12/08/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
PRAÇA JÁ FOI DO POVO, MAS VIROU JOGUETE DE GOVERNOS
Mais uma vez Maricá trata a cultura como uma condenada. A reportagem sobre a praça Orlando de Barros Pimentel, que terá que ser restaurada, depois de reformada, é mais uma revoltante demonstração de que, se os governos anteriores não fizeram quase nada na área cultural, o prefeito de hoje trata com o maior descaso o que se refere ao setor.

"O anfiteatro não tem utilização satisfatória. A biblioteca possui várias infiltrações, é um ambiente sem ventilação adequada, úmido". Quem assim fala sequer alguma vez levantou a voz, quando era oposição, para reclamar da demolição do antigo prédio da biblioteca para ali se erguer a obra digna dos Césares, como o governo Queiroz prenunciava, num genocídio cultural, que só penalizaria o município. Abriram uma cratera onde estava um simples prédio e levantaram um mastodonte disforme para enfiar no "porão" a biblioteca.

Na época, o tresloucado oposicionista Quaquá ficou caladinho, porque de cultura não entende nada como de resto é um zero à esquerda. Poucas vozes se levantaram contra o crime, que iria descaracterizar a praça, inclusive o prédio histórico da Casa de Cultura. A imprensa, sempre acomodada e complacente, preferiu elogiar a reforma em vez de condenar o crime.

Anos depois é revelado o que já se sabia e se condenou: as reformas de Queiroz desrespeitaram o Patrimônio. Um prato cheio que os petistas no governo aproveitam para se fazerem de defensores de prédios que nunca respeitaram. A Casa de Cultura serviu sempre de outdoor para as faixas de governo e, há meses, continua com suas paredes brancas grafitadas com palavrões. Sem contar que o antigo espelho de água que circunda a construção do século XIX, sempre condenado, foi transformado pelo atual governo em jardineira, bem mais próximo do pasto de onde vieram.

Para por tudo em ordem, vão transferir a Casa do Futuro, que não fazia mesmo sentido estar ali e é construção desmontável. E vai se demolir o conjunto anfiteatro-biblioteca, que praticamente nunca serviu para nada e custou na época, segundo a Prefeitura, R$ 350 mil, hoje jogados fora.

O inconseqüente prefeito fala na maior desfaçatez que o anfiteatro não teve utilização satisfatória, mas serviu até bem pouco tempo para abrigar seus espetáculos promocionais e até de abrigo para mendigos vindos de fora. Sem conservação, sem proteção, foi deixado aos grafiteiros. Se não bem utilizado, isso foi obra de governos incapazes tanto o de ontem como o de hoje, que deveriam cuidar das construções públicas e dar a elas a melhor destinação, não fazendo delas uma latrina de suas ambições politiqueiras.

O caso da biblioteca é crime denunciado, mas que teve em sua demolição o apoio do então líder do governo, Jorge Castor, defensor de um novo prédio, porque o antigo sofria com infiltrações como se fosse demolir qualquer casa só por causa de infiltração. O motivo é o mesmo de agora, que seria resolvido por governos capazes, mas agora pretendem até 2012 enfiar os livros sabe-se lá onde. Os incapazes de hoje sequer sabem onde poderão agora construir, e com que dinheiro, um novo prédio para a biblioteca, desde sua abertura entregue aos pingos de água.

Estamos diante de mais um governo que criminaliza os livros com a mais deslavada hipocrisia que deixa no chinelo a nazista Schutzstaffel ("Tropa de Proteção" ou SS). Para atacar um governo anterior, serve até mesmo se destruir uma biblioteca. A cultura e a educação de uma população que se lixem.