quadrados.
Os impactos ambientais são evidentes. Não há dúvida sobre a depreciação
da qualidade do solo, decorrente da contaminação causada pelos resíduos
(óleos, graxas, lubrificantes etc.) provenientes das máquinas utilizadas
nos diferentes tipos de trabalho. A diminuição da fertilidade, plasticidade
e aeração do solo são inegáveis. O estresse da fauna silvestre, ocasionado
pela geração de ruídos advindos do trânsito de maquinários e pelo
aumento de presença humana no local também é registrado. A redução
espacial do "habitat" silvestre por ocasião da erradicação da cobertura
vegetal nativa nas áreas destinadas à instalação das estruturas de
extração de areia e da rede viária é a certeza da diminuição da capacidade
de suporte do meio para a fauna silvestre. Em resumo, é facilmente
identificado na área de exploração mineral as seguintes implicações:
desmatamento;alteração da superfície topográfica e da paisagem; perda
de solo; alterações dos corpos d'água; erosão; assoreamento; ruídos;
poeiras e vibrações; além da destruição da microfauna e afastamento
da macrofauna.
A legislação ambiental em nível federal, estadual e municipal reconhecem
as lagoas, lagunas e as áreas estuarinas como áreas de preservação
permanente, e a Lei Orgânica de Maricá em seu artigo 338, inciso II,
declara como área de relevante interesse ecológico o sistema lagunar
do Município, garantindo, inclusive, a proteção específica da Lagoa
Brava. Mas as evidências dos impactos ambientais gerados pela extração
de areia e turfa são inquestionáveis.
Segundo dados do Departamento de Recursos Minerais (DRM-RJ), as areias
de praia são utilizadas na indústria de fundição (moldagem); como
abrasivo (para jateamento e fabricação de lixas); na obtenção de farinha
de sílica (carga tanto em produtos de limpeza como em tintas); e na
siderurgia para fabricação de ferro-silício. E a turfa pode ser utilizada
tanto na produção de calor para consumo direto, como em usinas termoelétricas.
Além dos operadores da extração mineral, quem está sendo beneficiado?
Para onde está indo a areia e a turfa de Maricá?
Outra dúvida que fica é se a atividade de extração de areia e turfa
no entorno da Lagoa Brava dispõe de licenciamento ambiental, e se,
uma vez licenciada pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA), está
operando dentro dos termos estabelecidos pelo Plano de Controle Ambiental
(PCA) e pelo Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). |