Maricá continua
a silenciar quando os governos tratam com descaso da Biblioteca Municipal
Professora Leonor Leite Bastos de Souza. Enfurnada sob os degraus
do anfiteatro, obra faraônica do governo anterior, continua a ser
vítima preferida das autoridades e seus cúmplices culturais. Se não
bastasse ficar nos porões de um prédio, que serviu no ano passado
de hotel para mendigos, e ter perdido livros devido à umidade e às
infiltrações, principalmente em época de chuva, a biblioteca agora
tem sua parede externa abrigando painel de grafiteiros, os mesmos
que já "pintaram" o anfiteatro.
O descaso com a biblioteca bem pode estar relacionado com a anunciada
demolição do prédio, que o governo de Quaquá pretende realizar até
2012 sob a alegação de que as construções na Praça Orlando de Barros
Pimentel, no governo Queiroz, estão fora do padrão. Como aconteceu
quando derrubaram o antigo prédio da biblioteca, agora também o prefeito
repete a lenga-lenga de que há infiltrações e o ambiente não tem ventilação
adequada, segundo revelou na edição de agosto de um jornal diário.
Vê-se repetida a fala governamental para mais uma vez, a marretadas,
pôr a biblioteca abaixo sem que se mova um dedo mindinho a favor de
consertar. Tal como na época, há um silêncio tumular sobre as más
intenções governamentais.
O anúncio governamental não fez arrepiar
um fio de cabelo na apelidada cultura maricaense, que também não tem
sequer um só olho para ver uma biblioteca ser vandalizada e, mais
ainda, desrespeitada pelos governos. As pichações nas paredes já estão
por lá há quase um mês, esfregadas na cara de quem passa, sem que
até o subprefeito, anunciador de novidades requentadas na praça, tenha
visto qualquer anormalidade num prédio público. Sequer também observou
que há meses grafitaram palavrões nas paredes brancas da Casa de Cultura!
E o que dirá dos intelectuais de tão cultural cidade, mais de olho
em boca-livre, festas e colunas sociais, em que possam se pavonear
junto às celebridades locais de meia tigela. Todos, inclusive a mídia,
se calam quando se trata do acesso da população aos livros. Preferem
se regalar com as mentiras, que os produtores culturais implantam
em jornais sempre de chapa-branca como merecedoras de divulgação quando
deveriam ser denunciadas como propaganda enganosa. A mentirada é desavergonhadamente
divulgada pelos meliantes como se fosse a verdade mais verdadeira
que o mundo já viu. Mas é mentira! (Alguém já observou que nunca replicam
ou apresentam provas das suas "verdades"?)
A biblioteca, com volumes
jogados no lixo por umidade, grafitada, se protegendo das chuvas com
plásticos sobre as estantes, não faz parte do cardápio do bate-papo
cultural de tão nobres cabeças. E fechando os olhos, a boca e os ouvidos
às atrocidades culturais, vão levando a vida, se locupletando das
regalias, dos prêmios, do come e dorme, sem que a Cultura, maiúscula
e sobrevivente, possa ser respeitada. Quanto à população, que se contente
com as migalhas de camelô cultural que o governo gosta de jogar como
dádivas de eleito, o que a intelligentsia maricaense tanto aprecia
ver do camarote governamental.
(A violência com a biblioteca está
também denunciada na edição de outubro de + Leitura) |