16/06/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
MARICÁ METE A CULTURA NUM SACO DE GATOS
Com um olho no próprio umbigo e outro nos futuros prêmios que possam amealhar, um grupo que se diz cultural surge embandeirado para "libertar" a Cultura em Maricá. A panelinha volta a atuar depois que alguns de seus membros deixaram o governo petista, onde tiveram uma boquinha, ou por quem foram afagados com mais títulos pelos "amiguinhos" como o ex-secretário e a ex-presidente da Fundação de Cultura, que nunca presidiu nada porque não existiu realmente a instituição, nem foi nomeada.

Em autos elogios, como se só eles sejam os craques no assunto no município, conseguem num texto pessimamente escrito a maravilha de enfiar num mesmo saco, entre as vocações e identidades culturais, esportes como karatê e kung fu, a produção de orquídeas, festas religiosas e até encontro de motociclistas! Mas não souberam informar que há 12 anos acontece o Festival de Voz e Violão, reconhecido nacionalmente, além de também esquecerem as realizações anteriores quando ainda não tinham aqui pousado seus circos. Passaram ainda em branco nomes da MPB, da literatura brasileira, do teatro, do cinema, que aqui viveram ou mesmo nasceram. Como se pode confiar em agentes culturais que nem mesmo conseguem qualificar cultura, misturando a lâmpada de Aladim, a lamparina nordestina e a lanterna do R$ 1,99? Quem lida no setor deveria ao menos ter mais conhecimento sobre o que se faz e se fez..

O documento mostra como manipulam dados, escondem acontecimentos, orquestram as próprias realizações para aparecerem bem na foto oficial. E como citam números sem a menor legitimidade. Há, para eles, um escritor para cada 666 habitantes; um artesão para cada 500 pessoas; e um artista plástico para cada 600. É tanta cultura espalhada pelas ruas, segundo os números exorbitantes, que fica-se até com vergonha de outras cidades como Rio ou São Paulo, que proporcionalmente sequer chegam aos pés da cultíssima Maricá, pavimentada pelos escritores, artistas, artesãos, músicos.

São esses os mágicos, que silenciaram sempre quando a Cultura no município era manietada e estuprada, e agora destacam sua presença no item gestão e institucionalidade, na maior cara de pau. São os que só aparecem fazendo relatórios para "investimentos", mas se calam quando os equipamentos culturais do município são vandalizados. Sequer alguma vez tiveram o trabalho de denunciar o estado dos prédios públicos, mexer-se em defesa do patrimônio cultural, invadido por mendigos, pelas infiltrações na biblioteca municipal, pelos grafiteiros, pelo próprio governo estendendo propaganda no patrimônio municipal.

Apesar de citar a si próprios como Pontos de Leitura, mais uma vez jogam os livros para escanteio. Não sabem o nome da biblioteca municipal nem revelam que bibliotecas comunitárias são essas três - se incluírem uma que vende livros e até xerox de obras e outra que é minilocadora, não vale. Tocam de orelha o incentivo à leitura com a petulância dos ignorantes. .

Falam de boca cheia em três editoras (?), mas solenemente esquecem as três livrarias, duas delas com histórico bem mais social dentro da cultura do que os tais pontos badaladíssimos pelos que gostam de aparecer. Uma promove sessões de autógrafos e eventos de leitura; a outra já realizou doações de livros para formação de bibliotecas aqui e fora do município, premia estudantes leitores, e ainda produz, às próprias custas, um jornal cultural, elogiado no país. Ambas, ao seu modo, cumprem a função social, reconhecida desde os tempos dos Césares, nunca precisando de boquinha em governo para divulgar a leitura e o livro.

O documento divulgado na internet serve apenas para colocar em manchete seus próprios títulos e "realizações". É impossível que tais gestores, autodenominados, não saibam ainda quem está na área de cultura. Ou é inconveniente saber, ou pouco ligam para quem já atua no setor com competência e nenhuma gula por medalhinhas. De certo mesmo, é que para eles parece que fora da panelinha não há salvação. Quem assim abusa da Cultura para ser best-seller, receber prêmios, ganhar mesada de governos, não passa de reles barraqueiro de calçada. Com direito à abóbora pendurada no pescoço, é claro.