Maricá está prestes
a cometer um crime com data marcada à vista de todos, que já estão
convidados para comparecer ao auto de fé. No dia 28, na Associação
Comercial, Empresarial e Industrial de Maricá será assassinada, sob
a batuta inquisitorial, a liberdade de imprensa no município. O golpe,
arquitetado nos gabinetes, está se consolidando com a conquista de
cúmplices dentro da própria imprensa, que estão aderindo à criação
da Associação de Imprensa de Maricá, a arma do golpe de mestre.
Com a promessa de que vai chover na horta jornalística, de repente
teve gente que saiu da toca, acenando com diplomas e registros, se
esquecendo que um ex-secretário do atual governo desfilou com dois
registros profissionais por muito tempo sem chamar a atenção de tão
espertos profissionais. E para demonstrar que são o máximo, e esqueceram
mesmo a manobra de mordaça patista de 2009, querem agora ensinar o
bispo, com 38 anos puxando linha e batucando nas pretinhas, a rezar
missa em latim.
A associação vai nascer com presidente já ungido pelos poderes municipais,
a quem vem servindo prontamente. É o indicado celeste para o cargo,
uma vez que "sabe agregar pessoas e projetos" como se vê pela pressa
com que organizou o primeiro encontro, como se tivesse prazo a cumprir,
e o maquiavelismo com que vem arregimentando cúmplices e armando já
a sua diretoria, títere governamental, como não poderia deixar de
ser. Já há inclusive vice-presidente cotado e cooptado e logicamente
vai ter comissionado nas paradas.
Quem festeja a vinda de uma associação está entrando no jogo do governo,
que para a primeira reunião enviou todo um batalhão de cúmplices,
comissionados ou ligados aos jornais amigos, além da subsecretária
de Comunicação, que em seis meses no cargo nunca se apresentou aos
jornalistas. Sintomática essa aparição da moçoila! Para mentes minimamente
inteligentes, fica clara a participação maciça do governo num órgão
de classe, o que é inadmissível, e com paralelo apenas na ditadura
militar com os infiltrados como agora em Maricá.
Não à toa, em uma semana, a mesma secretaria enviou empenho, através
da agência Elipse, para a inserção de anúncios institucionais da Prefeitura,
ao preço de R$ 700, já na próxima edição de outubro, justamente no
dead-line para as eleições, quando muitos veículos até estão antecipando
sua circulação. Foi um sinal de que terão anúncio se forem associados
(ou seria paus-mandados?).
Os jornalistas saíram da última reunião convencidos de que "a associação
de imprensa vai ajudar os jornais de Maricá a serem mais independentes
do comércio local". Ou seja, estão interessados numa liberdade financeira
de olho nos grandes anunciantes, mas se esqueceram de perguntar quem
vai fazer a corretagem dessas contas grandes e quem vai distribuir
as cotas. A associação, que será sem dúvida um braço da Prefeitura,
terá nas mãos a faca, o queijo e o pescoço dos donos dos jornais.
Portanto, independência só a que for vendida.
Apesar de a reunião do golpe mortal ser na ACEIM, os jornalistas já
parecem estar dispostos a se desvencilhar de quem "não valoriza o
marketing nessas mídias", ou seja, o empresariado local. Pela declaração
de um fervoroso defensor da associação, registrado e diplomado, e
devidamente doutrinado, surge a maior injustiça contra o comércio
local, justamente aquele que até hoje prestigia a muito custo suas
edições, mas nunca recebeu troco.
Quando o comércio sofre com as atrocidades governamentais, não há
jornalista que abra espaço para as reclamações dos empresários. Os
defensores da nova associação esquecem ainda que o empresário também
quer ver seu anúncio num jornal bem diagramado, com textos atraentes,
que possam constituir um público e atrair fregueses. Esquecem os renomados
trabalhadores de imprensa que grande parte não tem cuidado algum com
a diagramação, ou os textos, preferindo colocar releases que empresário
e leitor já estão cansados de conhecer, pois já vem azedados de um
mês. Ainda por cima ou é política, ou políticos, ou governo, ou Câmara.
O que se discute com a criação da associação é a própria liberdade
tanto da imprensa como do leitor. Nem nos tempos da ditadura, os tiranos
foram tão mestres em orquestrar armações como as do petismo, hoje
armando os arreios para quem prefere puxar carroça. Tornar a imprensa
uma marionete não diz respeito apenas aos jornalistas, mas a todo
cidadão. Afinal querem implantar de vez o lema do "sirva-me ou morra",
que em nada difere do "ame-o ou deixe-o". Ou os jornalistas não tiveram
aula de História do Brasil?
Não se lamentem depois. Pode haver um tempo em que os hoje coniventes
amanhã tenham que vender abacaxi no Barroco, só porque aceitaram que
os colaboracionistas tomassem conta da mídia daqui, com ela se locupletando
em cargos. Quando então, fora da mídia, poderão sentir que mais do
que vender uma profissão digna, venderam a própria liberdade de ser
humano, irresponsavelmente prejudicando toda a população.
A independência cobra caro, em alguns casos, até com a crucificação.
E a liberdade se conquista dia a dia, não é presente de governo. Resta
saber se estão dispostos a defender nossa individualidade ou preferem
vender as almas deles e a nossa liberdade. No último caso, que o diabo
os carregue para bem longe. Vendidos só devem viver mesmo nos quintos
dos infernos para que não poluam com infelicidade um mundo criado
por Deus.
PS - O petista-mor do país, o presidente Lula, em arroubo chavista,
decretou: "Nós somos a opinião pública". Se o idolatrado presidente
admite que faz a opinião, então é melhor por as barbas de molho. Não
à toa os petistas vão criar associação de imprensa em Maricá. |