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Sob inspiração de
Smirnoff e Voronoff, "sábios" russos, as destilarias governamentais
de cultura em Maricá decididamente estão tropeçando nas pernas,
embriagadas pelo xuxexo das suas magníficas realizações. Se em todo
canto do país, galpões, casas antigas retocadas, ígrejas, terminais
de ônibus, barracões de sapê são alguns dos locais que a inteligência
resolve adotar para implementar a cultura, com maiúscula, nos municípios,
em Maricá se convencionou de vez que lugar de cultura minúscula
é no bar. Sem o selo 51, até as boas idéias são deixadas de lado.
O etilismo cultural, importado e também municipal, vem de uma única
fonte: a incompetência administrativa. Como os governos decidem
normalmente que cultura é um setor que só serve mesmo para enganar
o povo, deixar todo mundo rebolando, com o ouvido entupido de porcaria
e a garganta sempre pedindo mais, resolvem que para sua administração
os mais inéditos em obras podem resolver o problema. Daí colocam
num cargo tão importante quanto educação e saúde, sem o mesmo prestígio,
os amigos do peito, que como logo se vê só servem mesmo para mamar
já que estão tão achegados.
Nesta semana dois anúncios do governo mostram que sem bebida não
há cultura em Maricá. Num evento pra peixe, resolveram inventar
colocando no mesmo balaio forró, teatro, degustação e outros quitutes
na mais numa clara demonstração que não sabem ainda sequer medir
a dose do que servem. Em outro evento, decidiram que o registro
fotográfico de um programa feito pelo próprio governo merece ganhar
foro de exposição. E vão expor fotos feitas por comissionados, com
o dinheiro público, nos bares. Talvez até mesmo pretendam que os
colégios promovam visitas aos bares para ver a exposição.
O que não se vê, nem se verá, é uma preocupação com a cultura, aquela
que não deve ser apresentada apenas depois da novela das oito, exposta
em frente ao bar. Outros municípios estão se mexendo cada vez mais
para atender o povo com cultura, desenvolvendo projetos que sejam
implantados de manhã e à tarde por todas as cidades. Até vereadores
apresentam trabalhos nas Câmaras, numa demonstração do seu interesse
em que a cultura municipal seja divulgada. Em Maricá, há um silêncio
total só quebrado quando alguém derruba uma garrafa na mesa, onde
se discute o que fazer em cultura. E depois, cambaleando, tenta
acertar um passo no descompasso das suas incompetências. Para fazer
o que estão fazendo, é melhor extinguir logo de vez cargos. Só estão
servindo para garantir salário aos aspones, dar privilégio aos bares
e restaurantes, encher a cara de uns e os bolsos de muitos.
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