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Quando
se diz que até a cultura de Maricá está em pandarecos há muito tempo
e é uma caixinha de benesses, surgem logo os cachorrinhos de madame,
que comem na mão dos governos, e um bando de vira-latas, principalmente
na mídia, arreganhando os dentes e latindo. Quando se disse que
enfiar debaixo do anfiteatro uma biblioteca seria um crime, assim
como foi criminosa a demolição do antigo prédio, que contou até
com aplausos de vereador ainda hoje na Câmara, ninguém da chamada
inteligência maricaense apareceu para somar, mas foram ligeiros,
na imprensa, a alardear a construção digna do Império Romano.
Agora o prédio, se é que se possa chamar de prédio, da Biblioteca
Municipal Professora Leonor Leite Bastos de Souza mostra todos os
defeitos desde sua construção pelo prefeito Ricardo Queiroz, que
com a cumplicidade de secretários resolveu enfiar livros debaixo
de um anfiteatro, ou seja, meter a cultura no porão de um navio
à deriva como é o anfiteatro mendigo.
A denúncia feita por Juliana Pontes na TVC (tvcopacabana.com/novo/index.php?option=com_content&task=view&id=3243&Itemid=43)
é a primeira de anos por uma voz diferente. Talvez um sinal de que
mais gente, mais consciente, esteja disposta a reclamar como cidadã
e não mais como outros que só preferem latir bobagens, particularmente
neste atual governo.
A biblioteca de Maricá está entregue às baratas desde a gestão de
seu magnífico criador, porque logo depois de inaugurada, com as
primeiras fortes chuvas, já começou a sofrer infiltração. A falta
de conservação da construção sempre foi flagrante sem contar a genialidade
da arquitetura, que dispôs em torno de 100 m² para abrigar todo
o acervo e mobiliário. Com tal espaço, e como o mundo moderno, da
internet, e agora do e-book, não precisa de livro convencional (não
é secretário?), não há necessidade de se ter tal instalação nem
mesmo como crescer uma biblioteca assim.
O problema é mais um descaso dos próprios cidadãos com os prédios
públicos, aceitando de cabeça baixa o que os governos decidem fazer
com dinheiro público. O custo do anfiteatro e biblioteca, há cinco
anos, foi de R$ 350 mil pagos pelo contribuinte, dinheiro que em
breve deve ser jogado para sucata, uma vez que aumenta sensivelmente
a degradação do prédio.
E mais uma vez por só ficar latindo em vez de reclamar e exigir
melhores acomodações públicas, nossos cachorrinhos de madame vão
ter que engolir esse osso que ajudaram a criar. Infelizmente com
mais prejuízo para a cultura, que aqui sempre relegou o livro para
porões e barracas, com palmas e prêmios, e para a já biafrenta economia
municipal. É o preço que paga uma população de gente tão culta que
deixa o livro brigando por espaço, até bem pouco tempo, com os mendigos.
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