|
|
|
POLÍTICO,
SEM POVO, É SUICÍDIO
|
Se o condor precisa
de espaço, o político não pode prescindir do povo. E a maior consagração
de um político é estar na inauguração de uma obra, conviver com a
população, conviver nesse grande espaço de confraternização. No entanto,
em Maricá, o que se vê é o suicídio coletivo da política, que decretou,
segundo os novos cânones, o afastamento incondicional do povo para
suas práticas no Legislativo.
Os vereadores tomaram de vez um chá de sumiço. Com o slogan "Aqui
o povo governa", ficaram a ver navios, de binóculos. Sem obra para
inaugurar, sem projetos para defender junto à população, sem fiscalizar
a Prefeitura, estão à margem da história, da cidade, do cidadão.
No aniversário do município, quando os prefeitos mais armam barraquinhas
para vender sua boa administração, para congregar os aliados junto
aos seus eleitorados, aqui houve o silêncio. A inauguração de obras,
apesar de fuleiras, feitas às pressas, foi entregue aos secretários.
O prefeito se escafedeu e os políticos seguiram o seu exemplar gesto
de omissão.
É um processo totalmente estranho ao que se conhece. Porque nunca
se viu político ficar de fora da festa, não ir a inaugurações, dar
abraços, ganhar beijinhos cheios de saliva, provar brigadeiros, se
empanturrar de empadas gordurosas, comer buchada de bode, e ainda
lamber os beiços. É a sua grande oportunidade de consolidar o eleitorado,
o que aqui deixaram de lado.
Preferiram os vereadores daqui um congraçamento com os amiguinhos,
os apadrinhados, e até mesmo os de fora que só levam nome, num palanque
armado só para eles fazerem brilhar seu narcisismo, bancarem a prima-dona
de uma ópera bufa. Ao povo, deram as costas e ainda puseram forças
armadas para garantir a farta distribuição de títulos, regada ao de
bom e do melhor, com o dinheiro público.
Maricá assiste, enfim, os políticos destruírem suas próprias carreiras,
defendidas nos palanques, como caminhos para as melhorias sonhadas.
Dão um tiro no pé, fugindo do eleitor, se escondendo, fechando a cara
às reivindicações populares. É um suicídio que o povo aplaude para
felicidade geral. Esquecem que uma cidade se recupera, com outros
homens ou mulheres, no mínimo mais transparentes, mas desses que aí
estão só restará o pó do esquecimento. E logo, logo o vento irá soprar
sobre eles. |
|