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A Prefeitura ataca
agora o bolso dos comerciantes. Com a corda no pescoço, desencavou
a Lei Complementar Nº 153, de dezembro de 2006 (veja o texto no
JOM nº 32), que disciplina a veiculação de publicidade no município,
para arrecadar o dinheiro que gastou em suas farras praticamente
o orçamento anual. Os agentes da Secretaria do Ambiente e do Urbanismo
estão nas ruas intimando os comerciantes, uma vez que a Prefeitura
está dando prazo máximo de sete dias para acertar as contas.
O "convite" do prefeito anuncia que o não atendimento acarretará
"entre outras medidas a remoção do engenho publicitário" e os agentes
falam que as taxas serão cobradas por m². Quem quiser maiores informações
pelo telefone indicado no "convite', não conseguirá nada, nem mesmo
indo à Secretaria do Ambiente e Urbanismo, que toma duas casas alugadas
no bairro de Boa Vista, no Centro.
A Operação Mãos ao Alto! não se caracteriza por uma orientação aos
comerciantes, mas é imposição de uma lei que nunca fez valer seu
cumprimento pelo governo. Em vez de implementar e orientar os comerciantes,
o que deveria ter sido feito desde a sanção da lei, na gestão anterior,
o governo vale-se dela para conseguir um dinheiro a mais.
Além da taxa anual, calculada pelo Código Tributário do Município,
a lei determina que entre outros documentos, para aprovação das
placas, será necessária a apresentação da guia do IPTU paga. É uma
clara demonstração que o governo está fazendo das tripas coração
para conseguir o pagamento do IPTU, a maior fonte de arrecadação
do município. E os assessores fazem o trabalho sujo de encontrar
brechas para impor de qualquer jeito o pagamento do imposto.
Para os que desobedecerem a lei, e não cumprirem a determinação
no prazo, será retirada a placa e cobrada uma taxa (que não se sabe
de qual valor) pela retirada. Como alguns comerciantes já estão
dispostos a entregar a placa publicitária e pagar os custos, a ter
mais trabalho com a papelada e pagar muito mais, inclusive atualização
do IPTU, se desconfia de uma desobediência civil contra um governo
mais cobrador de impostos do que governante.
A medida não se restringe apenas a placas, mas também "regulamenta"
a distribuição de prospectos e folhetos de propaganda, sacos plásticos
e outros impressos, que terão sua distribuição autorizada por um
período determinado e em locais preestabelecidos, além de haver
necessidade de se identificar os pontos de distribuição e tiragem.
A medida deve estar valendo para todos e assim terá fim o "Tá sabendo",
que emporcalha as ruas. O folheto, em que não consta nem tiragem,
nem empresa produtora, também é o maior infrator municipal. Não
só é distribuído por funcionários da Prefeitura, em desvio de função,
como envergonha todo o município.
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