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O
MORRO DO BUMBA TAMBÉM É AQUI
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Foram-se
as águas, restaram a sujeira nas ruas e a lama política. Depois
do sofrimento, da angústia, os cidadãos assistem com raiva
às fotos dos políticos em sorrisos coniventes, surgindo do
ar como salvadores do que restou. Ninguém lembra, e os políticos,
governantes, administradores públicos e até a própria mídia
preferem esquecer - se edita até a vaia ao governador Sérgio
Cabral para ninguém ouvir -, a dinheirama investida na (in)Defesa
Civil, nos programas de limpeza de rios e canais, na solução
de problemas de infraestrutura. As moedas que evitariam o
sofrimento pagaram apenas a boa vida dos criminosos de sempre.
Mais uma vez os governos de ontem e de hoje querem consolar
as suas vítimas. A ganância de poder e dinheiro fez com que
a privacidade dos lares fosse invadida pelas águas, pelo lixo,
pela podridão. Ou não será invasão de privacidade crime quando
cometido pelos governantes quando as casas são invadidas,
porque aqueles pagos pelo povo deixaram de fazer a limpeza
correta de rios e canais, a coleta de lixo, ou o desassoreamento
das lagoas? Uma casa, seja de que tamanho for, é sempre o
recanto mais sagrado do cidadão e sua invasão, mesmo pelas
águas, é crime quando poderia ser evitada pelas ações governamentais.
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O que se dirá do
genocídio cometido no morro do Bumba, um antigo lixão monstruoso,
onde o Poder Público permitiu que para lá se levasse água, luz, se
instalassem igrejas, creches, como num bairro popular como outro qualquer?
Hoje, aparecem todos em sorrisos, como salvadores de uma terra arrasada.
Vão catar mais dinheiro para, em nome dos desabrigados, dos desalojados,
dos mortos, resolver problemas que nunca querem resolver, porque estão
interessados, neste ano eleitoral, em arrumar a vida, conquistar os
votos que garantam a boa vida que levam, imunes às chuvas e à Justiça.
E aparecer como santo protetor rende mais imóveis e o sustento, à
larga, das suas famílias. Pouco importa a eles se o bem estar que
exibem seja à custa de sofrimento ou da morte dos outros.
Maricá é o próprio Bumba à beira das lagoas. Governos de ontem enfiaram
a mão no dinheiro para projetos salvadores que não passaram de engodo
como o conhecido Maricá-Veneza. A limpeza dos rios e canais se limitou
à foz. Os mais ricos, ou integrantes do governo, ainda continuam a
manter, ilegalmente, moradias à beira dos rios, desrespeitando a legislação
sobre as margens, evitando assim que se faça um desassoreamento correto.
A Prefeitura, por todo o sempre, "legalizou" o que não era para se
legalizar, ou hoje fecha os olhos para os aterramentos das margens
ou para a montanha de esgotos diariamente despejados nas lagoas, reduzindo
ainda mais a já pequena profundidade. Ou seja, o próprio governo legaliza
seus crimes que sempre rende um lucro seja em dinheiro de verbas ou
em manutenção nos cargos sem que Inea ou outros órgãos de fiscalização
apareçam para multar ou mesmo prender os infratores governamentais.
Outra vez, com a desgraça, vemos os mesmos e os políticos de sempre
correrem a sacolinha, sempre inflacionada, para em nome dos sofredores
encherem a burra. Que se veja o caso da ponte da Mombuca, agora interditada,
que deveria receber R$ 300 mil, segundo notícia de outubro (www.gazetarj.com.br/tag/marica/),
para sua duplicação, agora vai precisar dez vezes mais para sua "reconstrução",
conforme anuncia a Prefeitura. Essa é a política dos administradores
brasileiros, que mais uma vez fazem da desgraça alheia um benefício
próprio, sob os olhares complacentes de órgãos ambientais e com o
apadrinhamento da mídia, sempre fugindo ao debate para que suas cotas,
ou empregos governamentais, não escoem pelo ralo. E haja moeda para
descer redonda na goela da dessa monstruosa democracia brasileira!
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