O município assiste,
manietado pelos órgãos públicos, o desastre da própria ambição cega
de se transformar Maricá através de promessas. Manipulam as insistentes
notícias implantadas nos jornais de que haverá uma transformação inédita,
um milagre de proporções bíblicas. E ao mesmo tempo tratam com descaso
extremo a saúde. A denúncia de Spencer Ferreira, presidente do Conselho
de Municipal de Assistência Social de Maricá, e o escândalo de adulteração
de uma ata do Conselho Municipal de Saúde, que teria sido feita pela
subsecretária de Gestão de Metas, a médica Janete Valadão, são recentes
exemplos de que o governo popular do professor tem como único interesse
o carreirismo político familiar e dos amigos.
Se a saúde municipal virou de vez um lixo, reflexo do que fizeram
em apenas um ano de administração, poucos, além dos necessitados,
estão ligando. As ordens judiciais são desrespeitadas com o governo
pouco se lixando para o judiciário; o hospital Conde Modesto Leal
está nas últimas, sucateado, para poder ser terceirizado, ilegalmente
por uma direção tão fantasma quanto diabólica.
Seria isso uma vergonha para todos, e caso de cadeia para muitos,
se houvesse vergonha na cara. Os vereadores, os políticos, inclusive
ex-prefeitos, complacentes e coniventes, as entidades civis, os chamados
homens e mulheres de mídia (ou seria, de média?), tão céleres em divulgar
as festanças e as bonanças do desgoverno, ou mesmo aqueles que ficam
sempre esperando a melhor hora para acertar numa boquinha, babando
pelos cotovelos, não estão nem aí. Todos comodamente sentados em cima
do muro.
Gente que considerou coisa corriqueira, "uma resposta à retaliação"
e sem menor expressão a mensagem do CMAS, assinada por Spencer Ferreira,
engenheiro e criador do banheiro especial para ostomizados, que liberou
a patente de sua criação. No mínimo, uma desconsideração à honestidade
dos membros daquele conselho, em particular do presidente, que briga
praticamente sozinho contra uma canalha. Mas uma confissão assustadora:
os tais formadores de opinião são analfabetos funcionais (ou não serão
ainda mais puxa-sacos?). Entendem textos curtíssimos e nem sabem o
que leram. Sequer notaram que a denúncia dos conselheiros é das falcatruas
que serão cometidas contra o contribuinte sem que haja qualquer fiscalização.
Em meio a essa lama e ao lixo imorais, brota a canalha, disposta a
qualquer coisa para garantir sua permanência em postos imunes, que
assegurem gordas somas de dinheiro e um tanto de poder quase ilimitado.
Para eles, pouco importa que gente passe a ser tratada como coisa
por todo um governo, desde os aspones mais desqualificados até aos
senhores do chicote da imunidade. Bajularam milhares com promessas
para agora tratar a população como um esterco, que só serve para fertilizar
suas ambições financeiras, seus sonhos carreiristas.
No silêncio de todos, lavam-se as mãos do crime de omissão e vão rezar
diante do sagrado Erário Público, em troca de fiéis moedas, cunhadas
pelo suor daqueles mesmos que sofrem com o descaso, a mentira, o nepotismo,
o banditismo moral, a corruptalha. Assim se constrói um governo popular
que só serve aos outros, àqueles que foram ungidos pelo poder, recebido
como um cheque em branco para dele abusarem sem vergonha ou punição.
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