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O povo não vota errado,
vota enganado. O Prefeito Washington Quaquá fez sua campanha calcada
no discurso apelativo e demagógico que buscava atingir o emocional
dos eleitores. Prometendo mundos e fundos, colocava-se na condição
de "salvador da pátria", "baluarte da democracia" e, mesmo aliado
a tudo que existia de ultrapassado em Maricá, como "o único representante
da renovação".
Para angariar votos no Terceiro Distrito convenceu a muitos de que
era morador de Itaipuaçu. Na ânsia de ser eleito, convenceu a muitos
de que já dispunha, para aplicação logo nos primeiros dias de governo,
de imensos recursos, algo em torno de 40 milhões de reais.
Assim como Collor, que tinha como bandeira de campanha acabar com
os "marajás", Quaquá escolheu a Amparo como inimiga mortal e, mesmo
sabendo que isto era uma meia verdade, acusava-a de oferecer um
péssimo serviço; mesmo sabendo que era uma inverdade, responsabilizava-a
por tudo de ruim que existia em Maricá e; mesmo sabendo que isso
era uma falsidade, prometia que, no primeiro dia de governo, ia
acabar com o monopólio, liberar as vans, trazer a Rio do Ouro para
o nosso município e uma série de outras invencionices que agradaram
o eleitor e aí deu no que deu: ganhou as eleições.
É claro que jamais acreditei no que ele dizia e cansei de alertar
sobre a impossibilidade de um prefeito interferir em medidas de
âmbito exclusivo do Governo do Estado ou de extinguir uma concessão
que, por Lei, a empresa detinha, mas não teve jeito: a maioria estava
disposta a acreditar, queria acreditar. Porém, o que nem mesmo eu
acreditava é que, tão logo eleito Quaquá mudasse tão rápido de opinião
e passasse de acusador a apoiador incondicional da Viação Nossa
Senhora do Amparo a ponto de, por inércia, desobrigá-la de uma obrigação
contratual e com isso propiciar a ela uma grande economia.
Falo do terminal rodoviário de integração, um projeto a duras penas
concretizado de forma legal pela comunidade, a duras penas encaixado
no edital de licitação das linhas urbanas do município que, em um
de seus itens obrigava o vencedor a construí-lo as suas custas.
Não consigo entender o porquê de agora, depois que a municipalidade
fez a sua parte investindo na reforma da área onde será instalado;
justamente na hora em que a despesa com a construção passaria a
ser da Amparo a prefeitura, agora dirigida por quem tantas ameaças
lhe fez, curve-se aos interesses da empresa livrando-a da obrigação
contratual.
Não consigo acreditar que o Prefeito Quaquá esteja agora defendendo
os interesses de quem sempre acusou e por isso peço encarecidamente:
esqueça das promessas de campanha de acabar com a Viação Nossa Senhora
do Amparo, mas por favor, não chegue ao ponto de, com este esquecimento,
sair oferecendo a ela vantagens indevidas de se livrar das obrigações
contratuais e, conseqüentemente fazer economia.
Não acredite, Prefeito, em tudo que os assessores lhe dizem, pois
atitudes como essa podem levar a população a um entendimento errôneo
e sair por aí falando coisas que não deve.
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