27/01/2009
A RESSACA DA IMPOTÊNCIA
Recebido por mail de Ana de Ponta Negra

Assim que me sinto neste início de ano de 2009, é triste, mas não há outro termo para resumir minhas emoções para este começo, de tantas ocorrências que eu simplesmente vi que não tenho como resolver, sensação de impotência por não saber mais como proceder.

Nos dias que antecederam ao Ano Novo amanhecemos com guerras de som entre vizinhos...

Só posso chamar assim, aquele que o puser mais alto, o funk e quanto mais obsceno, ganha. Para que ou por que respeitar o limite alheio? Foi assim que pensaram e deste momento em diante me dei conta de que o que me desejam e a toda minha família para este novo ano, é: "QUE SE DANEM, não importa quem goste, se existem crianças, idosos ou se por ventura está passando por um momento difícil ou não, se estão invadindo o limite do outro ou não, eu quero é degradar! 24 horas todos os dias deste novo ano"

Agem como vampiros, chegam e extraem tudo de bom que o lugar tem pelo qual resolvi me mudar, em busca de coisas diferente ás grandes cidades, que hoje estão violentas, barulhentas, angustiantes, onde pessoas "do bem" estão sitiadas, crianças enclausuradas e muitas outras mortas. Mudei-me fugindo destas coisas e notei que ano passado e este ano, somente no período de férias, vem sendo muito complicado. A vizinhança mudou e antes não estava tão intenso como nos anos anteriores.

Na noite do Ano Novo como sempre eu e família assim como muitas outras, fomos ver os tradicionais fogos na praia, que são sempre muito bonitos, vemos os fogos da Rua 90, 107, 130 e de Ponta Negra. Geralmente 15 minutos de muita beleza, mas já no ano passado, assim como este ano contamos com tiros para o alto. Neste ano, três "estraga prazeres" de bermuda clara e sem blusa simplesmente conseguiram em menos de cinco minutos evacuar o lugar, as ofertas para Iemanjá ficaram para a manhã do dia primeiro, todos se recolheram com medo e voltaram para suas casas, mesmo não terminando a queima de fogos mais uma vez.

Outros durante a celebração resolveram soltar os seus fogos, mas sempre apontando os rojões para lugares errados e desorientadamente, não causando uma tragédia por obra do Divino Espírito Santo. Estes mesmos continuaram a comemoração quando voltaram para sua casa, pois expandiram sua festa, para o meio da rua, e continuaram usando fogos. Como se não bastasse, um destes estourou dentro do meu jardim da frente, a um metro do meu carro e a cinqüenta centímetros do meu marido com a minha filha no colo e de mãos dadas com meu filho e mais uma vez contamos com um amparo Divino evitando mais tragédias. Isto sob o som alto e descontrolado e espaçoso em casas vizinhas.

Temos dois banquinhos, que colocamos em nossa calçada para batermos papo, pegar uma brisa ou então só observarmos as crianças brincarem, e também pensamos em casais que eventualmente possam parar ali ou idosos podendo descansar antes de seguir para casa ou tantas outras coisas serenas e inocentes. Mas hoje já foram retirados retirá-los, pois no dia 03 estes foram usados como passarela de desfile e obscenidades exibicionistas (de travestis, ainda que eu não tenha nada contra eles, mas sim quanto as suas posturas), desde as 3 horas da tarde até a madrugada do dia seguinte, pois como convidados de vizinhos não se bastaram ao quintal deles e expandiram para a rua.

Já no réveillon do ano passado, foram pratos e copos com restos deixados no chão da rua e sobre a calçada após usarem os bancos para comerem à americana. Sem esquecer que na festa junina que fizeram ano passado e amarram o jegue no cesto de lixo que quase quebrou.

Nada tenho contra homossexuais, heterossexuais, bissexuais, assexuais, travestis, gays, lésbicas, simpatizantes e outros, mas acho uma agressão ter que ver exibicionismos obscenos fora daquilo que eu posso selecionar por controle remoto e não tenha como evitar o acesso de meus filhos principalmente, e se estivesse com convidados aqui ficaria muito envergonhada.

