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Assim que me sinto
neste início de ano de 2009, é triste, mas não há outro termo para
resumir minhas emoções para este começo, de tantas ocorrências que
eu simplesmente vi que não tenho como resolver, sensação de impotência
por não saber mais como proceder.
Nos dias que antecederam ao Ano Novo amanhecemos com guerras de
som entre vizinhos...
Só posso chamar assim, aquele que o puser mais alto, o funk e quanto
mais obsceno, ganha. Para que ou por que respeitar o limite alheio?
Foi assim que pensaram e deste momento em diante me dei conta de
que o que me desejam e a toda minha família para este novo ano,
é: "QUE SE DANEM, não importa quem goste, se existem crianças, idosos
ou se por ventura está passando por um momento difícil ou não, se
estão invadindo o limite do outro ou não, eu quero é degradar! 24
horas todos os dias deste novo ano"
Agem como vampiros, chegam e extraem tudo de bom que o lugar tem
pelo qual resolvi me mudar, em busca de coisas diferente ás grandes
cidades, que hoje estão violentas, barulhentas, angustiantes, onde
pessoas "do bem" estão sitiadas, crianças enclausuradas e muitas
outras mortas. Mudei-me fugindo destas coisas e notei que ano passado
e este ano, somente no período de férias, vem sendo muito complicado.
A vizinhança mudou e antes não estava tão intenso como nos anos
anteriores.
Na noite do Ano Novo como sempre eu e família assim como muitas
outras, fomos ver os tradicionais fogos na praia, que são sempre
muito bonitos, vemos os fogos da Rua 90, 107, 130 e de Ponta Negra.
Geralmente 15 minutos de muita beleza, mas já no ano passado, assim
como este ano contamos com tiros para o alto. Neste ano, três "estraga
prazeres" de bermuda clara e sem blusa simplesmente conseguiram
em menos de cinco minutos evacuar o lugar, as ofertas para Iemanjá
ficaram para a manhã do dia primeiro, todos se recolheram com medo
e voltaram para suas casas, mesmo não terminando a queima de fogos
mais uma vez.
Outros durante a celebração resolveram soltar os seus fogos, mas
sempre apontando os rojões para lugares errados e desorientadamente,
não causando uma tragédia por obra do Divino Espírito Santo. Estes
mesmos continuaram a comemoração quando voltaram para sua casa,
pois expandiram sua festa, para o meio da rua, e continuaram usando
fogos. Como se não bastasse, um destes estourou dentro do meu jardim
da frente, a um metro do meu carro e a cinqüenta centímetros do
meu marido com a minha filha no colo e de mãos dadas com meu filho
e mais uma vez contamos com um amparo Divino evitando mais tragédias.
Isto sob o som alto e descontrolado e espaçoso em casas vizinhas.
Temos dois banquinhos, que colocamos em nossa calçada para batermos
papo, pegar uma brisa ou então só observarmos as crianças brincarem,
e também pensamos em casais que eventualmente possam parar ali ou
idosos podendo descansar antes de seguir para casa ou tantas outras
coisas serenas e inocentes. Mas hoje já foram retirados retirá-los,
pois no dia 03 estes foram usados como passarela de desfile e obscenidades
exibicionistas (de travestis, ainda que eu não tenha nada contra
eles, mas sim quanto as suas posturas), desde as 3 horas da tarde
até a madrugada do dia seguinte, pois como convidados de vizinhos
não se bastaram ao quintal deles e expandiram para a rua.
Já no réveillon do ano passado, foram pratos e copos com restos
deixados no chão da rua e sobre a calçada após usarem os bancos
para comerem à americana. Sem esquecer que na festa junina que fizeram
ano passado e amarram o jegue no cesto de lixo que quase quebrou.
Nada tenho contra homossexuais, heterossexuais, bissexuais, assexuais,
travestis, gays, lésbicas, simpatizantes e outros, mas acho uma
agressão ter que ver exibicionismos obscenos fora daquilo que eu
posso selecionar por controle remoto e não tenha como evitar o acesso
de meus filhos principalmente, e se estivesse com convidados aqui
ficaria muito envergonhada.
