02/09/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
A BORRACHA E A PEDRA
Brasileiro sempre foi esperto por mau caráter. O jeitinho tão vangloriado não deixa de ser a concretização de querer levar vantagem em tudo, o que mostra, em sua insana burrice, um alto nível de inteligência. E não é de hoje este ser humano inteligente ser encontrado apenas aqui. Nos gloriosos tempos do ciclo da borracha, nossa inteligência superior bolou a "borracha de pedra": em cada bola de borracha produzida aqui, em seu interior, estava uma pedra, para ganhar no peso. Até que os estrangeiros "burros" descobriram a malandragem e acabarem com a festa. Os pés de seringueira daqui foram parar na Malásia, onde os ingleses passaram a produzir a borracha, sem pedra, para todo o mundo. Aos brasileiros, restou apenas a pecha de malandros.

O esquemão de ontem ainda continua a ser praticado. Sob o embrulho de um produto necessário para o desenvolvimento, os brasileiros adoram colocar a mágica pedra de toque da esperteza: um peso morto, descartável. Compra-se o útil, de fachada, e leva-se o inútil. Assim comercializam em todos os setores. Nem mesmo hoje escapam da maracutaia produtores culturais, que adotaram de vez a fórmula, anunciando apoiadores que sequer sabem que se embrulham num tremendo pedregulho de esperteza.

O que mais tem se apropriado da idéia de vender pedra embrulhada em borracha é o político. Nesta época de eleição, não há um que se salve. Vendem todos, sob uma capa emborrachada de promessas, a pedra que vai pesar em nosso bolso, cair sobre nossa cabeça, ser atirada em nossa cara, e mesmo virar um fardo pesadíssimo às gerações.

Compram os eleitores a peça que desejar, maior ou menor, mas sempre com a garantia que vai levar promessas, que se desfazem logo, e ficar com uma bruta pedra na mão por quatro anos, senão mais. Vão pagar muito caro por confiar nos espertos defensores da lei de Gerson. Mas, espertos que são, estão tirando um trocado com o apoio aos coronéis de beira de praia, certos de que lucram.

Promessas se esgarçam com o tempo e deixam cair, muitas vezes, um pedregulho imensurável no colo dos eleitores mais santificados. Serão os mesmo que ainda vão ficar pagando, e penando, por darem trela aos politicanalhas de ocasião e aos costumeiros ladrões de paletó. Serão novas pedras que vão se acumular à montanha que atravanca um país, mas constrói o ideal tirano de uma democracia de bananas, repleta de socialistas de carteirinha comprada. Fazem carreira com os afagos de muito interesseiro em integrar a tchurma, convencendo a imbecilidade global.