A Câmara aprovou
na terça-feira o Plano Nacional de Cultura (o Projeto de Lei nº 6.835/2006)
tornando a política cultural uma política de Estado e consolidando
pela primeira vez, no país, um planejamento de médio e longo prazo.
No plano municipal, a emenda constitucional (PEC) 150/2003 determina
que 1% da receita seja destinada ao setor. A aprovação ocorreu dois
dias após o encerramento da II Conferência Nacional de Cultura, que
elegeu as 32 prioridades que nortearão as políticas públicas na área.
Maricá não teve representante na conferência e só conseguiu a muito
custo promover uma conferência municipal, que foi um fiasco, e nunca
implementou o Conselho Municipal de Cultura. Como se vê o município
não reza pela cartilha do ministro Juca Ferreira, para quem "todas
as outras pastas são importantes, mas nada se realiza sem cultura".
Quando aqui se fala em cultura, dá urticária em muita gente. O tratamento
local para ela é do descaso, do desleixo, da apropriação indébita
do termo para promover shows e festas ou destruir.
Foi demolido o prédio da biblioteca municipal, alegando infiltração
(?), para se construir o elefante branco de um anfiteatro, que serviu
para raras manifestações políticas e hoje alberga mendigos. Sob a
monstruosidade, enfiaram a biblioteca, hoje com infiltrações, depois
de sucateada com livros descartados e vendidos em outros municípios.
O caso poucas vozes teve como denunciantes, mas até críticos no próprio
governo, sob o silêncio da imprensa local e dos vereadores da época.
No atual governo, cultura virou sinônimo de esbórnia. Hastearam com
orgulho de inconsequentes a bandeira de realizarem mais festas em
um ano do que em quatro. Conseguiram a proeza de embebedar a poesia!
Não fizeram nada por incompetência e uma monstruosa falta de cultura
do próprio governante, para quem o termo significa apenas beber no
Erário.
Agora com o sacode nos secretários, o mestre da cultura decide que
tudo estava errado e, de cara, promete... mais festas. Segundo uma
entrevista do prefeito divulgada na internet, até já montou equipe
(será a empresa do indicado para o cargo?) para promover um Carnaval
fora de época, em setembro. Talvez, seja o "Micaretão do Brasil".
Afinal tudo é grande neste governo desde os rombos. Em momento algum
pensou em algo sério e importante para a cultural. Seria demais para
tão escassa massa cinzenta, ainda embriagada pelo poder.
Para completar o crime, deve criar a supersecretaria do 3 em 1, juntando
Turismo, Cultura e Fundação Cultural. Misturar tudo numa patada será
o retrocesso comum em cabeça de bagre. Com a nova lei, será entregar
1% do orçamento para gastar à vontade em festas, quando deveria ser
empregado no implemento da cultura junto à população.
Como não tem quadro funcional, e nunca teve, para preencher os cargos,
agora cogita recrutar quem usou em 2009, quando aproveitou o evento
privado do empresariado, produzido pelo indicado, para plataforma
política de madame Z.
A ascensão também deve implicar na ressurreição de conhecido camelô
cultural, que saiu corrido ainda do próprio governo no ano passado.
Imposto ao ex-secretário, já foi pra rua há tempos, mas deve retornar
junto com seu defensor de velhos tempos. Ou seja, estamos prestes
a ver o governo trocar seis por meia dúzia. E a gente, em particular
os jovens e os idosos, ... vai levando! |