30/04/2009

CAMBOINHAS AGRADECE BENFEITOR

........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

Os moradores de Camboinhas, na região litorânea de Niterói, estão soltando fogos, porque enfim encontraram o seu Sassá Mutema. O benfeitor, num gesto humanitário, resolveu livrar aquela população de bom nível social de conviver com índios expulsos também de Parati. Agora a área, muito valorizada, poderá abrigar empreendimentos imobiliários ou até mesmo servir de parque para a população, o que daria mais charme ao recanto.

O benfeitor de Camboinhas, lépido e fagueiro, ofereceu uma área muito agradável que ele "possui" na vizinha Maricá, onde os índios poderão desfrutar de uma área aprazível com direito a proximidade do mar, lagoa e vegetação.

O que o Sassá Mutema não explicou até agora é com que autoridade pode dispor a seu bel-prazer de terras públicas, como da Área de Proteção Ambiental, para abrigar índios "estrangeiros", quando, há muito, outros moram em Ponta Negra e vendem artesanato na beira da estrada. A doação de terras é uma clara demonstração de que o município é dele, Sassá Mutema, que pode, portanto, fazer o que lhe der na veneta.

Permitir que uma área como o trecho da restinga de Maricá sirva aos índios, num gesto "humanitário" (não seria demagógico?) do prefeito, é dar ao mesmo poderes para doar terras públicas a quem quiser. Mesmo terras que bem poderiam servir de parque à população já têm "dono" e se está criando uma exceção que pode fugir ao controle. Daqui a pouco outro interesse humanitário pode resultar em mais "doações".

E a população, dona da terra, que sequer tem área para construção de casas populares, ou nunca soube o que é um parque para seu lazer, tem que engolir os gestos caridosos e até a exibição dos índios (motivação turística?), na praça da cidade, numa clara exibição de plenos poderes do governo. Considerado fato cultural, é apenas a condenável exibição de seres humanos como atração, o que é crime.

Com o silêncio concordante da Câmara, temos o direito único e inviolável de se calar, baixar a cabeça e deixar ficar, porque não há representação popular. Como em todas as ditaduras. Tim-tim!