Os dias passaram e festas pós festas, pós festas, aqui não existe sistema de rede de coleta de esgoto, todos têm tanques sépticos, e que pela quantidade de pessoas nestas casas, não deu vazão. No domingo, dia 18/01/09, decidiram fazer a manutenção da caixa esgoto que estava extravasando ou entupido ou ambos, mas não chamaram um limpa-fossa e sim contrataram 2 pessoas que tiraram estes dejetos a baldes, sem luvas e sem proteções adequadas. Estas pessoas jogaram todo este esgoto na areia da praia e no terreno lateral, ocasionando um odor forte dentro das casas, pois com vento a favor num dia de sol intenso não tinha como evitar.

Quando fiz minha especialização FENSP, tomei conhecimento sobre os problemas relacionados ao despejo inadequado de dejetos são: Tifo, diarréias infecciosas, verminoses em geral e muitas outros, e por esta razão estes dejetos devem estar fora de contato com o homem, águas de abastecimento, vetores, e alimentos. É importante saber que aqui não temos rede para abastecimento de água, usamos poços artesianos. E, como em todas as cidades, estamos também com um novo prefeito que não teve como organizar a coleta de lixo, ficamos mais de 20 dias sem total coleta de lixo e agora a coleta ainda é irregular, não tendo uma rotina favorecendo os vetores.

Tentamos conversar com os proprietários e seus contratados, não para impedir, mas executarem de forma mais adequada, e não fomos escutados, com isto contatei todos os órgãos responsáveis por telefone, e não consegui ninguém que impedisse ou os advertisse de fazer tal coisa, sem opções filmamos, decididos a procurar a parte da prefeitura responsável por este tipo de atividade.

Na Prefeitura fui muito bem recebida em todos os contatos, primeiramente encaminhada à ouvidoriae posterior à fiscalização do meio ambiente. Não foi registrada a ocorrência, pois o tramite burocrático faria demorar o processo, já que está havendo mudanças nos tramites por esta mudança de gestão, mas seria feita uma vistoria o mais breve possível. Assim aconteceu no mesmo dia, infelizmente o fiscal que durante este intervalo estudou o caso, me informou que nada poderia fazer não tendo o flagrante, inclusive a gravação feita em CD da ocorrência, não seria válida naquele fórum, e que procurasse a justiça comum.

Esta sensação de não resolver estes problemas e nem ver expectativas disto assemelhava-se a uma ressaca, onde impotências, desilusões, decepções, frustrações, ao se deparar com tais situações e que mesmo fugindo para morar aqui, mais uma vez nos tornamos refém destas. Não podemos aproveitar a praia sem pensar em pegar no mínimo uma micose, não podemos assistir televisão, ou escutar música, ficamos confinados, mesmo em datas, ou até mesmo nos sentirmos intimidados de usar nossa varanda.

Ao receber, ontem pela tarde, o fiscal da prefeitura, minha filha saiu de casa, e para quem a conhece sabe que ela é super, hiper expansiva, neste momento estavam descendo mães com as crianças e antes que firmassem contato, já mandei minha filha para casa. Pela primeira vez elas se ofenderam e ficaram chocadas. Acredito que se não compactuo modus vivendi daquela família não alimentarei envolvimentos entre as crianças, mesmo sabendo que não têm culpa pelo que acontece.

No início da noite, querendo espairecer fui à varanda para ver o mar, pegar a brisa, e ascendi a luz da varanda, lá fora havia meninos sentados nos bancos que inicialmente não ligaram com a minha presença, mas com o tempo acho que se sentiram incomodados e partiram, quando a mãe de um deles supôs que haviam sidos obrigados á sair, e começou a berrar que eles não saíssem dali, e não tinham que temer pois ela estava atenta. Senti certa intenção de me intimidar, mas me mantive calada e me recolhi, até porque já era hora e no fundo temo o desconhecido, não sei quem são estas pessoas e do que são capazes.

Estamos operacionalizando sistemas de segurança na casa. Torço para ter visitas só depois da quarta-feira de cinzas, quando isto aqui volta ser um paraíso, e todos nós recuperaremos nosso espaço.

Ana,em 20/01/09 - Maricá

Detalhe Técnico: Os baldes utilizados para a coleta dos rejeitos foram lavados na água do mar e como um quebrou na onda, este foi jogado ali mesmo na beira da praia.