Os vereadores "imexíveis"
estão anunciando que, agora, vão correr atrás das medidas que os manifestantes,
no dia 3 de maio, clamaram diante da Câmara contra a corrupção em
todos os Poderes municipais. Segundo a imprensa, vão se "mexer" para
pedir informações ao Executivo sobre uma série de irregularidades,
apesar do enorme atraso no trabalho. Há mais de um ano se solicita
que eles trabalhem para justificar seus ganhos. No entanto, preferiram
durante todo este tempo a boa vida de come e dorme sem sequer, nas
horas privadas, lerem o Jornal Oficial de Maricá, caixa registradora
das falcatruas governamentais. Agora dizem que acordaram das mordomias
e vão à luta. Pelo fedor das promessas, é mais um caso de ilusionismo
ou um traque político para tontear a população.
O que chama a atenção é que os mesmos vereadores, depois de tanto
anunciarem pedidos de informações sobre um conjunto de irregularidades,
numa Ouvidoria de vitrine, retomem o discurso gasto para responder
às manifestações. Não faltam entrevistas em que confessam, como ingênuos,
que não conseguem nenhum dado do governo municipal. Como, agora, com
as comissões formadas desde o ano passado, sem anunciar nenhum resultado,
vão de uma hora para outra ter em mãos dados e documentos? Terão ao
menos guardado os exemplares do JOM para verem, por exemplo, que o
site da própria Câmara custa um terço do Portal Brasil, do governo
federal, e está registrado em nome de pessoa física, além de ser comercial?
Os vereadores estão dando uma reboladinha, porque vem aí o 26 de maio.
É a data da festança anual da Câmara, quando esbanjam na esbórnia
"cívica". No ano passado entregaram medalhas pra cachorro. Todo mundo
ganhou título de cidadão, medalhinha, estrelinha, honra ao mérito,
bottom, santinho, diploma etc. A farra rolou redonda como moeda de
pobre para pagar festa de rico. Este ano, talvez mais contidos, sem
tanto deputado e prefeito amigo do peito - tem gente sob suspeita
do MP - para receber flores, até não haja o esbanjamento de um ginásio
lotado como em 2009 para a boca livre e bolso cheio. As fotos daquele
ano mostram uma versão caiçara das reuniões de Al Capone em Havana,
reduto onde investiam seus ganhos fraudulentos.
Do jeito que a política de Maricá cambaleia, resta-nos torcer por
um Elliot Ness que saiba português para ler o JOM e, assim, explicar
onde há falcatruas aos vereadores intocáveis.
"As pessoas não compreendem que podemos melhorar a vida das pessoas
com sabedoria" |