14/04/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
GOVERNO ACIONA A INDÚSTRIA DA DESGRAÇA
Depois do temporal, a Defesa Civil resolveu aparecer em Maricá. Quando mais se necessitava do órgão municipal, que pelo visto não serve para nada, estavam todos seus funcionários, quem sabe, utilizando os novos uniformes e equipamentos para atender "com mais qualidade e segurança no trabalho de recolhimento de abelhas" (veja www.marica.rj.gov.br/comunicacao/fotos/1651/a.jpg ). Há uma semana, era solicitada a presença da Defesa Civil para tomar uma solução para determinada invasão de água da lagoa, que poderia ser solucionada e impedir estragos. Até hoje nenhum elemento do governo por lá apareceu sequer para verificar os estragos ou chegou a Delta para recolher o lixo.
No entanto, a mesma Defesa Civil já apareceu nas margens da lagoa, no Parque Nancy, na segunda-feira para avisar aos moradores pobres que ali é área de risco e deviam deixar suas casas. Aí começa a indústria governamental da desgraça. Para aumentar o número de desabrigados, e injetar mais dinheiro de verbas no município, o governo está utilizando a Defesa Civil, que não fez nada quando devia, para cadastrar os mais pobres como estabelecidos em área de risco.
Chama a atenção que na mesma margem, onde há casas de classe média e até condomínio de classe média alta, nenhum desses moradores foi notificado de que precisa deixar sua casa - muitas com piscina -, mesmo ocupando áreas bem mais perigosas. Por que será que só os pobres precisam deixar suas casas, quando na mesma área outras casas bem instaladas não correm o mesmo risco?
E para não falar só em Defesa Civil que só defende o dinheiro do patrão prefeito, cadê o Inea, defensor intransigente do meio ambiente? Vai continuar a deixar as margens dos rios tomadas, ilegalmente, por casas e estabelecimentos dos chamados ricos e continuar derrubando as casas dos pobres como quer a Secretaria de Meio Ambiente do município? Quando serão liberadas, no Centro, as margens do rio Mombuca? E as do rio Ludgero? O lado pobre não precisa mais liberar, porque as águas já se encarregaram do trabalho, mas do outro lado, onde o afastamento deveria ser de mínimos 15 metros nunca foi respeitado, impedindo o trabalho das máquinas para limpeza?
O assoreamento dos rios, depois dessa tempestade, está em níveis alarmantes. Com novas águas escorrendo forte, mais terra e areia vão seguir rumo à lagoa, prejudicando ainda mais os já sofridos moradores das proximidades e até de bem longe das margens. Afinal nem mesmo a areia que desceu por todo canto e o lixo continuam no lugar de sempre, porque não há limpeza urbana.
É preciso mais do que nunca vergonha na cara para tomar atitudes sérias, e não paliativas ou de fachada. A população de Maricá deverá assumir uma atitude de cidadania e repudiar de uma vez a mordomia dos aspones, a imprensa chapa-branca, os carreiristas politiqueiros e os cabos eleitorais papa-níqueis, que só merecem o repúdio de todos. Se não interferem diretamente no drama da cidade, são ativos em esconder as mazelas governamentais em proveito próprio, que tanto fazem sofrer a população.