20/04/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
MARICÁ TRATA LIVRO COMO TRALHA PARA PORÃO

Quando se diz que até a cultura de Maricá está em pandarecos há muito tempo e é uma caixinha de benesses, surgem logo os cachorrinhos de madame, que comem na mão dos governos, e um bando de vira-latas, principalmente na mídia, arreganhando os dentes e latindo. Quando se disse que enfiar debaixo do anfiteatro uma biblioteca seria um crime, assim como foi criminosa a demolição do antigo prédio, que contou até com aplausos de vereador ainda hoje na Câmara, ninguém da chamada inteligência maricaense apareceu para somar, mas foram ligeiros, na imprensa, a alardear a construção digna do Império Romano.

Agora o prédio, se é que se possa chamar de prédio, da Biblioteca Municipal Professora Leonor Leite Bastos de Souza mostra todos os defeitos desde sua construção pelo prefeito Ricardo Queiroz, que com a cumplicidade de secretários resolveu enfiar livros debaixo de um anfiteatro, ou seja, meter a cultura no porão de um navio à deriva como é o anfiteatro mendigo.

A denúncia feita por Juliana Pontes na TVC (tvcopacabana.com/novo/index.php?option=com_content&task=view&id=3243&Itemid=43) é a primeira de anos por uma voz diferente. Talvez um sinal de que mais gente, mais consciente, esteja disposta a reclamar como cidadã e não mais como outros que só preferem latir bobagens, particularmente neste atual governo.

A biblioteca de Maricá está entregue às baratas desde a gestão de seu magnífico criador, porque logo depois de inaugurada, com as primeiras fortes chuvas, já começou a sofrer infiltração. A falta de conservação da construção sempre foi flagrante sem contar a genialidade da arquitetura, que dispôs em torno de 100 m² para abrigar todo o acervo e mobiliário. Com tal espaço, e como o mundo moderno, da internet, e agora do e-book, não precisa de livro convencional (não é secretário?), não há necessidade de se ter tal instalação nem mesmo como crescer uma biblioteca assim.

O problema é mais um descaso dos próprios cidadãos com os prédios públicos, aceitando de cabeça baixa o que os governos decidem fazer com dinheiro público. O custo do anfiteatro e biblioteca, há cinco anos, foi de R$ 350 mil pagos pelo contribuinte, dinheiro que em breve deve ser jogado para sucata, uma vez que aumenta sensivelmente a degradação do prédio.

E mais uma vez por só ficar latindo em vez de reclamar e exigir melhores acomodações públicas, nossos cachorrinhos de madame vão ter que engolir esse osso que ajudaram a criar. Infelizmente com mais prejuízo para a cultura, que aqui sempre relegou o livro para porões e barracas, com palmas e prêmios, e para a já biafrenta economia municipal. É o preço que paga uma população de gente tão culta que deixa o livro brigando por espaço, até bem pouco tempo, com os mendigos.