20/05/2009

MARICÁ QUER ACABAR COM A IMPRENSA

........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

A denúncia do caso "Maricá em foco" mostra que o esquemão de propaganda do governo de Maricá, como numa farmácia de manipulação, está a pleno vapor para esconder do povo sua verdadeira cara. O objetivo, a qualquer custo com o dinheiro público, é anunciar tudo para encher os olhos e ocultar a miséria do que fazem para garantir a simpatia e os votos para qualquer medida que tomarem.

A pequena agência (Vila 2)venceu a licitação para cuidar da divulgação da Prefeitura, com uma verba de R$ 46 mil (Jornal Oficial do Município, nº 145), mas sequer o site está funcionando, apesar de anunciar que estaria em funcionamento desde 1º de março. A empresa de serviços gráficos e impressão geral produz web sites, letreiros, banners, outdoors, cartões, adesivos e panfletos(!!!), mas em nenhum lugar anunciou ser produtora de jornal.

Não foi à toa que, como um camaleão, o "jornal", que estaria sendo produzido dentro da própria PMM, mudou inclusive de cara e de responsável de uma edição para outra. Se no lançamento tinha Karen Soares como jornalista responsável, passou a constar no cargo Sady Bianchin. Outro detalhe é que o custo de R$ 1 de lançamento foi reduzido para R$ 0,50, atendendo a interesses de conquistar os de menor poder aquisitivo. A edição também pouco dava destaque ou tinha colunistas da parte governamental em comparação ao nº 2, quando se mostrou um cântico em papel das realizações (?) governamentais, com uma enxurrada de colunistas já instalados no governo.

O que o governo municipal também deveria explicar é porque, com parecer da Comissão Permanente de Licitação, "para prestação de serviços de publicação em jornal de grande circulação", a editora O Dia recebeu quase R$ 77,5 mil (JOM nº 140), quando a mesma Comissão só foi criada em portaria publicada, posteriormente, na edição nº 144 do mesmo JOM, mas desde o início do governo tem dado parecer favorável a muita licitação. São "milagres" contábeis.

Este é apenas o início de um programa, elaborado dentro da PMM, para acabar com a imprensa no município, favorecendo amigos ou conhecidos dispostos a ganhar um dinheirinho fácil. A denúncia foi feita há dois meses por um jornal da cidade, mas pouca gente atentou para o fato. Na época, ainda sob a vigência da Lei de Imprensa, os articuladores já pensavam em usar a força da lei para calar qualquer voz contrária e denúncias de má administração.

Entre as medidas em andamento está a acoplagem à Prefeitura de donos dos jornais que são agora comissionados, alguns até levando seus colaboradores, extinguindo as publicações, que no início da década chegavam em torno de 17, no município, e delas hoje restam cerca de seis. Colaboram na manobra muitos interessados em boquinhas governamentais ou armadores de todo tipo que pretendem golpes fenomenais sob a cobertura do governo.

A maquiavélica orquestração é dominar os meios de comunicação para adestrar o município, em particular os mais pobres, que se veriam encantados com o ilusionismo da Prefeitura de parecer que fez o que nunca fará. Também não se descarta a possibilidade da criação pelo próprio governo de uma rádio. Não seria à toa que gente de fora do estado, ligada ao rádio, esteve aqui prestigiando o candidato, e alguns de casa já põem olho em cima e vivem ronronando nos gabinetes.

A assessoria tem despejado um encantamento de realizações que não passam de factóides, muitos sem pé nem cabeça, mas que não devem ser questionados, pois a imprensa local, para o governo, está com a cabeça na guilhotina. Aí só surgirão os "jornais" que seu mestre mandar e podridão não faltará para encher as folhas. Resta calar a imprensa, pagar o que quiser aos "profissionais", ganhar mais dinheiro e assegurar votos, "prestígio", enfim, poder. Com o beneplácito de uma silenciosa Câmara, sob o olhar passivo das instituições civis.