28/05/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
POLÍTICO, SEM POVO, É SUICÍDIO
Se o condor precisa de espaço, o político não pode prescindir do povo. E a maior consagração de um político é estar na inauguração de uma obra, conviver com a população, conviver nesse grande espaço de confraternização. No entanto, em Maricá, o que se vê é o suicídio coletivo da política, que decretou, segundo os novos cânones, o afastamento incondicional do povo para suas práticas no Legislativo.

Os vereadores tomaram de vez um chá de sumiço. Com o slogan "Aqui o povo governa", ficaram a ver navios, de binóculos. Sem obra para inaugurar, sem projetos para defender junto à população, sem fiscalizar a Prefeitura, estão à margem da história, da cidade, do cidadão.

No aniversário do município, quando os prefeitos mais armam barraquinhas para vender sua boa administração, para congregar os aliados junto aos seus eleitorados, aqui houve o silêncio. A inauguração de obras, apesar de fuleiras, feitas às pressas, foi entregue aos secretários. O prefeito se escafedeu e os políticos seguiram o seu exemplar gesto de omissão.

É um processo totalmente estranho ao que se conhece. Porque nunca se viu político ficar de fora da festa, não ir a inaugurações, dar abraços, ganhar beijinhos cheios de saliva, provar brigadeiros, se empanturrar de empadas gordurosas, comer buchada de bode, e ainda lamber os beiços. É a sua grande oportunidade de consolidar o eleitorado, o que aqui deixaram de lado.

Preferiram os vereadores daqui um congraçamento com os amiguinhos, os apadrinhados, e até mesmo os de fora que só levam nome, num palanque armado só para eles fazerem brilhar seu narcisismo, bancarem a prima-dona de uma ópera bufa. Ao povo, deram as costas e ainda puseram forças armadas para garantir a farta distribuição de títulos, regada ao de bom e do melhor, com o dinheiro público.

Maricá assiste, enfim, os políticos destruírem suas próprias carreiras, defendidas nos palanques, como caminhos para as melhorias sonhadas. Dão um tiro no pé, fugindo do eleitor, se escondendo, fechando a cara às reivindicações populares. É um suicídio que o povo aplaude para felicidade geral. Esquecem que uma cidade se recupera, com outros homens ou mulheres, no mínimo mais transparentes, mas desses que aí estão só restará o pó do esquecimento. E logo, logo o vento irá soprar sobre eles.