16/09/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
OUVIDOS MOUCOS DE UMA IMPRENSA DE CARTEIRADA
Os coleguinhas e as coleguinhas, reunidos na semana passada, na Casa do Povo, mostraram com toda a desfaçatez que foram mesmo abençoados pelo desgoverno maricaense, pois ganharam até as páginas do site da Prefeitura como se fosse mais um gesto da administração petista. E não estão errados, pois a criação de uma Associação de Imprensa, no município, se caracterizou pela adesão em bloco dos capachos do governo, que se autodenominam jornalistas, sob as bênçãos de seus patrões executivos e legislativos. Prestigiaram o evento lambe-lambe oficial do candidato Quaquá, em 2008, e ex-chefe de gabinete de vereador, hoje guindado à direção da Câmara; a assessora de imprensa do Legislativo municipal, agora também acumulando uma subsecretaria na Cultura, além de ter coluna social em outro veículo apoiado pelo governo; a secretária de Comunicação, que editava uma revistinha mambembe, hoje ungida pelo petismo.
Logicamente não faltou ao encontro o editor do jornal escandalosamente dedicado a exaltar a candidatura de madame Z e de seu marido 171. Articulador da associação, o celestino jornalista foi saudado como "profissional que sabe agregar pessoas e projetos", o que nitidamente se vê por suas estreitas relações, nem um pouco transparentes, com o governo. Com ele, foi ainda o seu subeditor, recentemente presenteado com o cargo de gerente executivo da Assessoria de Comunicação municipal. (A cara de pau é tanta que até assinou o release da Prefeitura, que seus camaradinhas reproduziram)
O alto clero da imprensa (ugh!!!) maricaense, portanto, está na mão do governo num desrespeito a qualquer ética ou moral. Todos prestes, com outros que não compareceram, como comissionados que agora trabalham também para jornal diário na cidade, a se omitirem quanto ao descaso e só exaltarem as promessas milagrosas.
Sob inspiração da nova ditadura da informação, que vem se implantando através dos moldes tiranos - nem um pouco diferentes dos adotados na Rússia do Pravda ou na Alemanha nazista - esse grupo, sem registro, escandalosamente fala de união e confraternização como se tudo fosse natural e, o que se estranha, legal à beça!!! Os outros camaradinhas aceitam com uma estúpida, senão criminosa, conivência, porque aceitam passivamente terem omissos, nunca profissionais, como companheiros. E muitos ainda querem defender a liberdade para a imprensa, quando vemos claramente que a maior parte dos que se dirão "fundadores" não passa de cúmplices da corrupção, uma vez que têm como lema a omissão.
Cara pálida, liberdade com esse grupo é abrir espaço para favorecimento. Esquecem que a imprensa daqui segue a inspiração da madame candidata à Alerj, por sinal a patroa de grande parte dos coleguinhas. Tão boa patroa, fez grande parte comer de mão em 2009, quando pagou almoço em restaurante fino para muitos deles, no Rio, num tempo em que articulava sorrateiramente a compra de todos por anúncio institucional. Não à toa rezam diariamente com a musiquinha de campanha: "Nessa você pode confiar".
Por favor, como pessoas, respeitem ao menos os mortos, milhares e milhares deles no Brasil. Jornalistas do princípio ao fim e nunca se guiaram pela cartilha da omissão; tiveram como princípio moral a informação, nunca o release da mentira. Usar o título honroso de jornalista para manter seu ganha-pão a qualquer custo vai até mesmo contra o que o convidado aqui falou, ou esqueceram? "O mais importante é o respeito profissional e a confiança dos clientes, sejam governos ou empresas, através de um trabalho ético, da união e da representação de classe".
Falou bonito para ouvidos moucos, que são avessos à ética ou representação de classe, porque não as têm.