Os governos que não
aplicarem em cultura desde já estão cometendo suicídio político-econômico.
Montar circo em praça, regado a música e bebida, é próprio da politicalha
eleitoreira, que não tem competência, o que dirá conhecer o assunto.
Ganharão, no futuro, menção na mídia apenas através de páginas policiais
ou em reportagens sobre corrupção, como já acontece. É uma autovia
para o esvaziamento da economia.
Muitos municípios brasileiros descobrem dia a dia a cultura, em particular
a leitura e livro, como alternativa não só para incrementar os negócios
locais, mas como atividade de alto valor turístico. E vêm investindo
verbas e contingente humano para desenvolverem o setor em suas regiões,
quase imediatamente colhendo ótimos resultados. Sem pirotecnia de
projetos megalômanos, estão instituindo programas com seriedade, mesmo
quando de pequeno alcance.
Todo dia pipocam novos projetos municipais, os governos anunciam captação
de programas federais e estaduais, numa forma de adequar suas cidades
ao progresso. A mídia nos informa diariamente sobre essas ações, das
mais simples quase em barracos até grandiosas como em palácios. E
cada vez mais conseguem divulgação que atrai autoridades e visitantes.
O bolo econômico só aparecerá se houver a "cereja" da cultura. Um
governo municipal tem e deve construir uma economia forte, mas precisará
inevitavelmente, com os novos tempos, de investir, com seriedade,
na promoção cultural. Insistir em que o povão quer mesmo circo é enriquecer
a corruptalha e levar um município à bancarrota.
(O texto acima é o editorial da edição de março de + Leitura, produzido
para a livraria Canto do Livro) |