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Parece até título
de filme, dirigido por John Sturges, mas não passa de uma tragicomédia
de pastelão. Os protagonistas são os mesmos de sempre: os caricatos
vereadores com seu bonde de apadrinhados numa gaiola de ouro e o
destrambelhado governo com seu regimento de incapazes. O esquemão
que tomou conta da política municipal, infestada pela canalha, que
adora aparecer na sacada da Câmara, é mais uma excrescência fomentada
por quem há muito vem levando para o fundo do poço o município.
Aquela piada de "Aqui o povo governa", defendida por muitos candidatos
que agora lá estão, foi bem desmascarada na última manifestação,
quando devidamente protegidos por patamos da PM e carros da Guarda
Municipal se encastelaram no prédio como autoridades celestiais
com medo da população. Assaltaram a Casa do Povo para transformar
o prédio em fortaleza da imoralidade. Para lá se trancafiaram, a
fim de se protegerem pela imunidade e esconderem a podridão, a irresponsabilidade,
as falcatruas, que obram por todo o município, inclusive lá dentro,
como no caso do milionário portal na internet que não vale nem R$
20 mil e custou quase R$ 3 milhões.
Numa crise de confiança que se alastra pelo município, sem que haja
qualquer liderança, porque falta dignidade na política municipal,
os vereadores resolveram rasgar a Lei Orgânica e imputar à população
a responsabilidade de fiscalizar os atos do governo. A responsabilidade
devia ser deles, muito bem pagos que são a R$ 565 por sessão. Se
não querem trabalhar, o troco se dará nas urnas ou na Justiça, mas
as denúncias estão estampadas por todo canto e à vista desses mesmos
edis. Ou eles não enxergam ao menos o estado deplorável das ruas?
Afinal não são anjos para pairarem nos céus, mas meros imorais.
Incomodados com as manifestações contra a corrupção, o descaso governamental,
pedindo o impeachment do prefeito, responderam com a conhecida truculência
das aberrações mentais. Alguns inclusive subiram já em caixote de
boteco para anunciar medidas de fiscalização que todos sabem que
são mais palavras jogadas ao vento. Ninguém esquece que, nas últimas
chuvas, todos sumiram e uns resolveram aparecer apenas para as fotos
da abertura do canal da Barra, tentando angariar futuros votos que
já foram levados há muito pelas águas.
Com a sinecura garantida, pretendem empurrar com a barriga, cada
vez mais gorda da boa vida que levam, a situação dramática do município
violentado em sua Constituição, na economia, nas obras públicas,
na educação, na saúde. Para isso, estão transformando uma instituição
de defesa do povo em mero apêndice do Executivo. O município que
arque com os altos custos de uma máquina pública inflada, superfaturada
e totalmente voltada para os interesses de eleger a primeira madame.
Cada vez mais os políticos, vereadores ou os que estão nas boquinhas,
ficam em cima do muro esperando o resultado das ações da população,
das denúncias nos jornais e na internet. Lavam as mãos de suas obrigações,
assumidas e consagradas pelo voto. A principal delas é fiscalizar,
inclusive dentro da própria Câmara, quem causa prejuízos ao Erário.
Nenhum povo escolhe representante para ficar discutindo nome de
rua, para quem vai dar medalha ou se irritar com as críticas. A
população quer sua defesa garantida e para isso paga com trabalho
e suor cada centavo que entra no bolso dos sanguessugas e de seus
esquadrões.
Se precisam tanto de segurança para encarar os eleitores, rejeitam
qualquer proposta de impeachment, só se encontra uma única razão:
temem que a lama do Executivo jorre demais pelas ruas e inunde também
o Legislativo, que nesta gestão tem mostrado que é um quadro de
patinhos bem pagos e domesticados com medo do lobo mau.
"Todo o poder é violência, e quem violenta degrada-se"
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