08/06/2010
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MENSAGEM/ERA UMA VEZ... EM MARICÁ
Um pato, muito convencido, que se achava o maior, um dia descobriu um apito no meio da lama. Com sua fome biafrenta, engoliu o apito. Da voz arrepiante, passou a grasnar com um leve sotaque mágico. Não houve quem no terreiro resistisse aos encantos dos seus bemóis. Isso mais pavoneou o pato, que se aproveitou para reinar supremo no meio dos patos.

Tanto cantou de galo que chamou a atenção dos outros animais que não eram tão burros quanto ele ou seus parentes. "Impossível um pato ter voz assim para maravilhar", dizia um. "Pato só serve para emporcalhar tudo e berrar nos ouvidos", afirmava outro. "Tem lebre aí", falou o coelho.

Tanto se comentou por todo lado o assunto que o asno resolveu decidir a parada, porque sabia que tinha apito na jogada. Chegou na cerca da pataria e chamou o pato mágico. Depois de elogiar muito o governo bípede naquele terreiro e principalmente a voz mágica de comando, sugestionou o pato: "Com essa voz e ainda aqui? Se eu fosse o senhor, alçava voo para outros terreiros. Seria dono de todo reino dos patos, quiçá reinar sobre os quadrúpedes."

"Mas como voar assim?", pensou o pato, já crente que poderia imperar como um condor, pois só conseguia dar um rasante merreca.

"Por que o senhor não pratica todo o dia um voo aqui e outro ali?", disse o asno.

E assim a besta decidiu praticar. Mas por mais que fizesse não havia jeito. Tanto se desesperou um dia que fez uma tentativa com o maior esforço. A força que usou foi tamanha que o apito saiu por onde não devia. Mas nem percebeu isso o burro que, quando se estabacou no chão, começou a berrar igualzinho aos outros. Foi a perdição. O pato era igual a todos os outros parentes.

E assim foi o fim do pato que um dia imaginou ser o rei do terreiro. Acabou na lama, obrando a cada patada como seus porcos parentes, que fazem da terra chiqueiro.