Com um olho no próprio
umbigo e outro nos futuros prêmios que possam amealhar, um grupo que
se diz cultural surge embandeirado para "libertar" a Cultura em Maricá.
A panelinha volta a atuar depois que alguns de seus membros deixaram
o governo petista, onde tiveram uma boquinha, ou por quem foram afagados
com mais títulos pelos "amiguinhos" como o ex-secretário e a ex-presidente
da Fundação de Cultura, que nunca presidiu nada porque não existiu
realmente a instituição, nem foi nomeada.
Em autos elogios, como se só eles sejam os craques no assunto no município,
conseguem num texto pessimamente escrito a maravilha de enfiar num
mesmo saco, entre as vocações e identidades culturais, esportes como
karatê e kung fu, a produção de orquídeas, festas religiosas e até
encontro de motociclistas! Mas não souberam informar que há 12 anos
acontece o Festival de Voz e Violão, reconhecido nacionalmente, além
de também esquecerem as realizações anteriores quando ainda não tinham
aqui pousado seus circos. Passaram ainda em branco nomes da MPB, da
literatura brasileira, do teatro, do cinema, que aqui viveram ou mesmo
nasceram. Como se pode confiar em agentes culturais que nem mesmo
conseguem qualificar cultura, misturando a lâmpada de Aladim, a lamparina
nordestina e a lanterna do R$ 1,99? Quem lida no setor deveria ao
menos ter mais conhecimento sobre o que se faz e se fez..
O documento mostra como manipulam dados, escondem acontecimentos,
orquestram as próprias realizações para aparecerem bem na foto oficial.
E como citam números sem a menor legitimidade. Há, para eles, um escritor
para cada 666 habitantes; um artesão para cada 500 pessoas; e um artista
plástico para cada 600. É tanta cultura espalhada pelas ruas, segundo
os números exorbitantes, que fica-se até com vergonha de outras cidades
como Rio ou São Paulo, que proporcionalmente sequer chegam aos pés
da cultíssima Maricá, pavimentada pelos escritores, artistas, artesãos,
músicos.
São esses os mágicos, que silenciaram sempre quando a Cultura no município
era manietada e estuprada, e agora destacam sua presença no item gestão
e institucionalidade, na maior cara de pau. São os que só aparecem
fazendo relatórios para "investimentos", mas se calam quando os equipamentos
culturais do município são vandalizados. Sequer alguma vez tiveram
o trabalho de denunciar o estado dos prédios públicos, mexer-se em
defesa do patrimônio cultural, invadido por mendigos, pelas infiltrações
na biblioteca municipal, pelos grafiteiros, pelo próprio governo estendendo
propaganda no patrimônio municipal.
Apesar de citar a si próprios como Pontos de Leitura, mais uma vez
jogam os livros para escanteio. Não sabem o nome da biblioteca municipal
nem revelam que bibliotecas comunitárias são essas três - se incluírem
uma que vende livros e até xerox de obras e outra que é minilocadora,
não vale. Tocam de orelha o incentivo à leitura com a petulância dos
ignorantes. .
Falam de boca cheia em três editoras (?), mas solenemente esquecem
as três livrarias, duas delas com histórico bem mais social dentro
da cultura do que os tais pontos badaladíssimos pelos que gostam de
aparecer. Uma promove sessões de autógrafos e eventos de leitura;
a outra já realizou doações de livros para formação de bibliotecas
aqui e fora do município, premia estudantes leitores, e ainda produz,
às próprias custas, um jornal cultural, elogiado no país. Ambas, ao
seu modo, cumprem a função social, reconhecida desde os tempos dos
Césares, nunca precisando de boquinha em governo para divulgar a leitura
e o livro.
O documento divulgado na internet serve apenas para colocar em manchete
seus próprios títulos e "realizações". É impossível que tais gestores,
autodenominados, não saibam ainda quem está na área de cultura. Ou
é inconveniente saber, ou pouco ligam para quem já atua no setor com
competência e nenhuma gula por medalhinhas. De certo mesmo, é que
para eles parece que fora da panelinha não há salvação. Quem assim
abusa da Cultura para ser best-seller, receber prêmios, ganhar mesada
de governos, não passa de reles barraqueiro de calçada. Com direito
à abóbora pendurada no pescoço, é claro. |