Os acontecimentos
da última semana comprovaram à larga que, mais do que crise política,
o município sofre mesmo com uma crônica falta de vergonha. De repente,
os rabudos deixaram a pontinha dos próprios rabos aparecendo para
ver se emplacam seus rabos numa chapa qualquer, mostrem-se padrinhos
de causas sociais, numa luta que abraçam à última hora. É a vigência
da lei de Gérson.
O que se vê é cada um fazendo das suas com a inconseqüência dos egoístas,
para quem o bem geral só pode ser a felicidade particular da boquinha
bem alimentada pelas tetas públicas ou dos coronéis sempre com a mão
estendidas com as 30 moedas. Com uma antecedência assustadora, saem
no bloco do oportunismo para 2012 ou aproveitam para tirar uma casquinha
já para das próximas eleições.
Terra de ninguém, tendinha de beira de estrada, por obra e graça de
seus políticos e de muitos que se dizem cidadãos, Maricá se vende
agora por qualquer dez tostões de votos, mais um pro-labore, quem
sabe, para os abutres políticos que pousam em seu telhado; vai tomar
café da manhã com velhos conhecidos das horas eleitorais, sempre sumidos
quando o povo precisa; sacode o rabo para tudo quanto é festa ou discurso;
se entrega por títulos sem valor social. A bandeira de ontem escondem
num buraco para ninguém lembrar que um dia foi desfraldada para causas
nobres, e hoje é reserva econômica para o futuro. Muitos se curvam
à política madrasta das más intenções, que aqui entrega as medalhas
do egocentrismo.
A moral podre é o reflexo da falta de governo, do desleixo da Câmara,
sua complacência, sua conivência, tudo regado a nepotismo, despotismo,
autoritarismo, oportunismo. Há um descaso com os outros que não se
vê sequer entre os próprios animais mais irracionais com os da própria
raça. Reza a biologia que, em nenhuma colônia de formigas, se voltem
umas contra as outras, querendo ser mais do que são, mas os tais seres
daqui se lixam para doentes, necessitados, desempregados, gente da
terceira idade, crianças desassistidas. São "superiores" em tudo e
por tudo. Aqui querem ser o que nunca foram nem nunca serão por incompetência.
Tudo para o bem das próprias bocas sempre alimentadas pelas mazelas
de uma mendiga esmola política.
O que se vê é uma mascarada que tem como único objetivo tirar vantagem
pessoal, fazer currículo, e aparecer na mídia. Com o desgoverno, os
problemas de saúde, sociais, ambientais, econômicos, culturais ou
educacionais são levantados aqui e ali por inconseqüentes ou interesseiros
que conhecem de tudo mas não sabem de nada. É uma fachada carnavalesca
de entrudo.
Resta ver se o comodismo da grande maioria, sempre pagando para ver
para não se comprometer, vai concordar em que um desastre maior se
abata sobre o município. Aceitar que uma aliança funesta, como a dos
Poderes Executivo e Legislativo, continue a aprisionar todo um município
é decretar a falência municipal. Levantar a bandeira do interesse
pessoal, como muitos até então calados por conivência ou acomodação,
num momento de crise moral, é mostrar descaradamente a falta de moral,
de ética.
Os problemas do município precisam urgentemente de caráter para serem
resolvidos. As críticas acenam para as necessidades sociais e de saúde,
as mais atingidas pelo desastre petista, e não é hora dos aproveitadores,
que em qualquer lugar do mundo só levam para o fundo do poço. Se não
reverterem a situação, Maricá pode entrar numa trilha de descontrole
da sociedade com o aumento da marginalidade, o que já acontece; a
falta de estrutura de saúde; o sucateamento da rede de ensino pública;
a implosão do crescimento econômico, da qual já há registros, etc.
É preciso tirar a máscara do oportunismo, Maricá, ou todos passarão
a viver no lixo da pior cidade do Estado.
"Maricá!/ Mostra a tua cara/ Quero ver quem paga/ Pra gente ficar
assim..." |