Mohandas Karamchand
Gandhi andou mais de 200 km, durante 24 dias, para apanhar a água
do mar. A sua desobediência civil, em forma de satyagraha, recolhendo
sal do mar, condenava a taxação do sal imposta pelos ingleses na Índia.
O gesto, primeiro solitário, ganhou adeptos cada vez em maior número
e por todo canto. A história mostra que é preciso apenas agir, com
determinação, no caminho que se escolheu para se mudar a realidade
opressora dos governos. Ninguém precisa de sugestão ou sair esmolando
ajuda para um trabalho para o qual se propôs.
Em Maricá, os libertadores do momento estão embandeirados, defendendo
causas há muito hasteadas por outros. Quem ontem dormia, ou se escondia,
agora parece que acordou com fome de abiscoitar as diretrizes do que
outros estão fazendo há séculos, carreando de braços dados outros
dorminhocos, velhos conhecidos que adotam causas, mas não largam os
vínculos com governos. E pior ainda é que estão confundindo luta civil
por direitos com campanha politiqueira. Fazem o jogo situacionista
com ares de reivindicadores, porque querem confundir e deixar tudo
como dantes quando dormiam em berço esplêndido.
Quem não sabe como o que fazer diante de determinadas situações é
porque nunca pensou seriamente nelas. Quem pede sugestões é porque
não tem idéias, ou quer mesmo apadrinhar as alheias. Quem repete o
palavrório politiqueiro de que as denúncias podem se tornar vazias
ou esquecidas deveria pensar melhor, ou no mínimo ter inteligência
suficiente para não cair de quatro, e de vez.
Maricá não precisa de prolixos e oradores, que com o palavrório só
enganam os incautos. É preciso de gente que aceite limpar a sujeira
mesmo que essa caia sobre vizinhos e amigos. Varrer a imundície é
prioridade mesmo até que doa no próprio bolso. Virar a casaca, jamais!
Ou se vai deixar para as gerações um legado de podridão, de covardia,
de acomodação, de cumplicidade com os mais imbecis. Derramar lágrimas
depois para apagar o fogo dos infernos, não adianta. O diabo goza
com a cara dos bobalhões. |