Os dias passaram e festas pós festas, pós festas, aqui não existe
sistema de rede de coleta de esgoto, todos têm tanques sépticos,
e que pela quantidade de pessoas nestas casas, não deu vazão. No
domingo, dia 18/01/09, decidiram fazer a manutenção da caixa esgoto
que estava extravasando ou entupido ou ambos, mas não chamaram um
limpa-fossa e sim contrataram 2 pessoas que tiraram estes dejetos
a baldes, sem luvas e sem proteções adequadas. Estas pessoas jogaram
todo este esgoto na areia da praia e no terreno lateral, ocasionando
um odor forte dentro das casas, pois com vento a favor num dia de
sol intenso não tinha como evitar.
Quando fiz minha especialização FENSP, tomei conhecimento sobre
os problemas relacionados ao despejo inadequado de dejetos são:
Tifo, diarréias infecciosas, verminoses em geral e muitas outros,
e por esta razão estes dejetos devem estar fora de contato com o
homem, águas de abastecimento, vetores, e alimentos. É importante
saber que aqui não temos rede para abastecimento de água, usamos
poços artesianos. E, como em todas as cidades, estamos também com
um novo prefeito que não teve como organizar a coleta de lixo, ficamos
mais de 20 dias sem total coleta de lixo e agora a coleta ainda
é irregular, não tendo uma rotina favorecendo os vetores.
Tentamos conversar com os proprietários e seus contratados, não
para impedir, mas executarem de forma mais adequada, e não fomos
escutados, com isto contatei todos os órgãos responsáveis por telefone,
e não consegui ninguém que impedisse ou os advertisse de fazer tal
coisa, sem opções filmamos, decididos a procurar a parte da prefeitura
responsável por este tipo de atividade.
Na Prefeitura fui muito bem recebida em todos os contatos, primeiramente
encaminhada à ouvidoriae posterior à fiscalização do meio ambiente.
Não foi registrada a ocorrência, pois o tramite burocrático faria
demorar o processo, já que está havendo mudanças nos tramites por
esta mudança de gestão, mas seria feita uma vistoria o mais breve
possível. Assim aconteceu no mesmo dia, infelizmente o fiscal que
durante este intervalo estudou o caso, me informou que nada poderia
fazer não tendo o flagrante, inclusive a gravação feita em CD da
ocorrência, não seria válida naquele fórum, e que procurasse a justiça
comum.
Esta sensação de não resolver estes problemas e nem ver expectativas
disto assemelhava-se a uma ressaca, onde impotências, desilusões,
decepções, frustrações, ao se deparar com tais situações e que mesmo
fugindo para morar aqui, mais uma vez nos tornamos refém destas.
Não podemos aproveitar a praia sem pensar em pegar no mínimo uma
micose, não podemos assistir televisão, ou escutar música, ficamos
confinados, mesmo em datas, ou até mesmo nos sentirmos intimidados
de usar nossa varanda.
Ao receber, ontem pela tarde, o fiscal da prefeitura, minha filha
saiu de casa, e para quem a conhece sabe que ela é super, hiper
expansiva, neste momento estavam descendo mães com as crianças e
antes que firmassem contato, já mandei minha filha para casa. Pela
primeira vez elas se ofenderam e ficaram chocadas. Acredito que
se não compactuo modus vivendi daquela família não alimentarei envolvimentos
entre as crianças, mesmo sabendo que não têm culpa pelo que acontece.
No início da noite, querendo espairecer fui à varanda para ver o
mar, pegar a brisa, e ascendi a luz da varanda, lá fora havia meninos
sentados nos bancos que inicialmente não ligaram com a minha presença,
mas com o tempo acho que se sentiram incomodados e partiram, quando
a mãe de um deles supôs que haviam sidos obrigados á sair, e começou
a berrar que eles não saíssem dali, e não tinham que temer pois
ela estava atenta. Senti certa intenção de me intimidar, mas me
mantive calada e me recolhi, até porque já era hora e no fundo temo
o desconhecido, não sei quem são estas pessoas e do que são capazes.
Estamos operacionalizando sistemas de segurança na casa. Torço para
ter visitas só depois da quarta-feira de cinzas, quando isto aqui
volta ser um paraíso, e todos nós recuperaremos nosso espaço.
Ana,em 20/01/09 - Maricá
Detalhe Técnico: Os baldes utilizados para a coleta dos rejeitos
foram lavados na água do mar e como um quebrou na onda, este foi
jogado ali mesmo na beira da praia.
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