Com pouquíssimas,
talvez raríssimas defesas, Maricá se deixou tomar pelos corsários
culturais, patrocinados pelo dinheiro público. A Cultura, maiúscula,
virou aqui moeda de troca de favores com a vilania petista que patrocinou
com cargos e medalhas a muitos deles. Não à toa um pintor de rodapés,
com pose napoleônica, não só abiscoitou os afagos governamentais como
ainda em um ano enfiou três premiações no currículo e uns dois cargos
municipais; ou um dos tais produtores também ganhou uma boquinha na
administração.
A cultura do petismo serviu para criar um cabideiro, onde se penduraram
os amiguinhos e oportunistas de sempre para fazer do município gato
e sapato para seus interesses. O que no setor realmente se realizou
em um ano e meio? O que apelidaram de cultura foi a criação de espetáculos,
trazidos sem licitação por empresas de fundo de quintal, a farta entrega
de prêmios para méritos escusos, promoção de debates inúteis. Ou já
se esqueceram das reportagens na mídia, indicando os endereços fantasmas,
ou as denúncias de conferências bagunçadas, dos constantes debates
para compor currículo?
Quem se lembra de projetos badalados e que desapareceram num abrir
e fechar de olhos? Aonde foi parar a Fundação de Cultura de Maricá,
criada por decreto no último governo, anunciada como criação espetacular
dos petistas e que ficou mesmo no papel de um novo decreto? As duas
instituições, por mais de um mês, coexistiram tranquilamente, até
algum gênio se dar conta que criaram o que já estava criado. Mas foi
o suficiente para uma subsecretária bancar a presidente da instituição
e acabar demitida como subsecretária de outro cargo para o qual não
foi nomeada. Palhaçada é pouco para qualificar a bestialidade.
Na boca das eleições, apresentaram entre si um calhamaço que seria
a menina dos olhos com uma maquiagem tão espessa que mais lembraria
uma prostituta. O projeto foi parar no devido lugar: à beira da calçada
defronte aos bares, rodando baiana surrada de bêbada. O governo cantou
loas por promover uma semana de poesia que entornou todas na praça
e até pendurou nos bares. Poucos sabem muito bem do alarido da matilha
de vira latas contratados para defender a meretriz cultural em que
transformaram a idéia. Rangeram então os dentes e hoje andam com os
rabos enfiados entre as pernas, derrubando lata de lixo ou lambe uns
e outros.
A Secretaria de Cultura, que promoveu mais show em seis meses do que
em quatro anos, não só deixou os cofres públicos mais vazios, mas
esvaziado o próprio município de eventos culturais. E nunca tomou
a si a defesa de instituições sérias e tradicionais do município,
quando foram atingidas por vândalos. Mas títulos, nomeações, festas
para agraciar uns e outros continuaram. Quem conhece todos os agraciados
com o Prêmio Maricá das Artes, que nunca teve sua lista divulgada?
Segundo o edital, os premiados só poderiam ser os que tiveram trabalhos
realizados no último ano, mas como não haveria gente, fizeram farta
distribuição de prêmios em dinheiro até para turistas, que nem sabiam
por que estavam sendo premiados. Para sua entrega, como não poderia
deixar de ser, houve festa no restaurante Maria do Céu na conta do
contribuinte.
Há quatro meses sem que se ponha alguém no lugar do desastrado ex-ocupante
do cargo, a Secretaria de Cultura vai levando o barco pilotado pelos
funcionários. Nem mesmo entre a camarilha, há quem queira segurar
o pepino. À falta de um projeto de governo sério comprometido com
a Cultura, resta aos corsários ampliarem sua rede impunemente.
A cultura, minúscula, passou a ser um emprego, pago pelo contribuinte,
através dos governos. Proliferam os gestores, os produtores, os animadores,
mas não há cultura, porque não há governo. E até mesmo instituição
tradicional do setor, no município, ficou de lado, agora quase sufocada
pelos corsários.
Para justificar o dinheiro federal pago mensalmente, estão produzindo
folders e folhetos auto-promocionais de alto custo, distribuídos fartamente
até em manifestação popular, promovendo encontros de discussão de
uma cultura inexistente, ou divulgando pela internet, em sites ou
através de e-mail, notinhas jornalísticas e promocionais. Justificam
assim para os pagadores um trabalho social que realmente não fazem.
Ainda mais que têm de vínculo comercial, mascarados de cunho social,
além é claro de praticamente fantasmas ou instalados em locais que
ferem a lei de acessibilidade. Aqui alguém se importa que deficiente
físico não pode ter acesso aos locais de alguns deles?.
Com o "trabalho", acumulam gols feitos com a mão e em impedimento,
sob os olhares complacentes dos governos assistencialistas e de uma
sociedade conivente. Não importa na contagem a efetiva participação
do povo, a quem deveriam prestar serviço, pois são pagos para isso,
mas o número de vezes em que aparecem na mídia. É com que contam os
premiadíssimos promotores de uma cafetinagem com a Cultura para garantirem
seus proventos mensais.
O crime de malandragem é cometido contra o único bem humano que o
bicho não come, nem pode ser roubado, mas deve ser distribuído à larga
entre os cidadãos, em sua maioria jovens e crianças. No entanto, o
município só assiste à panelinha armar barracas para a própria exibição
com o único intuito de assegurar a boquinha governamental numa propaganda
enganosa. A Cultura nem o cidadão, em particular o jovem, não merecem
essa bandalheira de oportunistas, que deveriam ir para a cadeia por
estelionato público. |