06/10/2010
Recebido por mail de Márcia Benevides Leal
SOBRE O COMPLEXO LAGUNAR DE MARICÁ I
Em Maricá o caos está instalado e nem sei o que se pode esperar para o futuro: precisamos de um plano para os meses após a estiagem no Norte começar a diminuir. Em 2004/2005 a seca na Amazônia foi mais severa e com 70 mm de índice pluviométrico Maricá ficou sob as águas. Em abril de 2010 foi uma enchente onde se teve 2 m em áreas que disseram não ser comum, mas foi uma mentira deslavada, pois eram áreas de plantação de arroz. Qual a diferença entre 2005 e 2010? Em Itaipuaçu as águas ainda estão presas em alguns locais: que índice pluviométrico poderá agüentar se a passagem das águas do 3º Distrito está bloqueada e teria de passar pela Lagoa Brava que virou Fazenda da Pedra Grande que virou área de extração de turfa e areia? Com certeza o Loteamento Manumanoela também terá ruas sob as águas com o teve em abril passado: um regato que desce da pedra em frente e passa por baixo da RJ 106 e que ia para esquerda foi desviado para o lado da Lagoa Brava e segundo consta também está bloqueado. Em Maricá a maioria dos bairros têm áreas com problemas ocasionados por obras do DSBF, do DNOS e outras feitas por quem desconhece a nossa verdadeira geografia.
Mais uma vez o descontrole, a omissão e negligencia de sucessivos governos foram colocando o sistema lagunar em coma induzido, a fim de provocar a sua extinção por motivo torpe. Essas áreas ressecadas foram sendo ocupadas e aumentadas, e assim hoje temos loteamentos em áreas lagunares. E esta é uma situação que não terá fim.


Para acabar com um sistema lagunar basta septa-lo e foi o que fizeram aqui em Maricá. No passado o presidente Hermes da Fonseca mandou fazer investimento na atividade pesqueira e hoje o país precisa da produção desta atividade por força de tratado internacional. Ainda temos tempo! O problema não é localizado em Maricá / Rio de Janeiro, mas em todo território Nacional pela conduta omissa. Pois não existe mais como acreditar que não seja de domínio administrativo tal informação. O desconhecimento da lei não implica em impunidade, este país tem lei e tem que as aplique.

O problema de se defender quem não se sabe ameaçado, é a falta de informação à coletividade, porque quem as obtém não repassa. Quem não fez as pesquisas que fiz realmente não pode ficar preocupado, mas como as fiz em livros, mapas, campo e relatos, tenho a responsabilidade e obrigação de insistir em avisar.

Embora fustigados a todo momento pelos escândalos, o povo não desiste e luta, esta é a inegável verdade. Sei que é triste quando a Justiça tarda, mas ela realmente não vai a todos os lugares e nem protege a quem dorme. A sua representação como uma moça bonita de olhos vendados e de pés descalços me leva a esta colocação, mas ela existe e temos jurisprudência e muitos bons juristas. Tudo está claro e já feito por pessoas no passado que se preocuparam com o futuro, mas a nós é o presente que está ameaçado. O tempo urge e recomendo mais uma vez que deixemos a vaidade de lado e unidos como foram os que iniciaram esta reivindicação e lograram êxito depois de 20 anos, devemos seguir a lição que a Dra. May Terrell Eirin e seus companheiros nos deixaram.