Há mais de um ano
Maricá não sabe o que é cultura promovida pelo governo municipal.
Espetáculos regados a bebida e muito show foi o que se fez a torto
e a direito. No entanto, quando projetos poderiam ser levados com
seriedade, a Secretaria de Cultura e a fantasiosa Fundação Cultural
não tinham qualquer preparo para tratar o setor. E as escandalosas
atividades culturais se sucederam, com repercussão até fora do estado:
a Cidade da Poesia, carro-chefe do ex-secretário, que conseguiu embriagar
a poesia na porta do Ponto Chique; exposições em bar; o prêmio Maricá
das Artes, um fiasco e vergonha, que sequer teve seus vencedores divulgados,
muitos deles nem sabiam onde é Maricá; um projeto de cinema que não
foi adiante, e por aí vai sempre com festas. Por sinal, a cultura
do governo se resumiu mesmo a fazer mais festas em um ano do que em
quatro anos.
O governo nunca teve projeto de cultura. Tudo foi montado para agradar
companheiros e companheiras, que enfim teriam o que colocar nos currículos,
porque também nunca tiveram um que convencesse. Assim proliferaram
os pés-sujos e as chinelinhas, jogando purpurina para a galera, para
quem sabe, mais à frente, fazer carreira sem nunca ter feito nada.
Encheram papéis e mais papéis com as rubricas mais inimagináveis,
com a maior naturalidade. No entanto bateram cabeça as estrelas do
setor, obrando cada dia as maravilhas que não tinham como concretizar
por motivo muito simples, quase insignificante: falta de competência.
Em momento algum souberam a diferença entre secretaria, criadora e
gerenciadora de projetos, e fundação, captalizadora de recursos. Os
órgãos abrigaram apenas os amigos da tchurma como aconteceu escandalosamente
com a Fundação de Cultura, "criada" quando já existia desde o governo
anterior por decreto para abrigar mais espaço no cabideiro governamental.
Restava apenas a regulamentação, mas fizeram um circo para dar o cargo
às amizades do peito. Maricá teve assim o privilégio de ter duas Fundações
de Cultura por dois meses com a Lei nº 2145, de 29 de novembro de
2005, e o Decreto n°40, de 8 de abril de 2009, de textos quase idênticos,
situação só regularizada em junho.
O descaso com a cultura foi tanto que não deram a mínima para as produções
locais, se lixaram de vermelho para o que aqui se faz. Sequer trazer
projetos de fora, tiveram a capacidade. Mesmo os mais interessados
em certos setores culturais, dentro do governo, nunca mexeram um palito
em projetos em favor da população. Nem programas conhecidos e divulgados
pelo governo federal foram atraídos para o município, com custo zero,
precisando de pouquíssimo dinheiro, ou local mínimo, para serem desenvolvidos.
O governo jogou fora um ano de oportunidades para trazer programas
importantes, e está perdendo mais um. Tudo por incapacidade dos seus
escolhidos, ou ungidos, que preferiram ainda o pouco que aqui se faz
jogar na lixeira para não sujar seus estrelismos. Acomodado por incompetência,
o governo preferiu comer nas panelinhas costumeiras, que só alimentam
a roda de compadrio, que não quer nada com a cultura e muito menos
com o interesse público. O que se viu, e ainda se vê, é a luta por
uma fatia do bolo governamental, que ninguém despreza por dignidade,
ética ou moral, mas abre o bocão para tirar o pedaço maior.
A voracidade é tanta que chegam a ridículos como o acontecido em recente
evento de uma instituição cultural, que não teve um representante
do governo, quando um ex-integrante que pipocou na secretaria e na
Fundação rasgou elogios à "eterna" presidente. E mais faria em favor
do "volta,querida", conclamando gente para se instalar um outdoor
pedindo que a mesma fosse reposta no cargo. Essa é a cultura em Maricá
que adora estrelas e puxa-puxa, mas não constrói a permanência para
o povo, aquele que paga impostos, exige respeito e merece a Cultura,
de verdade. |