Depois do temporal,
a Defesa Civil resolveu aparecer em Maricá. Quando mais se necessitava
do órgão municipal, que pelo visto não serve para nada, estavam todos
seus funcionários, quem sabe, utilizando os novos uniformes e equipamentos
para atender "com mais qualidade e segurança no trabalho de recolhimento
de abelhas" (veja www.marica.rj.gov.br/comunicacao/fotos/1651/a.jpg
). Há uma semana, era solicitada a presença da Defesa Civil para tomar
uma solução para determinada invasão de água da lagoa, que poderia
ser solucionada e impedir estragos. Até hoje nenhum elemento do governo
por lá apareceu sequer para verificar os estragos ou chegou a Delta
para recolher o lixo.
No entanto, a mesma Defesa Civil já apareceu nas margens da lagoa,
no Parque Nancy, na segunda-feira para avisar aos moradores pobres
que ali é área de risco e deviam deixar suas casas. Aí começa a indústria
governamental da desgraça. Para aumentar o número de desabrigados,
e injetar mais dinheiro de verbas no município, o governo está utilizando
a Defesa Civil, que não fez nada quando devia, para cadastrar os mais
pobres como estabelecidos em área de risco.
Chama a atenção que na mesma margem, onde há casas de classe média
e até condomínio de classe média alta, nenhum desses moradores foi
notificado de que precisa deixar sua casa - muitas com piscina -,
mesmo ocupando áreas bem mais perigosas. Por que será que só os pobres
precisam deixar suas casas, quando na mesma área outras casas bem
instaladas não correm o mesmo risco?
E para não falar só em Defesa Civil que só defende o dinheiro do patrão
prefeito, cadê o Inea, defensor intransigente do meio ambiente? Vai
continuar a deixar as margens dos rios tomadas, ilegalmente, por casas
e estabelecimentos dos chamados ricos e continuar derrubando as casas
dos pobres como quer a Secretaria de Meio Ambiente do município? Quando
serão liberadas, no Centro, as margens do rio Mombuca? E as do rio
Ludgero? O lado pobre não precisa mais liberar, porque as águas já
se encarregaram do trabalho, mas do outro lado, onde o afastamento
deveria ser de mínimos 15 metros nunca foi respeitado, impedindo o
trabalho das máquinas para limpeza?
O assoreamento dos rios, depois dessa tempestade, está em níveis alarmantes.
Com novas águas escorrendo forte, mais terra e areia vão seguir rumo
à lagoa, prejudicando ainda mais os já sofridos moradores das proximidades
e até de bem longe das margens. Afinal nem mesmo a areia que desceu
por todo canto e o lixo continuam no lugar de sempre, porque não há
limpeza urbana.
É preciso mais do que nunca vergonha na cara para tomar atitudes sérias,
e não paliativas ou de fachada. A população de Maricá deverá assumir
uma atitude de cidadania e repudiar de uma vez a mordomia dos aspones,
a imprensa chapa-branca, os carreiristas politiqueiros e os cabos
eleitorais papa-níqueis, que só merecem o repúdio de todos. Se não
interferem diretamente no drama da cidade, são ativos em esconder
as mazelas governamentais em proveito próprio, que tanto fazem sofrer
a população. |