22/05/2009
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HISTORINHA DE UM PIRATA PARAGUAIO

Era uma vez um barco remendado, que um trapalhão bêbado e muito falador, com um marreco como mascote, conseguiu colocar navegando num mar de esgoto. Encheu o barco de amigos com as mais loucas fantasias. Brincavam de ser médicos, engenheiros, artistas, farmacêuticos, jornalistas, advogados e até professores. Houve quem mesmo botasse Bíblia debaixo do braço para ver se evangelizava algum incauto pela viagem, pois de hereges, todos sabem, o mundo está cheio, sempre dando um lucrinho extra. Nem esqueceu o saquinho com 30 moedas velhas como talismã. E saíram por aí.

O pirata-mor, made in Paraguai, tomava muitas e com uma espada de pau fazia a todos obedecerem, pois todo dia, de quatro, levavam sorrindo uma espadada na bund*. E enquanto a nau velejava aos trancos e barrancos por entre a bosta, corriam soltas a festa e a bebida. O navio era um bacanal dos diabos sem lei e sem dinheiro. Ninguém se entendia, mas tinham um bom estoque de rum.

Profetizava o tal pirata, com a fanfarronice dos bêbados, que iriam encontrar tesouros, pilhar muita cidade, ganhar ouro a rodo. Os olhos de todos cresceram. Se pensavam duques, marqueses, barões de terras e escravos mil. Outros, com o idealismo dos tresloucados, se imaginavam em palanques conclamando a liberdade para enganar pobres miseráveis e deles tirar dinheiro como outros já fazem sem entrar em canoa furada.

Mas o barco mal andava naquele fedor de mar. O mau cheiro já azucrinava o nariz de uns poucos, que a farra já não satisfazia. E um deles, mandado para ver que tesouros haveria no porão, encontrou por lá ratazanas tamanhas nadando. Famintas, roeram os fundos do barco e a água se fez como há muito no mundo se fez a luz. Seria rápido o desastre e, recuperados da bebedeira, muitos preferiam cair fora. Como da merd* tinham nascido, não queriam nela se afogar. E a grita começou do salve-se quem puder.

Para onde foi o barco, ninguém sabe. Do pirata bêbado e palhação, quem saberá? Do mascote marreco, nem se fala. Só temos confirmado que as ratazanas sobreviveram, pois no esgoto crescem e se multiplicam. Mas para onde foram não se sabe. Quem desejar um final, escreva o que a carapuça lhe couber.

Para os que aqui viram apenas uma fábula, não desejem uma moral. Esta é apenas a história sem pé nem cabeça de como um palhaço fanfarrão levou os idiotas para brincar na bosta. Choram os arrependidos que ficaram fora do barco e os enganados pela cegonha.