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A ceia natalina
está servida. É um lixo só. De joelhos na lama, rendendo adoração
à politicalha, vêem-se aqueles que eram gente com a cangalha de
burro, a corda dos enforcados, os grilhões de escravizados, a medalha
dos premiados. No santuário da podridão política, crucificam-se
os críticos, os hospitalizados, os necessitados e os revoltados,
e quem mais ouse abrir a boca, mesmo que seja para pedir a esmola
de um direito como os ostomizados. Há que se rezar para que a Missa
do Galo limpe a podridão dos Judas, espalhados em congregação com
os ratos, os "baratas", os urubus, os cobras. Os únicos cânticos
ouvidos agora são o roer das finanças, o grasnar dos corvos, o sibilar
de serpentes, o tilintar das moedas, o tintim dos copos, numa sinfonia
de dominação orquestrada pelos santificados para a canonização da
mentira, da trapaça, da corrupção. Uma cidade e uma população não
devem se intimidar diante de tal caricatura endeusada e entronizada
no altar político, sob a guarda de tridentes e de pittbulls de fora,
comprados com o dinheiro público, e sob as bênçãos do protecionismo
local.
Mais do que nunca as vozes de todos devem troar como trombetas,
em uníssono, pois Natal simboliza também renascimento e liberdade.
Nunca será lamento de acovardados, choramingar de colaboracionistas,
ou silêncio de acomodados. A ceia deve nos lembrar da necessidade
de se lutar contra a tirania da palhaçada.
E a Missa do Galo tem que ser libertária ou toda uma população será
escravizada pelo seu próprio silêncio de conivência, bebida no cálice
dos próprios carrascos e seus correligionários, mascarados em organizações,
entidades civis, associações e mais uma batelada de instituições,
esconderijos de muitos servidores dos poderes.
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