12/03/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
SECRETÁRIO JOGA AREIA NO CIDADÃO E DEFENDE MINERADORAS!?

Governo, entre outras obrigações, deve investigar qualquer denúncia feita pelo cidadão. Prejulgar fatos, nunca. No entanto, o secretário do Meio Ambiente de Maricá pulou nas tamancas e saiu, rapidinho, em defesa das mineradoras denunciadas na internet por roubo de areia, quando seu primeiro gesto seria anunciar uma investigação dos fatos (http://roselypellegrino.wordpress.com/2010/03/12/resposta-do-secretrio-a-denncia-vazia-e-irresponsvel-de-roubo-de-areia-em-maric/). Dizer que documentos públicos conferem legalidade de funcionamento não quer dizer que não são cometidas ilegalidades. O próprio governo, do qual é integrante, está legal por uma eleição, mas ainda assim comete atos indevidos, que foram publicados no Jornal Oficial de Maricá e estão sob investigação no Ministério Público.

O secretário devia ficar calado e investigar, revelando os resultados à imprensa e no próprio site governamental. Publicar tal texto no blog pessoal da assessora de imprensa da Câmara é uma ilegalidade moral e ética dando foro de divulgação privilegiada a integrante do próprio governo. O uso indevido do blog ainda coloca a Câmara como mero acessório do Executivo, e não Poder independente. Assim, a Casa do Povo vira Casa da Mãe Joana e o gesto do secretário desrespeita até os vereadores, por uso indevido de funcionário da Casa.

Condenar um e-mail, enviado a tantas autoridades, como "denúncia vazia" sem apurar fatos, é ato indigno de quem recebe para defender o cidadão, o que em nenhum momento foi feito em sua "resposta" destrambelhada pela internet. E ainda o digníssimo ameaça levar o denunciante, por "atos ilegais", à Delegacia de Combate a Crimes Virtuais. E a quem vai denunciar o roubo de areia? O secretário garante de pés juntos que não existe? Ou basta ter documento da Prefeitura que tudo se faz na legalidade?

Não é a primeira vez que o secretário tropeça nas próprias ações. No ano passado, em nome do "choque de ordem", colocou todos os funcionários da secretaria na rua para entregar cartas intimidatórias principalmente aos comerciantes. O documento anunciava a retirada das placas comerciais e multa se não legalizassem imediatamente a instalação das mesmas, logicamente pagando uma taxa até de retirada. O que seria uma orientação, se tornou uma ação intimidadora sob o seu comando, como são todas as ações do governo popular que integra.

Como consequência da "denúncia vazia", metáfora para o popular onde a fumaça há fogo, outras denúncias já estão pipocando sobre o caso, até no mesmo blog, quando o caso não é novidade. Em janeiro, o professor de Geografia, Vicente Moro (http://www.viniciusmoro.adm.br/2010/01/25/problemas-do-complexo-lagunar-de-marica-sao/#comments), fez a mesma denúncia só que não ganhou divulgação. "Estão saindo 170 caminhões de areia por dia da Fazenda São Bento da Lagoa em São José para as obras do COMPERJ. Lá eles deixam imensas crateras, dignas da Vale do Rio Doce". O mesmo professor, em outro post (http://www.viniciusmoro.adm.br/2010/01/24/como-e-o-processo-de-despoluicao-de-uma-lagoa/), afirmou: "(...) fiscalizar o roubo de areia (que é mais sério do que muitos pensam e iria "mexer" com muita gente perigosa)". Com tanta denúncia pipocando, e até de gente de família de tradição política no município, talvez o secretário trabalhe no que é pago para fazer: fiscalizar, investigar e punir os infratores do meio ambiente, que no e-mail divulgado não são apenas as mineradoras.

Como "turista", o secretário não deve saber que Maricá é uma "exportadora" de areia há mais de 70 anos. Não à toa, em 1943, Lúcio Tomé Feteira fundou a Companhia Vidreira do Brasil, instalada nas terras da atual APA de Maricá, e nos anos 50 houve muito roubo de areia de Itaipuaçu, considerada única no mundo em sua qualidade. E hoje as "minas" de areia se espalham até em beira de rio, local privilegiado para se instalar edificações de políticos influentes.

O cidadão espera que com a mesma agilidade que se montou o "circo" das falsas pistas de pouso do narcotráfico, na APA, para aviões de duas rodas (?) e limpeza de cemitério de carros com mais de 20 anos no local, os órgãos do Meio Ambiente, em particular estaduais e federais, tomem um choque de fiscalização e evitem mais crimes ambientais em Maricá. Deixar nas mãos municipais, como se vê, é um estrago em todos os sentidos com o secretário, como "autoridade", ameaçando o cidadão.

Em tempos de ditadura, o PT diria que isso é uma Republiqueta de Bananas, em grande estilo caiçara. Não está longe da verdade hoje, quando governa com o marrequismo eleitoreiro como caçador de cidadãos que fazem denúncias.