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Há muito que os cientistas
provaram que não existe geração espontânea, mas não é que os políticos
ainda insistem que tudo que é ruim surgiu do nada sem que tivesse
qualquer mãozinha deles? Hoje, quem percorrer Maricá vai ficar abismado
com um milagre incompreensível para o sistema eleitoral. É enorme
a massa de gente que garante, de mãos postas, que não votou no prefeito
nas últimas eleições. Se não teve tantos votos como anunciaram as
urnas, como foi eleito? Repete-se o que já foi visto no caso Jânio
Quadros e no de Collor. Quando a criança é bonita, todos querem
ser pais; quando é um idiota, os outros são os progenitores da aberração.
Ou seja, ninguém se acha culpado da péssima escolha nas urnas, quando
votou calçando ferradura, ou da covardia de não usar da legislação
eleitoral e anular o voto.
Fogem todos da responsabilidade! E quem deve aturar e pagar as consequências
do desastre? Todos, que pagam indiscriminadamente pela ignorância
de uns, covardia de outros, e pela ambição de muitos, sempre de
olho nas benesses dos cargos, que para alguns se tornam eternos..
Os ferrenhos pit-bulls do início do ano, que arreganhavam os dentes
para qualquer crítica, por menor que fosse ao então recente (des)governo,
não passam agora de inofensivos hamsters com o rabinho entre as
pernas, em seu parquinho de diversões caseiro, onde brincam de socialismo.
Mesmo os colaboracionistas, que bradaram na campanha um futuro melhor
para o município, agora repetem a frase antológica do presidente
Figueiredo: "Me esqueçam!" .
Há aqueles até que lavam as mãos em álcool gel, por terem participado
da farra, mas se reúnem nos fundos de quintal para criar outros
futuros santos do pau oco, ou quem sabe até preparar a própria máscara
com que irão aparecer futuramente. Não se iludam os que foram enganados
e os que quiseram ser enganados. Entre os belisquetes de fins de
semana, os pratos principais são 2010 e 2012.
Ou se muda a mentalidade brasileira de confundir política com troca
de favores, ou vamos todos apanhar outras vezes, jogar fora o futuro
que não é nosso, mas das próximas gerações, porque ainda há muita
gente que só vê política como ascensão social ou profissão de carreira,
complemento de aposentadoria, um cargo para dizer que trabalha,
um pecúlio familiar, uma boquinha para os filhos. É urgente que
a sociedade deixe de ser hipócrita, se fingindo a incorruptível,
a donzela pura e imaculada, e assuma de vez que a política que aí
existe não é nada mais do que um reflexo de sua própria ganância
e incompetência quando se trata de administrar os bens públicos.
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