19/11/2010
Recebido por mail de Prof. Adilson Pereira

PÓLO NAVAL DE JACONÉ: FREUD EXPLICA

Quando começaram os boatos dando conta da possível construção de um pólo naval em Jaconé, com a assinatura de uma "carta de intenção" entre a empresa Mendes Júnior e a prefeitura de Maricá, levantou-se a hipótese de mais uma infame tentativa governamental de ludibriar a população com propostas megalomaníacas enganosas, utilizando-se meramente da tal "carta de intenção", ainda que não bastasse a irresponsável transgressão às leis ambientais e consequente geração de impactos negativos à biota e à rara formação geológica, histórica e cultural numa Área de Preservação Permanente - APP, segundo o relatório da engenheira civil, Sra. Ana Paula de Carvalho, ao Comitê da Baía da Guanabara e informações de um grupo de pesquisadores de universidades federais e futuros gestores ambientais da Universidade Severino Sombra. Pela gigantesca devastação que assistimos na Lagoa Brava, fica claro que a preocupação sócio-ambiental passa a quilômetros de distância do governante que prometeu uma revolução social.
É necessário explicar que, buscando viabilizar sua participação nas grandes licitações da Petrobras, empresas que não possuem estaleiros (Mendes Júnior e Restis Group, por exemplo) precisam apresentar, no momento do certame licitatório, promessa de venda de áreas propícias para implantação de estaleiros e carta de compromisso do governo local afirmando que garante a emissão das licenças ambientais (LP, LI) e de operação (LO). São as chamadas "cartas de intenção", conhecidas no mercado offshore como "estaleiros virtuais". Sem estes documentos, as empresas ficam impossibilitadas de participar das mega licitações da Estatal. Mas, de posse dos mesmos e obtendo êxito no certame licitatório, o governo não tem nenhuma garantia da construção destes estaleiros, pois é muito mais viável economicamente e mais rápido para dar início à execução dos contratos "arrendar estaleiros já existentes", podendo até ser em outros estados.
Trazendo para nossa realidade, é como se uma empresa fosse participar de uma licitação para a famigerada coleta do lixo urbano de Maricá e no edital estivesse especificado que a empresa precisa comprovar possuir dez caminhões ou carta de compromisso de uma concessionária comprometendo-se em fornecer os dez caminhões, caso a empresa vença a concorrência. A empresa vencedora pode simplesmente arrendar os caminhões em outro local ao invés de comprá-los da concessionária que forneceu a carta. Infelizmente, alguns governantes se utilizam destas negociatas para iludir e gerar expectativas nos contribuintes, ou se permitem enganar por empresários descompromissados com a municipalidade. No primeiro caso, trata-se de conivência; no segundo, incompetência. Não se trata de torcer contra, pois nenhum cidadão é favorável à gestão fraudulenta ou à incompetência generalizada na região onde vive, mas esta é uma realidade do mercado offshore que parece ter passado despercebida pela já bem conhecida eficácia dos gestores da área de desenvolvimento sócio-econômico municipal.
Felizmente, no dia 06/10, em entrevista na sede da Petrobras sobre o certame licitatório para construção das 28 sondas de perfuração que atuarão no pré-sal, o gerente executivo de engenharia da estatal, José Pedro Barusco Filho, afirmou: "Como grande parte dos proponentes é de 'estaleiros virtuais', que ainda não tem Licença de Instalação (LI), a Petrobras resolveu exigir a LI de todos os proponentes e cortar quem não estiver dentro desta exigência". É o fim de mais uma frustrada tentativa de burlar a decência.
Mas, quando soube que na "Expo Maricá" haveria um fórum sobre o assunto, renovei minhas esperanças e pedi a dois amigos do clube de engenharia que analisassem o evento. Um fiasco! Uma exposição esvaziada e inútil, onde o tema foi exposto superficialmente como se não passasse de mais um delírio psicótico governamental, demonstrando total insensatez dos organizadores do evento. Em suma, pura perda de tempo e desperdício do dinheiro público, prática comum no atual governo. Talvez por isso, as eleições deste ano em Maricá confirmaram que "democracia" transcende a ideia morbidamente falseada que uma matilha de tresloucados tenta impor com sua "nobre" construção de pensamentos, chegando a declarar, na maior cara de pau, que "aqui o povo governa".
Finalizando minha busca, recorri aos donos da área, a Brookfield Inc. S/A, para saber como andavam as negociações em torno do empreendimento. Para minha surpresa, na resposta, dizem "desconhecer qualquer projeto e/ou qualquer negociação desta natureza com o referido órgão governamental". Ou seja, os donos da área desconhecem totalmente o projeto, que se mostra infundado, levantando suspeitas quanto à motivação dos vários e caríssimos passeios de helicóptero sobre a área, pagos com o dinheiro do contribuinte.
Freud explica a neurose como o resultado de um conflito entre o Ego e o Id; entre aquilo que o indivíduo é de fato, com aquilo que ele desejaria "prazerosamente" ser, distorcendo completamente o senso de realidade. O delírio proveniente de tal transtorno é compreensível a quem ouve, embora continue se tratando de uma falsa e absurda crença, a mais pura insanidade. Achei razoável falar a respeito, pois o perfil parece bem familiar nesta incompreensível contradição entre o que se diz e o que se faz.
Esta clara evidência de surto psicótico mostra a urgente necessidade de tratamento psiquiátrico coletivo para o bando de desvairados que aqui se instalou na intenção de transformar a cidade num gigantesco "Maricômio". Com delírios avassaladores e viagens alucinantes, nos levam rumo à calamidade e à total ruína da lógica, dando razão ao poeta quando afirma ser bem melhor "ficar, com certeza, maluco beleza".