29/09/2009

MARICÁ ENTRE A LAMA E A MUDANÇA

........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

Há muito que os cientistas provaram que não existe geração espontânea, mas não é que os políticos ainda insistem que tudo que é ruim surgiu do nada sem que tivesse qualquer mãozinha deles? Hoje, quem percorrer Maricá vai ficar abismado com um milagre incompreensível para o sistema eleitoral. É enorme a massa de gente que garante, de mãos postas, que não votou no prefeito nas últimas eleições. Se não teve tantos votos como anunciaram as urnas, como foi eleito? Repete-se o que já foi visto no caso Jânio Quadros e no de Collor. Quando a criança é bonita, todos querem ser pais; quando é um idiota, os outros são os progenitores da aberração. Ou seja, ninguém se acha culpado da péssima escolha nas urnas, quando votou calçando ferradura, ou da covardia de não usar da legislação eleitoral e anular o voto.

Fogem todos da responsabilidade! E quem deve aturar e pagar as consequências do desastre? Todos, que pagam indiscriminadamente pela ignorância de uns, covardia de outros, e pela ambição de muitos, sempre de olho nas benesses dos cargos, que para alguns se tornam eternos..

Os ferrenhos pit-bulls do início do ano, que arreganhavam os dentes para qualquer crítica, por menor que fosse ao então recente (des)governo, não passam agora de inofensivos hamsters com o rabinho entre as pernas, em seu parquinho de diversões caseiro, onde brincam de socialismo. Mesmo os colaboracionistas, que bradaram na campanha um futuro melhor para o município, agora repetem a frase antológica do presidente Figueiredo: "Me esqueçam!" .

Há aqueles até que lavam as mãos em álcool gel, por terem participado da farra, mas se reúnem nos fundos de quintal para criar outros futuros santos do pau oco, ou quem sabe até preparar a própria máscara com que irão aparecer futuramente. Não se iludam os que foram enganados e os que quiseram ser enganados. Entre os belisquetes de fins de semana, os pratos principais são 2010 e 2012.

Ou se muda a mentalidade brasileira de confundir política com troca de favores, ou vamos todos apanhar outras vezes, jogar fora o futuro que não é nosso, mas das próximas gerações, porque ainda há muita gente que só vê política como ascensão social ou profissão de carreira, complemento de aposentadoria, um cargo para dizer que trabalha, um pecúlio familiar, uma boquinha para os filhos. É urgente que a sociedade deixe de ser hipócrita, se fingindo a incorruptível, a donzela pura e imaculada, e assuma de vez que a política que aí existe não é nada mais do que um reflexo de sua própria ganância e incompetência quando se trata de administrar os bens públicos.