22/12/2009

CEIA DE URUBUS E OUTROS BICHOS

........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

A ceia natalina está servida. É um lixo só. De joelhos na lama, rendendo adoração à politicalha, vêem-se aqueles que eram gente com a cangalha de burro, a corda dos enforcados, os grilhões de escravizados, a medalha dos premiados. No santuário da podridão política, crucificam-se os críticos, os hospitalizados, os necessitados e os revoltados, e quem mais ouse abrir a boca, mesmo que seja para pedir a esmola de um direito como os ostomizados. Há que se rezar para que a Missa do Galo limpe a podridão dos Judas, espalhados em congregação com os ratos, os "baratas", os urubus, os cobras. Os únicos cânticos ouvidos agora são o roer das finanças, o grasnar dos corvos, o sibilar de serpentes, o tilintar das moedas, o tintim dos copos, numa sinfonia de dominação orquestrada pelos santificados para a canonização da mentira, da trapaça, da corrupção. Uma cidade e uma população não devem se intimidar diante de tal caricatura endeusada e entronizada no altar político, sob a guarda de tridentes e de pittbulls de fora, comprados com o dinheiro público, e sob as bênçãos do protecionismo local.

Mais do que nunca as vozes de todos devem troar como trombetas, em uníssono, pois Natal simboliza também renascimento e liberdade. Nunca será lamento de acovardados, choramingar de colaboracionistas, ou silêncio de acomodados. A ceia deve nos lembrar da necessidade de se lutar contra a tirania da palhaçada.

E a Missa do Galo tem que ser libertária ou toda uma população será escravizada pelo seu próprio silêncio de conivência, bebida no cálice dos próprios carrascos e seus correligionários, mascarados em organizações, entidades civis, associações e mais uma batelada de instituições, esconderijos de muitos servidores dos poderes.