08/01/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
O SENHOR BRANCO DONO DO MUNDO CONTRA O NEGRO SEM SALÁRIO
O caso do técnico de enfermagem mostra a ação de prepotência, o racismo, a infração à lei do servidor público, o autoritarismo com abuso do poder, o crime contra a liberdade de expressão. Definitivamente é um caso para qualquer secretaria de direitos humanos séria e cumpridora dos seus deveres punir com severidade o infrator de tantos crimes. Um homem negro, com três meses de salários atrasados, porque trabalhou, foi de forma vil e covardemente atingido por um homem branco, autoritário, que tem seu lauto salário fielmente depositado todo mês.

Imune e impunemente, o homem branco estava fora do seu local de trabalho e interferiu na função de um servidor público, o que é crime, sem sequer ser profissional da área. Ainda mais teve a petulância de encaminhar o técnico, acompanhado pela PM, para o registro na delegacia.

O homem branco se excedeu numa autoridade que não tem competência para exercer, pois sequer tratou com educação e respeito o local onde o técnico de enfermagem servia. Se achou no direito de mandar e desmandar numa instalação pública, desacatar um funcionário ao ordenar um desvio de seu trabalho, mesmo sendo um mero empregado público não concursado e não trabalhando no seu setor.

Se foi xingado, e se achou violentado, esqueceu de que há um direito de expressão indiscutível dos menos favorecidos quando se revoltam contra condições de trabalho e a falta de pagamento. Tem que se obrigar o silêncio ao empregado, como escravo, quando não recebe há mais de três meses e sequer sabe o que é 13° salário? Será esse mesmo funcionário, negro, sem qualquer poder político, deve se rebaixar como um escravo, um homem de casta inferior? Ninguém dá a ele o direito de revolta? Ou a revolta só é destinada aos falastrões diplomados?

Se algo agora acontecer ao técnico, negro, que não recebe salários e foi exonerado por prepotência, toda uma cidade só terá em mente o nome de um suspeito: o homem branco, prepotente, que se acha dono não só das terras e dos prédios do município, mas agora se excede se concedendo ser dono também da sua gente e de seus destinos.