04/06/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
CORSÁRIOS ASSALTAM A CULTURA EM MARICÁ
Com pouquíssimas, talvez raríssimas defesas, Maricá se deixou tomar pelos corsários culturais, patrocinados pelo dinheiro público. A Cultura, maiúscula, virou aqui moeda de troca de favores com a vilania petista que patrocinou com cargos e medalhas a muitos deles. Não à toa um pintor de rodapés, com pose napoleônica, não só abiscoitou os afagos governamentais como ainda em um ano enfiou três premiações no currículo e uns dois cargos municipais; ou um dos tais produtores também ganhou uma boquinha na administração.

A cultura do petismo serviu para criar um cabideiro, onde se penduraram os amiguinhos e oportunistas de sempre para fazer do município gato e sapato para seus interesses. O que no setor realmente se realizou em um ano e meio? O que apelidaram de cultura foi a criação de espetáculos, trazidos sem licitação por empresas de fundo de quintal, a farta entrega de prêmios para méritos escusos, promoção de debates inúteis. Ou já se esqueceram das reportagens na mídia, indicando os endereços fantasmas, ou as denúncias de conferências bagunçadas, dos constantes debates para compor currículo?

Quem se lembra de projetos badalados e que desapareceram num abrir e fechar de olhos? Aonde foi parar a Fundação de Cultura de Maricá, criada por decreto no último governo, anunciada como criação espetacular dos petistas e que ficou mesmo no papel de um novo decreto? As duas instituições, por mais de um mês, coexistiram tranquilamente, até algum gênio se dar conta que criaram o que já estava criado. Mas foi o suficiente para uma subsecretária bancar a presidente da instituição e acabar demitida como subsecretária de outro cargo para o qual não foi nomeada. Palhaçada é pouco para qualificar a bestialidade.

Na boca das eleições, apresentaram entre si um calhamaço que seria a menina dos olhos com uma maquiagem tão espessa que mais lembraria uma prostituta. O projeto foi parar no devido lugar: à beira da calçada defronte aos bares, rodando baiana surrada de bêbada. O governo cantou loas por promover uma semana de poesia que entornou todas na praça e até pendurou nos bares. Poucos sabem muito bem do alarido da matilha de vira latas contratados para defender a meretriz cultural em que transformaram a idéia. Rangeram então os dentes e hoje andam com os rabos enfiados entre as pernas, derrubando lata de lixo ou lambe uns e outros.

A Secretaria de Cultura, que promoveu mais show em seis meses do que em quatro anos, não só deixou os cofres públicos mais vazios, mas esvaziado o próprio município de eventos culturais. E nunca tomou a si a defesa de instituições sérias e tradicionais do município, quando foram atingidas por vândalos. Mas títulos, nomeações, festas para agraciar uns e outros continuaram. Quem conhece todos os agraciados com o Prêmio Maricá das Artes, que nunca teve sua lista divulgada? Segundo o edital, os premiados só poderiam ser os que tiveram trabalhos realizados no último ano, mas como não haveria gente, fizeram farta distribuição de prêmios em dinheiro até para turistas, que nem sabiam por que estavam sendo premiados. Para sua entrega, como não poderia deixar de ser, houve festa no restaurante Maria do Céu na conta do contribuinte.

Há quatro meses sem que se ponha alguém no lugar do desastrado ex-ocupante do cargo, a Secretaria de Cultura vai levando o barco pilotado pelos funcionários. Nem mesmo entre a camarilha, há quem queira segurar o pepino. À falta de um projeto de governo sério comprometido com a Cultura, resta aos corsários ampliarem sua rede impunemente.

A cultura, minúscula, passou a ser um emprego, pago pelo contribuinte, através dos governos. Proliferam os gestores, os produtores, os animadores, mas não há cultura, porque não há governo. E até mesmo instituição tradicional do setor, no município, ficou de lado, agora quase sufocada pelos corsários.

Para justificar o dinheiro federal pago mensalmente, estão produzindo folders e folhetos auto-promocionais de alto custo, distribuídos fartamente até em manifestação popular, promovendo encontros de discussão de uma cultura inexistente, ou divulgando pela internet, em sites ou através de e-mail, notinhas jornalísticas e promocionais. Justificam assim para os pagadores um trabalho social que realmente não fazem. Ainda mais que têm de vínculo comercial, mascarados de cunho social, além é claro de praticamente fantasmas ou instalados em locais que ferem a lei de acessibilidade. Aqui alguém se importa que deficiente físico não pode ter acesso aos locais de alguns deles?.

Com o "trabalho", acumulam gols feitos com a mão e em impedimento, sob os olhares complacentes dos governos assistencialistas e de uma sociedade conivente. Não importa na contagem a efetiva participação do povo, a quem deveriam prestar serviço, pois são pagos para isso, mas o número de vezes em que aparecem na mídia. É com que contam os premiadíssimos promotores de uma cafetinagem com a Cultura para garantirem seus proventos mensais.

O crime de malandragem é cometido contra o único bem humano que o bicho não come, nem pode ser roubado, mas deve ser distribuído à larga entre os cidadãos, em sua maioria jovens e crianças. No entanto, o município só assiste à panelinha armar barracas para a própria exibição com o único intuito de assegurar a boquinha governamental numa propaganda enganosa. A Cultura nem o cidadão, em particular o jovem, não merecem essa bandalheira de oportunistas, que deveriam ir para a cadeia por estelionato público.