19/07/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
GOVERNO CONTINUA A PICHAR A CULTURA
A reportagem publicada no jornal O Fluminense, em sua edição do último domingo, confirma mais uma vez o que se vem dizendo há muito sobre os aproveitadores da Cultura. Nem bem acumula os cargos do Turismo com o da Cultura, o novo secretário de Maricá mostra que está perdido nos dois setores. No primeiro, em dois ou três meses, ainda nada fez que pudesse ser o suficiente para justificar seus ganhos de comissionado turista. No outro, começa com mentiras, dando continuidade ao milagre das promessas.

O secretário anuncia uma "verdadeira revolução" começando com a patada de fechar o museu do município, "por um mês para arrumação", e depois vem a mentira da construção de um centro cultural que não teve nenhuma empresa interessada em sua construção. Ou será que não leu o Jornal Oficial do Município, n° 209? Como todo o governo petista, está prometendo o que já de antemão não vai acontecer.

A obra teve orçamento de R$ 37 mil anunciado desde o meio do ano passado no Plano Plurianual que iria até 2013 (sic) e continua a constar no Portal da Transparência, tudo copiado do texto de 2009, com o mesmo valor para aplicação em 2010. É uma verba irrisória para obra tão importante. Assim o município contará com um Centro Cultural Henfil ao custo inferior de uma casa popular no mercado. É mais uma "revolução" petista que cheira a traque.

Do orçamento anual de R$ 465 mil, a Secretaria de Cultura, sem titular há cinco meses, já teria gasto, sem que se veja uma migalha cultural, a mixórdia de R$ 86 mil, que por sinal é a mesma cifra gasta pelo governo no escandaloso Carnaval do Brasil deste ano. Ou seja, secretário, a única aplicação cultural para este ano foi para o escândalo momesco.

Depois de se ter um poeta inédito no setor, agora outro turista vem anunciar um Fórum Cultural de Maricá. Repete a mesma lengalenga do seu antecessor, que conseguiu muito mal e porcamente promover um fórum único que não levou a nada, mas tinha o interesse de prestigiar certos grupos. O governo troca assim o seis por meia dúzia que na maior cara de pau banca o papagaio de pirata, sem saber que é mais um boi de piranha do interesseiro governante.

Com a petulância dos ignorantes, o secretário admite que a Prefeitura não apoia os grupos culturais e sai desancando todo mundo, falando em "picuinhas políticas" como desculpa para o descaso governamental com o setor. Governo tem que administrar, gerir os interesses sociais sobre os pessoais, conhecer a fundo sua região e seus problemas, tomar para si o comando das iniciativas, promover parcerias, criar espaços e alternativas, apoiar iniciativas populares e de amadores. Sair dando patada, é burrice de quem tem apenas o cargo para dizer que é, nunca competência para estar ali.

Talvez o secretário, que devia mostrar seu currículo, precise também de óculos. Como ainda não viu o próprio prédio da Casa de Cultura, de vidros quebrados e paredes pichadas, ou o anfiteatro, que já foi hotel de mendigos e continua todo grafitado como um mobiliário urbano entregue à fúria dos maus elementos?

Porque ver o péssimo estado da biblioteca municipal, nem viu. Saiu promovendo uma contação de histórias toda sexta-feira num prédio que é o exemplo do desleixo: sofre infiltrações, tem acervo danificado, precisa colocar plásticos sobre as estantes durante as chuvas para evitar as goteiras, não tem dinheiro para renovação de acervo. E ainda por cima está enfurnada num buraco.

O secretário esquece que o governo promove o desleixo cultural, com sua incompetência para gerir o setor. O desinteresse, ou a incapacidade, promove o surgimento de aproveitadores, que só querem mais os ganhos de polpudas mesadas governamentais ou boquinhas para se manter como os "salvadores" culturais. Garanto que serão esses mesmos os que o secretário deve abraçar para conclamar o Fórum e mais uma vez transformar Cultura em comédia pastelão. Porque os que comem em panelinha, já estão na estrada de comandar aqui o setor que não tem diretriz nem interessa ter para o bem de uns poucos mamadores de sempre e o azar de toda uma população.