01/04/2010
........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br
CULTURA DE ESTRELAS, PURPURINA E PUXA-PUXA
Há mais de um ano Maricá não sabe o que é cultura promovida pelo governo municipal. Espetáculos regados a bebida e muito show foi o que se fez a torto e a direito. No entanto, quando projetos poderiam ser levados com seriedade, a Secretaria de Cultura e a fantasiosa Fundação Cultural não tinham qualquer preparo para tratar o setor. E as escandalosas atividades culturais se sucederam, com repercussão até fora do estado: a Cidade da Poesia, carro-chefe do ex-secretário, que conseguiu embriagar a poesia na porta do Ponto Chique; exposições em bar; o prêmio Maricá das Artes, um fiasco e vergonha, que sequer teve seus vencedores divulgados, muitos deles nem sabiam onde é Maricá; um projeto de cinema que não foi adiante, e por aí vai sempre com festas. Por sinal, a cultura do governo se resumiu mesmo a fazer mais festas em um ano do que em quatro anos.

O governo nunca teve projeto de cultura. Tudo foi montado para agradar companheiros e companheiras, que enfim teriam o que colocar nos currículos, porque também nunca tiveram um que convencesse. Assim proliferaram os pés-sujos e as chinelinhas, jogando purpurina para a galera, para quem sabe, mais à frente, fazer carreira sem nunca ter feito nada. Encheram papéis e mais papéis com as rubricas mais inimagináveis, com a maior naturalidade. No entanto bateram cabeça as estrelas do setor, obrando cada dia as maravilhas que não tinham como concretizar por motivo muito simples, quase insignificante: falta de competência.

Em momento algum souberam a diferença entre secretaria, criadora e gerenciadora de projetos, e fundação, captalizadora de recursos. Os órgãos abrigaram apenas os amigos da tchurma como aconteceu escandalosamente com a Fundação de Cultura, "criada" quando já existia desde o governo anterior por decreto para abrigar mais espaço no cabideiro governamental. Restava apenas a regulamentação, mas fizeram um circo para dar o cargo às amizades do peito. Maricá teve assim o privilégio de ter duas Fundações de Cultura por dois meses com a Lei nº 2145, de 29 de novembro de 2005, e o Decreto n°40, de 8 de abril de 2009, de textos quase idênticos, situação só regularizada em junho.

O descaso com a cultura foi tanto que não deram a mínima para as produções locais, se lixaram de vermelho para o que aqui se faz. Sequer trazer projetos de fora, tiveram a capacidade. Mesmo os mais interessados em certos setores culturais, dentro do governo, nunca mexeram um palito em projetos em favor da população. Nem programas conhecidos e divulgados pelo governo federal foram atraídos para o município, com custo zero, precisando de pouquíssimo dinheiro, ou local mínimo, para serem desenvolvidos.

O governo jogou fora um ano de oportunidades para trazer programas importantes, e está perdendo mais um. Tudo por incapacidade dos seus escolhidos, ou ungidos, que preferiram ainda o pouco que aqui se faz jogar na lixeira para não sujar seus estrelismos. Acomodado por incompetência, o governo preferiu comer nas panelinhas costumeiras, que só alimentam a roda de compadrio, que não quer nada com a cultura e muito menos com o interesse público. O que se viu, e ainda se vê, é a luta por uma fatia do bolo governamental, que ninguém despreza por dignidade, ética ou moral, mas abre o bocão para tirar o pedaço maior.

A voracidade é tanta que chegam a ridículos como o acontecido em recente evento de uma instituição cultural, que não teve um representante do governo, quando um ex-integrante que pipocou na secretaria e na Fundação rasgou elogios à "eterna" presidente. E mais faria em favor do "volta,querida", conclamando gente para se instalar um outdoor pedindo que a mesma fosse reposta no cargo. Essa é a cultura em Maricá que adora estrelas e puxa-puxa, mas não constrói a permanência para o povo, aquele que paga impostos, exige respeito e merece a Cultura, de verdade.