05/11/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
VENDENDO A EDUCAÇÃO
O governo, recheado de professores, resolveu mesmo "vender" a Educação no município. Os professores são mal pagos, fazem protestos sem qualquer apoio dos vereadores, berram os desmazelos governamentais sem que haja qualquer retorno. As escolas são péssimas - falta material escolar e merenda. Os alunos andam em lama até na beira do próprio prédio escolar e na maioria das vezes até põem as suas vidas em risco, pois em frente a muitas delas sequer há calçadas.
As tais autoridades do setor se esqueceram ainda que os estudantes precisam atravessar ruas, avenidas e mesmo estradas com intenso ritmo de tráfego, sem que haja qualquer Guarda Municipal, que ofereça segurança à criançada e seus pais. Nem mesmo para pintar as ruas com faixas nas proximidades das escolas o governo disponibiliza verba. No entanto, há escola particular que tem todo o aparato de segurança fornecido pelo governo. Por quê? E há mesmo empresa que oferece desde o ano passado 82 vigias para as escolas municipais, num custo em torno de R$ 4,55 milhões. Para, segundo a Secretaria, proteger os "equipamentos valiosos dentro dos colégios" (sic).
É este quadro de zeros à esquerda que resolveram fantasiar com a apresentação de entidades que oferecem de tudo, inclusive fazer pensar. Agora pousou na Secretaria de Educação uma assessoria educacional com a apresentação do Mind Lab Group (www.marica.rj.gov.br/noticias/noticias.php?news=95 ), que visa "ensinar a pensar; aumentar a inteligência; desenvolver habilidades". Temos aí a auto-ajuda educacional, mas não a educação que se cuida dos alunos com escolas equipadas com bibliotecas, como recomenda legislação federal, prédios bem aparelhados e higiênicos, boa alimentação e professores bem pagos.
O que se vê é a pintura governamental apresentando "uma metodologia inovadora para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional através do jogo de pensar". O novo grupo, sob o beneplácito da Secretaria de Educação, oferece "toda consultoria, material didático (jogos e guia do professor), além da supervisão contínua e atualização anual de currículo". Como se vê, mais gastos que deveriam ser transparentes e discutidos com a sociedade são dissolvidos pelos interesses.
Não há qualquer indicação de quanto o governo gastará na consultoria que pretende contratar para que os professores possam aprender a pensar, como se depois de anos de estudos ainda tivessem deficiência na área. Fica bem claro que a maquiagem da educação municipal, sob holofotes de sensacional, passa por recursos nada transparentes. Afinal alguém custeou os gastos para não mais que de repente a empresa aparecesse em Maricá e já pronta para se instalar com seus cursos de auto-ajuda educacional.
Enquanto o governo contrata empresa para os professores aprenderem a pensar, a população já sabe há muito o que pensar do governo e dos seus comissionados, principalmente na educação, que "vendem" o ensino público em pandarecos como uma maravilha futurística, iluminada por empresas particulares. Afinal, se está pagando muito, e caro, para uma fantasia que esconde o desleixo com que tratam alunos, professores e funcionários.

FRASE - "Em todas as circunstâncias, a única maneira de ser livre diante do poder é ter a dignidade de o não servir". Miguel Torga