Maricá cada vez mais,
neste desarranjo de governo, tem mostrado que está no caminho das
mais criminosas administrações públicas. O Ministério Público recebe
seguidas denúncias de infrações do governo, e se cala. A Câmara, que
um dia já foi Casa do Povo, faz ouvidos de mercador, enquanto trata
da boa vida dos vereadores cúmplices, por omissão ou conivência, e
esbanja dinheiro público em milionária página na internet "para ficar
mais perto do cidadão". Os políticos, de fora do governo, esperam
como urubus a hora de aparecerem como libertadores e aliados do povo,
quando não tiveram nenhuma iniciativa e se acovardaram durante todo
o tempo. Ficam de bico calado para poderem abocanhar mais votos depois.
Os jornais estampam diariamente as mazelas de desclassificados; mostram
o aumento da criminalidade; a falta de higiene do tratamento da saúde
municipal; apresentam os descasos no meio ambiente, no setor de obras
etc. E novamente silêncio.
Cada dia o contribuinte de Maricá se empanturra com a covardia, a
petulância, a intimidação, o menosprezo, a criminosa administração,
o nepotismo de uma camorra caiçara, o silêncio dos marginais da política.
Enfim tudo de pior que um governo, com o aval dos políticos de dentro
e de fora do governo, pode fazer contra o povo. Maricá está levando
nos costados. O município carrega uma cangalha bem pesada de desmandos
e de boas vidas que acreditam, piamente, na eternidade e na impunidade
das suas posições.
O cidadão de Maricá arca hoje com um gasto imensurável para manter
esquadrões de guarda-costas e motoristas-seguranças para as "autoridades",
sempre temerosas do povo; os cofres sem fundos dos órgãos públicos,
de onde escoam diariamente moedas para bolsos alheios à cidade; as
compras sem licitação; os crimes organizados pelos próprios Poderes
Legislativo e Executivo.
A data de aniversário de emancipação do município pode, a partir de
hoje, significar muito mais para os habitantes de Maricá. Pode ser
também uma data para se comemorar a emancipação dos poderes apodrecidos
pela ganância, a mesquinhez de ideais, o egoísmo dos interesses próprios,
a boquinha de muitos, o oportunismo dos conhecidos politiqueiros.
Basta o cidadão querer, deixar de lado o coleguismo, o compadrio,
repudiar a falta de ética, a politicalha que impera no município com
velhos coronéis dos alagados e charqueados, que adoram posar de cowboys.
E reclamar o respeito como dono do município, exigir a saída daqueles
que se mascaram impropriamente de proprietários da terra, donos do
povo, e dar um basta aos aproveitadores de última hora, que ficaram
calados à espera que outros amassassem o barro e fizessem as taças,
para eles beberem os louros. |