Mais uma vez Maricá
trata a cultura como uma condenada. A reportagem sobre a praça Orlando
de Barros Pimentel, que terá que ser restaurada, depois de reformada,
é mais uma revoltante demonstração de que, se os governos anteriores
não fizeram quase nada na área cultural, o prefeito de hoje trata
com o maior descaso o que se refere ao setor.
"O anfiteatro não tem utilização satisfatória. A biblioteca possui
várias infiltrações, é um ambiente sem ventilação adequada, úmido".
Quem assim fala sequer alguma vez levantou a voz, quando era oposição,
para reclamar da demolição do antigo prédio da biblioteca para ali
se erguer a obra digna dos Césares, como o governo Queiroz prenunciava,
num genocídio cultural, que só penalizaria o município. Abriram uma
cratera onde estava um simples prédio e levantaram um mastodonte disforme
para enfiar no "porão" a biblioteca.
Na época, o tresloucado oposicionista Quaquá ficou caladinho, porque
de cultura não entende nada como de resto é um zero à esquerda. Poucas
vozes se levantaram contra o crime, que iria descaracterizar a praça,
inclusive o prédio histórico da Casa de Cultura. A imprensa, sempre
acomodada e complacente, preferiu elogiar a reforma em vez de condenar
o crime.
Anos depois é revelado o que já se sabia e se condenou: as reformas
de Queiroz desrespeitaram o Patrimônio. Um prato cheio que os petistas
no governo aproveitam para se fazerem de defensores de prédios que
nunca respeitaram. A Casa de Cultura serviu sempre de outdoor para
as faixas de governo e, há meses, continua com suas paredes brancas
grafitadas com palavrões. Sem contar que o antigo espelho de água
que circunda a construção do século XIX, sempre condenado, foi transformado
pelo atual governo em jardineira, bem mais próximo do pasto de onde
vieram.
Para por tudo em ordem, vão transferir a Casa do Futuro, que não fazia
mesmo sentido estar ali e é construção desmontável. E vai se demolir
o conjunto anfiteatro-biblioteca, que praticamente nunca serviu para
nada e custou na época, segundo a Prefeitura, R$ 350 mil, hoje jogados
fora.
O inconseqüente prefeito fala na maior desfaçatez que o anfiteatro
não teve utilização satisfatória, mas serviu até bem pouco tempo para
abrigar seus espetáculos promocionais e até de abrigo para mendigos
vindos de fora. Sem conservação, sem proteção, foi deixado aos grafiteiros.
Se não bem utilizado, isso foi obra de governos incapazes tanto o
de ontem como o de hoje, que deveriam cuidar das construções públicas
e dar a elas a melhor destinação, não fazendo delas uma latrina de
suas ambições politiqueiras.
O caso da biblioteca é crime denunciado, mas que teve em sua demolição
o apoio do então líder do governo, Jorge Castor, defensor de um novo
prédio, porque o antigo sofria com infiltrações como se fosse demolir
qualquer casa só por causa de infiltração. O motivo é o mesmo de agora,
que seria resolvido por governos capazes, mas agora pretendem até
2012 enfiar os livros sabe-se lá onde. Os incapazes de hoje sequer
sabem onde poderão agora construir, e com que dinheiro, um novo prédio
para a biblioteca, desde sua abertura entregue aos pingos de água.
Estamos diante de mais um governo que criminaliza os livros com a
mais deslavada hipocrisia que deixa no chinelo a nazista Schutzstaffel
("Tropa de Proteção" ou SS). Para atacar um governo anterior, serve
até mesmo se destruir uma biblioteca. A cultura e a educação de uma
população que se lixem. |