O caso do técnico
de enfermagem mostra a ação de prepotência, o racismo, a infração
à lei do servidor público, o autoritarismo com abuso do poder, o crime
contra a liberdade de expressão. Definitivamente é um caso para qualquer
secretaria de direitos humanos séria e cumpridora dos seus deveres
punir com severidade o infrator de tantos crimes. Um homem negro,
com três meses de salários atrasados, porque trabalhou, foi de forma
vil e covardemente atingido por um homem branco, autoritário, que
tem seu lauto salário fielmente depositado todo mês.
Imune e impunemente, o homem branco estava fora do seu local de trabalho
e interferiu na função de um servidor público, o que é crime, sem
sequer ser profissional da área. Ainda mais teve a petulância de encaminhar
o técnico, acompanhado pela PM, para o registro na delegacia.
O homem branco se excedeu numa autoridade que não tem competência
para exercer, pois sequer tratou com educação e respeito o local onde
o técnico de enfermagem servia. Se achou no direito de mandar e desmandar
numa instalação pública, desacatar um funcionário ao ordenar um desvio
de seu trabalho, mesmo sendo um mero empregado público não concursado
e não trabalhando no seu setor.
Se foi xingado, e se achou violentado, esqueceu de que há um direito
de expressão indiscutível dos menos favorecidos quando se revoltam
contra condições de trabalho e a falta de pagamento. Tem que se obrigar
o silêncio ao empregado, como escravo, quando não recebe há mais de
três meses e sequer sabe o que é 13° salário? Será esse mesmo funcionário,
negro, sem qualquer poder político, deve se rebaixar como um escravo,
um homem de casta inferior? Ninguém dá a ele o direito de revolta?
Ou a revolta só é destinada aos falastrões diplomados?
Se algo agora acontecer ao técnico, negro, que não recebe salários
e foi exonerado por prepotência, toda uma cidade só terá em mente
o nome de um suspeito: o homem branco, prepotente, que se acha dono
não só das terras e dos prédios do município, mas agora se excede
se concedendo ser dono também da sua gente e de seus destinos. |