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A denúncia do caso
"Maricá em foco" mostra que o esquemão de propaganda do governo
de Maricá, como numa farmácia de manipulação, está a pleno vapor
para esconder do povo sua verdadeira cara. O objetivo, a qualquer
custo com o dinheiro público, é anunciar tudo para encher os olhos
e ocultar a miséria do que fazem para garantir a simpatia e os votos
para qualquer medida que tomarem.
A pequena agência (Vila 2)venceu a licitação para cuidar da divulgação
da Prefeitura, com uma verba de R$ 46 mil (Jornal Oficial do Município,
nº 145), mas sequer o site está funcionando, apesar de anunciar
que estaria em funcionamento desde 1º de março. A empresa de serviços
gráficos e impressão geral produz web sites, letreiros, banners,
outdoors, cartões, adesivos e panfletos(!!!), mas em nenhum lugar
anunciou ser produtora de jornal.
Não foi à toa que, como um camaleão, o "jornal", que estaria sendo
produzido dentro da própria PMM, mudou inclusive de cara e de responsável
de uma edição para outra. Se no lançamento tinha Karen Soares como
jornalista responsável, passou a constar no cargo Sady Bianchin.
Outro detalhe é que o custo de R$ 1 de lançamento foi reduzido para
R$ 0,50, atendendo a interesses de conquistar os de menor poder
aquisitivo. A edição também pouco dava destaque ou tinha colunistas
da parte governamental em comparação ao nº 2, quando se mostrou
um cântico em papel das realizações (?) governamentais, com uma
enxurrada de colunistas já instalados no governo.
O que o governo municipal também deveria explicar é porque, com
parecer da Comissão Permanente de Licitação, "para prestação de
serviços de publicação em jornal de grande circulação", a editora
O Dia recebeu quase R$ 77,5 mil (JOM nº 140), quando a mesma Comissão
só foi criada em portaria publicada, posteriormente, na edição nº
144 do mesmo JOM, mas desde o início do governo tem dado parecer
favorável a muita licitação. São "milagres" contábeis.
Este é apenas o início de um programa, elaborado dentro da PMM,
para acabar com a imprensa no município, favorecendo amigos ou conhecidos
dispostos a ganhar um dinheirinho fácil. A denúncia foi feita há
dois meses por um jornal da cidade, mas pouca gente atentou para
o fato. Na época, ainda sob a vigência da Lei de Imprensa, os articuladores
já pensavam em usar a força da lei para calar qualquer voz contrária
e denúncias de má administração.
Entre as medidas em andamento está a acoplagem à Prefeitura de donos
dos jornais que são agora comissionados, alguns até levando seus
colaboradores, extinguindo as publicações, que no início da década
chegavam em torno de 17, no município, e delas hoje restam cerca
de seis. Colaboram na manobra muitos interessados em boquinhas governamentais
ou armadores de todo tipo que pretendem golpes fenomenais sob a
cobertura do governo.
A maquiavélica orquestração é dominar os meios de comunicação para
adestrar o município, em particular os mais pobres, que se veriam
encantados com o ilusionismo da Prefeitura de parecer que fez o
que nunca fará. Também não se descarta a possibilidade da criação
pelo próprio governo de uma rádio. Não seria à toa que gente de
fora do estado, ligada ao rádio, esteve aqui prestigiando o candidato,
e alguns de casa já põem olho em cima e vivem ronronando nos gabinetes.
A assessoria tem despejado um encantamento de realizações que não
passam de factóides, muitos sem pé nem cabeça, mas que não devem
ser questionados, pois a imprensa local, para o governo, está com
a cabeça na guilhotina. Aí só surgirão os "jornais" que seu mestre
mandar e podridão não faltará para encher as folhas. Resta calar
a imprensa, pagar o que quiser aos "profissionais", ganhar mais
dinheiro e assegurar votos, "prestígio", enfim, poder. Com o beneplácito
de uma silenciosa Câmara, sob o olhar passivo das instituições civis.
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