Dia de alegria para
o cidadão é encontrar nos jornais, na internet, mais um escândalo,
mais uma falcatrua de governo, escancarada, sem metáforas, sem a cobertura
das entrelinhas, sem colarinho branco, na pressão. Aquele que sonhou
com mudanças, acreditou em maravilhas, deu seu voto de confiança,
vê agora o cheque em branco entregue nas urnas se encher de zeros
maravilhosos para bolsos alheios de velhos malandros.
Em tempos de banditismo político-administrativo, quando uma cidade
revive a Chicago de AL Capone, com gangster por toda a sociedade,
mas na versão caiçara com o inimigo público n° 1 sentado na cadeira
governamental, como culpar o cidadão por tal prazer? Afinal, é da
tradição religiosa que o criminoso merece castigo ou, como nos filmes,
o mal acaba sempre se estrepando. E todos pagam para o bem ser glorificado
no "the end".
Como chorar pelo mau destino da ilegalidade? Seria pedir muito a quem
tem como pecado inafiançável, eterno, apenas acreditar que o município
poderia ser outro com empregos, limpo, infestado de obras, com gente
de fora passeando em suas belezas etc. Quando saem manchetes dos escândalos,
o cidadão se sente numa "Xicago" do milênio, banhada por corrupção
com os cofres públicos arrombados. Os maiorais comprados, políticos
calados pelas moedas na boca, a intimidação e a ameaça campeando solta,
muito silêncio de quem teria obrigação de falar, compõem um quadro
de banditismo. O pobre cidadão nunca pensou em protagonizar uma produção
caseira, de amador, mas tão desafiante aos Poderes constituídos. Rasgam
a Constituição, a Lei Orgânica e o que vier, na cara de qualquer um,
venha com ordem de quem vier. Jogam tudo na latrina como se fossem
os donos da terra, da cidade, dos corpos, das almas e das mentes dos
cidadãos, meros escravos das suas ganâncias político-administrativas.
"(...) E o povo já pergunta com maldade
Onde está a honestidade?
Onde está a honestidade?" (Noel Rosa)
Com tanta ilegalidade à porta, até se agradece as notícias de que
mais podres governamentais borbulham. Afinal, algum troco deve receber
por ser um herói que leva diariamente, nas costas, com a bordoada
dos impostos, todo esse banditismo.
Satisfação maior não há que saber que por trás do escárnio dos digníssimos
públicos, tão santos quanto os diabos, sentem eles o fedor da própria
podridão intestina. |