18/06/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
SÓ MUDA OPRESSÃO QUEM MANTÉM O CAMINHO
Mohandas Karamchand Gandhi andou mais de 200 km, durante 24 dias, para apanhar a água do mar. A sua desobediência civil, em forma de satyagraha, recolhendo sal do mar, condenava a taxação do sal imposta pelos ingleses na Índia. O gesto, primeiro solitário, ganhou adeptos cada vez em maior número e por todo canto. A história mostra que é preciso apenas agir, com determinação, no caminho que se escolheu para se mudar a realidade opressora dos governos. Ninguém precisa de sugestão ou sair esmolando ajuda para um trabalho para o qual se propôs.

Em Maricá, os libertadores do momento estão embandeirados, defendendo causas há muito hasteadas por outros. Quem ontem dormia, ou se escondia, agora parece que acordou com fome de abiscoitar as diretrizes do que outros estão fazendo há séculos, carreando de braços dados outros dorminhocos, velhos conhecidos que adotam causas, mas não largam os vínculos com governos. E pior ainda é que estão confundindo luta civil por direitos com campanha politiqueira. Fazem o jogo situacionista com ares de reivindicadores, porque querem confundir e deixar tudo como dantes quando dormiam em berço esplêndido.

Quem não sabe como o que fazer diante de determinadas situações é porque nunca pensou seriamente nelas. Quem pede sugestões é porque não tem idéias, ou quer mesmo apadrinhar as alheias. Quem repete o palavrório politiqueiro de que as denúncias podem se tornar vazias ou esquecidas deveria pensar melhor, ou no mínimo ter inteligência suficiente para não cair de quatro, e de vez.

Maricá não precisa de prolixos e oradores, que com o palavrório só enganam os incautos. É preciso de gente que aceite limpar a sujeira mesmo que essa caia sobre vizinhos e amigos. Varrer a imundície é prioridade mesmo até que doa no próprio bolso. Virar a casaca, jamais! Ou se vai deixar para as gerações um legado de podridão, de covardia, de acomodação, de cumplicidade com os mais imbecis. Derramar lágrimas depois para apagar o fogo dos infernos, não adianta. O diabo goza com a cara dos bobalhões.