18/11/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
À CULTURA, AS PATADAS
Domício da Gama, definitivamente, para a "cultura" maricaense é um zero à esquerda. Para o governo, então, é alegoria para mostrar o quanto os integrantes do governo desconhecem o setor em que entram como comissionados. O pretendido resgate histórico do escritor, jornalista, diplomata, ex-ministro de Relações Exteriores e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras serviu apenas para colocar uma coroa de cebolas e alhos numa coleção de homenagens e fotos de uns e outros. O escritor ficou como azeitona num empadão indigesto de malfeito.
A exposição sobre Domício da Gama, alardeada pelo governo de Quaquá com o beneplácito do secretário e da subsecretária de Cultura, parece mais trabalho escolar. Dos 20 painéis, todos lembrando aqueles antigos cartazes espalhados nas escolas pelas professoras com cartolina e papel crepom, apenas dois são dedicados ao homenageado. Se bem que não foi autor de obra extensa e há mesmo pouco material sobre ele, ainda a exposição é de um primarismo escolar. Faltou empenho, mas se esbanjou amadorismo de meia tigela de quem é pago para fazer trabalho realmente cultural.
A curadoria da exposição sequer se deu o trabalho de procurar fotos e documentos, mesmo na internet, ou foi à Academia Brasileira de Letras para obter mais informações, uma vez que a entidade editou uma coletânea de textos de Domício da Gama com apresentação de um familiar do escritor e ainda possui material doado pelo próprio. Pois não é que nem isso tiveram a capacidade de encontrar? Não mostraram nenhum livro do escritor, ou sequer a capa! Nem mesmo a edição da ABL foi apresentada! Por sinal, nem há qualquer citação sobre essas obras.
Os organizadores nem sabem que em Maricá, em mãos particulares, existem ao menos dois exemplares de uma primeira edição de um dos seus livros, publicado em 1901, e hoje peça rara. Sequer se interessaram em pesquisar e descobrir que, por mais de dois anos, uma livraria manteve o Baú do Domício com foto, biografia, bibliografia e até mesmo um exemplar dessa obra. Pequena exposição, mas correta com obras e sem enfeite.
Desconhecem, por ignorância plena, que há mais informação em Maricá sobre o autor do que imaginam. Como Domício e outros personagens da História na cidade nunca foram ou são do interesse governamental, resta o desconsolo de mais uma vez ver cultura, em Maricá, tratada às patadas. E o pobre Domício, que nunca mereceu sequer um busto na cidade, acaba enfiado num saco de batatas bichadas para deleite dos medíocres.