O governo, recheado
de professores, resolveu mesmo "vender" a Educação no município. Os
professores são mal pagos, fazem protestos sem qualquer apoio dos
vereadores, berram os desmazelos governamentais sem que haja qualquer
retorno. As escolas são péssimas - falta material escolar e merenda.
Os alunos andam em lama até na beira do próprio prédio escolar e na
maioria das vezes até põem as suas vidas em risco, pois em frente
a muitas delas sequer há calçadas.
As tais autoridades
do setor se esqueceram ainda que os estudantes precisam atravessar
ruas, avenidas e mesmo estradas com intenso ritmo de tráfego, sem
que haja qualquer Guarda Municipal, que ofereça segurança à criançada
e seus pais. Nem mesmo para pintar as ruas com faixas nas proximidades
das escolas o governo disponibiliza verba. No entanto, há escola particular
que tem todo o aparato de segurança fornecido pelo governo. Por quê?
E há mesmo empresa que oferece desde o ano passado 82 vigias para
as escolas municipais, num custo em torno de R$ 4,55 milhões. Para,
segundo a Secretaria, proteger os "equipamentos valiosos dentro dos
colégios" (sic).
É este quadro de zeros à esquerda que resolveram fantasiar com a apresentação
de entidades que oferecem de tudo, inclusive fazer pensar. Agora pousou
na Secretaria de Educação uma assessoria educacional com a apresentação
do Mind Lab Group (www.marica.rj.gov.br/noticias/noticias.php?news=95
), que visa "ensinar a pensar; aumentar a inteligência; desenvolver
habilidades". Temos aí a auto-ajuda educacional, mas não a educação
que se cuida dos alunos com escolas equipadas com bibliotecas, como
recomenda legislação federal, prédios bem aparelhados e higiênicos,
boa alimentação e professores bem pagos.
O que se vê é a pintura
governamental apresentando "uma metodologia inovadora para o desenvolvimento
cognitivo, social e emocional através do jogo de pensar". O novo grupo,
sob o beneplácito da Secretaria de Educação, oferece "toda consultoria,
material didático (jogos e guia do professor), além da supervisão
contínua e atualização anual de currículo". Como se vê, mais gastos
que deveriam ser transparentes e discutidos com a sociedade são dissolvidos
pelos interesses. Não há qualquer indicação de quanto o governo
gastará na consultoria que pretende contratar para que os professores
possam aprender a pensar, como se depois de anos de estudos ainda
tivessem deficiência na área. Fica bem claro que a maquiagem da educação
municipal, sob holofotes de sensacional, passa por recursos nada transparentes.
Afinal alguém custeou os gastos para não mais que de repente a empresa
aparecesse em Maricá e já pronta para se instalar com seus cursos
de auto-ajuda educacional. Enquanto o governo contrata empresa para
os professores aprenderem a pensar, a população já sabe há muito o
que pensar do governo e dos seus comissionados, principalmente na
educação, que "vendem" o ensino público em pandarecos como uma maravilha
futurística, iluminada por empresas particulares. Afinal, se está
pagando muito, e caro, para uma fantasia que esconde o desleixo com
que tratam alunos, professores e funcionários.
FRASE - "Em todas as circunstâncias, a única maneira de ser
livre diante do poder é ter a dignidade de o não servir". Miguel Torga
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