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Quando começaram
os boatos dando conta da possível construção de um pólo naval em
Jaconé, com a assinatura de uma "carta de intenção" entre a empresa
Mendes Júnior e a prefeitura de Maricá, levantou-se a hipótese de
mais uma infame tentativa governamental de ludibriar a população
com propostas megalomaníacas enganosas, utilizando-se meramente
da tal "carta de intenção", ainda que não bastasse a irresponsável
transgressão às leis ambientais e consequente geração de impactos
negativos à biota e à rara formação geológica, histórica e cultural
numa Área de Preservação Permanente - APP, segundo o relatório da
engenheira civil, Sra. Ana Paula de Carvalho, ao Comitê da Baía
da Guanabara e informações de um grupo de pesquisadores de universidades
federais e futuros gestores ambientais da Universidade Severino
Sombra. Pela gigantesca devastação que assistimos na Lagoa Brava,
fica claro que a preocupação sócio-ambiental passa a quilômetros
de distância do governante que prometeu uma revolução social.
É necessário explicar que, buscando viabilizar sua participação
nas grandes licitações da Petrobras, empresas que não possuem estaleiros
(Mendes Júnior e Restis Group, por exemplo) precisam apresentar,
no momento do certame licitatório, promessa de venda de áreas propícias
para implantação de estaleiros e carta de compromisso do governo
local afirmando que garante a emissão das licenças ambientais (LP,
LI) e de operação (LO). São as chamadas "cartas de intenção", conhecidas
no mercado offshore como "estaleiros virtuais". Sem estes documentos,
as empresas ficam impossibilitadas de participar das mega licitações
da Estatal. Mas, de posse dos mesmos e obtendo êxito no certame
licitatório, o governo não tem nenhuma garantia da construção destes
estaleiros, pois é muito mais viável economicamente e mais rápido
para dar início à execução dos contratos "arrendar estaleiros já
existentes", podendo até ser em outros estados.
Trazendo para nossa realidade, é como se uma empresa fosse participar
de uma licitação para a famigerada coleta do lixo urbano de Maricá
e no edital estivesse especificado que a empresa precisa comprovar
possuir dez caminhões ou carta de compromisso de uma concessionária
comprometendo-se em fornecer os dez caminhões, caso a empresa vença
a concorrência. A empresa vencedora pode simplesmente arrendar os
caminhões em outro local ao invés de comprá-los da concessionária
que forneceu a carta. Infelizmente, alguns governantes se utilizam
destas negociatas para iludir e gerar expectativas nos contribuintes,
ou se permitem enganar por empresários descompromissados com a municipalidade.
No primeiro caso, trata-se de conivência; no segundo, incompetência.
Não se trata de torcer contra, pois nenhum cidadão é favorável à
gestão fraudulenta ou à incompetência generalizada na região onde
vive, mas esta é uma realidade do mercado offshore que parece ter
passado despercebida pela já bem conhecida eficácia dos gestores
da área de desenvolvimento sócio-econômico municipal.
Felizmente, no dia 06/10, em entrevista na sede da Petrobras sobre
o certame licitatório para construção das 28 sondas de perfuração
que atuarão no pré-sal, o gerente executivo de engenharia da estatal,
José Pedro Barusco Filho, afirmou: "Como grande parte dos proponentes
é de 'estaleiros virtuais', que ainda não tem Licença de Instalação
(LI), a Petrobras resolveu exigir a LI de todos os proponentes e
cortar quem não estiver dentro desta exigência". É o fim de mais
uma frustrada tentativa de burlar a decência.
Mas, quando soube que na "Expo Maricá" haveria um fórum sobre o
assunto, renovei minhas esperanças e pedi a dois amigos do clube
de engenharia que analisassem o evento. Um fiasco! Uma exposição
esvaziada e inútil, onde o tema foi exposto superficialmente como
se não passasse de mais um delírio psicótico governamental, demonstrando
total insensatez dos organizadores do evento. Em suma, pura perda
de tempo e desperdício do dinheiro público, prática comum no atual
governo. Talvez por isso, as eleições deste ano em Maricá confirmaram
que "democracia" transcende a ideia morbidamente falseada que uma
matilha de tresloucados tenta impor com sua "nobre" construção de
pensamentos, chegando a declarar, na maior cara de pau, que "aqui
o povo governa".
Finalizando minha busca, recorri aos donos da área, a Brookfield
Inc. S/A, para saber como andavam as negociações em torno do empreendimento.
Para minha surpresa, na resposta, dizem "desconhecer qualquer projeto
e/ou qualquer negociação desta natureza com o referido órgão governamental".
Ou seja, os donos da área desconhecem totalmente o projeto, que
se mostra infundado, levantando suspeitas quanto à motivação dos
vários e caríssimos passeios de helicóptero sobre a área, pagos
com o dinheiro do contribuinte.
Freud explica a neurose como o resultado de um conflito entre o
Ego e o Id; entre aquilo que o indivíduo é de fato, com aquilo que
ele desejaria "prazerosamente" ser, distorcendo completamente o
senso de realidade. O delírio proveniente de tal transtorno é compreensível
a quem ouve, embora continue se tratando de uma falsa e absurda
crença, a mais pura insanidade. Achei razoável falar a respeito,
pois o perfil parece bem familiar nesta incompreensível contradição
entre o que se diz e o que se faz.
Esta clara evidência de surto psicótico mostra a urgente necessidade
de tratamento psiquiátrico coletivo para o bando de desvairados
que aqui se instalou na intenção de transformar a cidade num gigantesco
"Maricômio". Com delírios avassaladores e viagens alucinantes, nos
levam rumo à calamidade e à total ruína da lógica, dando razão ao
poeta quando afirma ser bem melhor "ficar, com certeza, maluco beleza".
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