07/10/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
BIBLIOTECA ENTREGUE AOS VÂNDALOS MARGINAIS E OFICIAIS
Maricá continua a silenciar quando os governos tratam com descaso da Biblioteca Municipal Professora Leonor Leite Bastos de Souza. Enfurnada sob os degraus do anfiteatro, obra faraônica do governo anterior, continua a ser vítima preferida das autoridades e seus cúmplices culturais. Se não bastasse ficar nos porões de um prédio, que serviu no ano passado de hotel para mendigos, e ter perdido livros devido à umidade e às infiltrações, principalmente em época de chuva, a biblioteca agora tem sua parede externa abrigando painel de grafiteiros, os mesmos que já "pintaram" o anfiteatro.

O descaso com a biblioteca bem pode estar relacionado com a anunciada demolição do prédio, que o governo de Quaquá pretende realizar até 2012 sob a alegação de que as construções na Praça Orlando de Barros Pimentel, no governo Queiroz, estão fora do padrão. Como aconteceu quando derrubaram o antigo prédio da biblioteca, agora também o prefeito repete a lenga-lenga de que há infiltrações e o ambiente não tem ventilação adequada, segundo revelou na edição de agosto de um jornal diário. Vê-se repetida a fala governamental para mais uma vez, a marretadas, pôr a biblioteca abaixo sem que se mova um dedo mindinho a favor de consertar. Tal como na época, há um silêncio tumular sobre as más intenções governamentais.

O anúncio governamental não fez arrepiar um fio de cabelo na apelidada cultura maricaense, que também não tem sequer um só olho para ver uma biblioteca ser vandalizada e, mais ainda, desrespeitada pelos governos. As pichações nas paredes já estão por lá há quase um mês, esfregadas na cara de quem passa, sem que até o subprefeito, anunciador de novidades requentadas na praça, tenha visto qualquer anormalidade num prédio público. Sequer também observou que há meses grafitaram palavrões nas paredes brancas da Casa de Cultura!

E o que dirá dos intelectuais de tão cultural cidade, mais de olho em boca-livre, festas e colunas sociais, em que possam se pavonear junto às celebridades locais de meia tigela. Todos, inclusive a mídia, se calam quando se trata do acesso da população aos livros. Preferem se regalar com as mentiras, que os produtores culturais implantam em jornais sempre de chapa-branca como merecedoras de divulgação quando deveriam ser denunciadas como propaganda enganosa. A mentirada é desavergonhadamente divulgada pelos meliantes como se fosse a verdade mais verdadeira que o mundo já viu. Mas é mentira! (Alguém já observou que nunca replicam ou apresentam provas das suas "verdades"?)

A biblioteca, com volumes jogados no lixo por umidade, grafitada, se protegendo das chuvas com plásticos sobre as estantes, não faz parte do cardápio do bate-papo cultural de tão nobres cabeças. E fechando os olhos, a boca e os ouvidos às atrocidades culturais, vão levando a vida, se locupletando das regalias, dos prêmios, do come e dorme, sem que a Cultura, maiúscula e sobrevivente, possa ser respeitada. Quanto à população, que se contente com as migalhas de camelô cultural que o governo gosta de jogar como dádivas de eleito, o que a intelligentsia maricaense tanto aprecia ver do camarote governamental.

(A violência com a biblioteca está também denunciada na edição de outubro de + Leitura)