18/09/2009

CULTURA ENGARRAFADA

........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

Sob inspiração de Smirnoff e Voronoff, "sábios" russos, as destilarias governamentais de cultura em Maricá decididamente estão tropeçando nas pernas, embriagadas pelo xuxexo das suas magníficas realizações. Se em todo canto do país, galpões, casas antigas retocadas, ígrejas, terminais de ônibus, barracões de sapê são alguns dos locais que a inteligência resolve adotar para implementar a cultura, com maiúscula, nos municípios, em Maricá se convencionou de vez que lugar de cultura minúscula é no bar. Sem o selo 51, até as boas idéias são deixadas de lado.

O etilismo cultural, importado e também municipal, vem de uma única fonte: a incompetência administrativa. Como os governos decidem normalmente que cultura é um setor que só serve mesmo para enganar o povo, deixar todo mundo rebolando, com o ouvido entupido de porcaria e a garganta sempre pedindo mais, resolvem que para sua administração os mais inéditos em obras podem resolver o problema. Daí colocam num cargo tão importante quanto educação e saúde, sem o mesmo prestígio, os amigos do peito, que como logo se vê só servem mesmo para mamar já que estão tão achegados.

Nesta semana dois anúncios do governo mostram que sem bebida não há cultura em Maricá. Num evento pra peixe, resolveram inventar colocando no mesmo balaio forró, teatro, degustação e outros quitutes na mais numa clara demonstração que não sabem ainda sequer medir a dose do que servem. Em outro evento, decidiram que o registro fotográfico de um programa feito pelo próprio governo merece ganhar foro de exposição. E vão expor fotos feitas por comissionados, com o dinheiro público, nos bares. Talvez até mesmo pretendam que os colégios promovam visitas aos bares para ver a exposição.

O que não se vê, nem se verá, é uma preocupação com a cultura, aquela que não deve ser apresentada apenas depois da novela das oito, exposta em frente ao bar. Outros municípios estão se mexendo cada vez mais para atender o povo com cultura, desenvolvendo projetos que sejam implantados de manhã e à tarde por todas as cidades. Até vereadores apresentam trabalhos nas Câmaras, numa demonstração do seu interesse em que a cultura municipal seja divulgada. Em Maricá, há um silêncio total só quebrado quando alguém derruba uma garrafa na mesa, onde se discute o que fazer em cultura. E depois, cambaleando, tenta acertar um passo no descompasso das suas incompetências. Para fazer o que estão fazendo, é melhor extinguir logo de vez cargos. Só estão servindo para garantir salário aos aspones, dar privilégio aos bares e restaurantes, encher a cara de uns e os bolsos de muitos.